27/11/2023
💢DICAS DE FILME🎞
Por Daniel Becker
Um antídoto para a guerra, e um filme para nossos tempos.
O filme Quantos Dias e Quantas Noites me ofereceu 90 minutos de beleza, delicadeza, amor, encanto e renovação da fé no ser humano.
Ontem assisti à estreia do filme Quantos Dias e Quantas Noites, da produtora Maria Farinha (que também nos deu obras imperdíveis como a série Aruanas, e os longas O Começo da Vida I e II). Dirigido por Cacau Rhoden (dos filmes Nunca Me Sonharam e Tarja Branca), e idealizado por Marta Pipponzi, o documentário trata da questão do envelhecimento com um viés absolutamente diferente de outras produções que abordam o tema.
Em meio a muita dor, trazida pelas notícias do macabro e horrendo atentado terrorista em Israel e da guerra que se segue (tenho família e ligação forte com o país), o filme me ofereceu 90 minutos de beleza, delicadeza, amor, encanto e renovação da fé no ser humano. Em muitos momentos me emocionei, assim como a maior parte da plateia que lotou o auditório do Museu do Amanhã. Aliás, a plateia mais igualitária que já vi no cinema – e isso diz muito do filme, da produtora e dos parceiros institucionais envolvidos, como a Ashoka, uma grande e potente plataforma de empreendedores sociais da qual me orgulho de participar; e do UNFPA, agência da ONU para saúde sexual e reprodutiva, direitos, população e desenvolvimento.
Tudo no filme é potente, sensível e profundamente tocante: as imagens, o roteiro, as ideias transmitidas, e sobretudo os personagens. As histórias retratadas nos fazem refletir sobre nosso papel no mundo, sobre a justiça social, a invisibilidade do sofrimento, sobre o amor e sobre nossa própria vida, em sua dimensão individual e coletiva.
Isso é o mais extraordinário. Poderia ser apenas uma reflexão sobre a longevidade, que nos colocasse diante de nossa própria finitude ou oferecesse informações sobre “como viver mais e melhor”, como tantas produções atuais, sempre num viés individual. Mas não: além de nos fazer pensar sobre o tempo e nossa própria vida, sobre nosso envelhecimento e morte, o filme traz, sobretudo, a importância do fenômeno da longevidade sob o ponto de vista coletivo, trazendo uma dimensão profundamente humana, e nos confrontando com nosso papel no presente, nossa relação com o outro, o legado que queremos deixar, e com a importância de tratarmos desse tema com seriedade. Como diz Marcos Nisti, um dos produtores: “o filme questiona se a sociedade está realmente preparada para esses anos a mais que já vivemos”.
Afinal, a população mundial – e a brasileira em especial – está vivendo mais tempo e envelhecendo rapidamente. Essa revolução da longevidade é uma grande conquista da humanidade, e representa talvez o maior progresso que fizemos em termos de saúde e bem estar. Mas essa mudança nos confronta com muitos desafios, que devem ser pensados e enfrentados, e com urgência. E esse enfrentamento só pode ser dar no coletivo, na dimensão política, e levando em conta justamente os atores invisíveis que o filme nos permite conhecer com profunda delicadeza.
https://oglobo.globo.com/blogs/daniel-becker/post/2023/10/um-antidoto-para-a-guerra-e-um-filme-para-nossos-tempos.ghtml
👉 O filme pode ser acessado na Itaú Cultural Play, em todo o país, gratuitamente no (www.itauculturalplay.com.br), através de um simples cadastro.
A marca que perpassa todas as histórias é o afeto, a solidariedade, o amor, a presença no mundo. Todas tão esquecidas num mundo de superficialidade, individualismo, futilidade e ausência. Para esse tempo tão saturado pelo ódio, o filme traz um sopro de alívio e esperança, mas também de reflexão e engajamento.
Não há quem não se mobilize com as reflexões de Alexandre Kalache e Ana Claudia Arantes; e quem não se emocione com as lições de sensibilidade, força, afeto e solidariedade de Sueli Carneiro, Mona Rikumbi, Ana Michelle Soares e Alexandre Silva. São palavras e gestos que transformam.
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Recomendo fortemente que você assista esse filme, se possível nos cinemas. E divulgue para seus amigos e familiares. É uma mensagem importante para nossa sociedade e um momento sensível com potencial transformador para cada um de nós.
Um antídoto para a guerra, e um filme para nossos tempos
O filme Quantos Dias e Quantas Noites me ofereceu 90 minutos de beleza, delicadeza, amor, encanto e renovação da fé no ser humano