25/07/2020
Nesse episódio, os três diletantes desse conteúdo auditivo conversam sobre o Vilém Flusser (1920-1991), filósofo da imagem e do aparelho. Dialogando sobre sua vida e obra, comentam o seu amplo espectro de pensamento e sua importância para o cenário brasileiro para além da área da comunicação na qual é encaixotado. Link nos comentários.
17/07/2020
Novo episódio, link nos comentários
05/02/2020
Continuação da entrevista de GF Gahiji com Gabriel Santana sobre rap, preconceito e produção musical.
Elementos e pilares do Hip Hop: entrevista com GF Gahiji- parte II
Continuação da entrevista com .gahiji sobre rap, preconceito e produção musical. Instagram:
21/01/2020
Entrevista de Guilherme Felipe Real Beat Breakers no Fluxo de Consciência - Gabriel Santana.
Elementos e pilares do Hip Hop: Entrevista com GF Gahiji- Parte I
08/01/2020
REVOLTA E REVOLUÇÃO – Albert Camus
“Não é justo identificar os fins do fascismo com os do comunismo russo. O primeiro representa a exaltação do carrasco pelo próprio carrasco. O segundo, mais dramático, a exaltação do carrasco pelas vítimas. O primeiro nunca sonhou em libertar alguns e subjugar os outros. O segundo, em seu princípio mais profundo, visa libertar todos os homens escravizando todos, provisoriamente. É preciso reconhecer-lhe a grandeza da intenção. Mas é legitimo, pelo contrário, identificar os seus meios com o cinismo político que ambos buscaram da mesma fonte, o niilismo moral. [...] Obedecendo ao niilismo, a revolução voltou-se efetivamente contra suas origens revoltadas.”
O homem revoltado. Trad. Valerie Rumjanek. Rio de Janeiro: Record, p. 319.
Imagem: Albert Camus no terraço do café Les Deux Magots em Paris, 1945.
07/01/2020
PESSIMISMO CULTURAL - Mark Lilla
"O pessimismo cultural é tão velho quanto a cultura humana e tem uma longa historia na Europa. Hesíodo julgava viver na Era do Ferro; Catão, o Antigo, acusava a filosofia grega de corromper os jovens; Santo Agostinho denunciou a decadência pagã como responsável pela queda de Roma; os reformadores protestantes se consideravam vivendo no Grande Tormento; os realistas franceses culpavam Rousseau e Voltaire pela Revolução; e praticamente todo mundo culpava Nietzsche pelas duas guerras mundiais."
A mente naufragada. Trad. Clóvis Marques. Rio de Janeiro: Record, 2018.
Imagem: Storm at sea painting. Ivan Konstantinovich Aivazóvski.
06/01/2020
"Mais do que ler os contemporâneos, precisamos sempre voltar aos clássicos. Já que sem os antigos, não teríamos os novos. Bloom, Steiner, Calvino, Puchner e outros críticos já alertaram sua importância para o imaginário do homem. Quer saber do futuro? Então pergunte a Homero." Gabriel Santana escreve para o Painel DN.
Variações sobre o mesmo tema | Painel DN
Eis a maldição dos grandes autores: todo mundo fala, mas ninguém lê...
18/12/2019
ARCA DA ALIANÇA.
Eva
1.
A culpa toda
me reveste
e eu nua.
Ouvi o que
a serpente
sussurava
e caí.
Com Adão.
Nos desterrou
o anjo.
Era o conhecimento
de um pudor
ou soluço.
O que pode
a dor,
se nenhum traço
nos julga?
Com medo,
escondo a face.
E opaco, nulo o riso.
Tudo é desconhecido
fora do paraíso.
2.
Existimos na graça
que não tinha nudez,
nem veste. Mas a lassa
alegria de fluir na arragem da tarde,
Deus. E o que preparara
para nós: o rio
a regar um jardim
de frutas claras.
E árvores, árvores.
Entre elas, no centro,
a da vida. E outra,
que não podíamos
tocar. Uma palavra
e vergava com a morte,
a morte, a morte,
o apodrecimento.
E não escutei Deus,
mas a serpente. E Adão,
de quem gerada fui,
me ouviu, sem o grão
Sequer de algum sentido,
sem a razão, o vínculo
do amor que nos reverte.
E expulsos formos do Éden.
E com espada flamejante,
anjos o guardavam, enquanto
íamos os dois, desventurados
encher o vale humano.
Porém, uma mulher,
como eu, pela semente,
vem, e com a planta
do pé que floresceu,
esmagará a serpente.
E sob as folhas
da figueira tapamos
a nudez e continuamos
nus, continuaríamos,
se Deus não nos cobrisse
de outra pele viva,
do único capaz
de abrir o selo:
a pele do Cordeiro.
Carlos Nejar - Os Viventes.
Gravura de William Blake.
17/12/2019
A FÍSICA DO DESEJO
"Seguindo Agostinho, a ortodoxia radical, em seus textos, quer mostrar que o desejo em si é escravizado e maculado pelo pecado porque não é direcionado por Deus, mas por nós mesmo, e por isso 'nosso coração vive inquieto, enquanto não repousa em Vós'. Essa inquietude da alma, segundo a Ortodoxia Radical, é evidente na obsessão pós-moderna com várias formas perversas de sexualidade que destroem o eros, o amor e o corpo, moldando-os nos termos das leis do mercado, em que tudo se torna mercadoria. O desejo, nesse caso, é definido como falta e escassez perpetuamente voltadas para nós mesmos. Nunca satisfazemos plenamente esse desejo. Por esse motivo, de modo mimético, desejamos o que os outros desejam. Esse é o princípio fundamental da racionalidade capitalista, segundo a qual funciona as leis do mercado, escravizando 'ontologicamente' o desejo. [...] A ortodoxia radical está convencida de que apenas o cristianismo pode remodelar e redirecionar o desejo. Vivenciada pela física da liturgia, a beleza da narrativa cristã pode curar o eros ferido ao redirecionar o desejo para a plenitude infinita da beleza de Deus. O curso do desejo e a abertura do eros ferido podem ser arrancados da racionalidade capitalista do mercado de uma maneira romântica, através de uma terapia litúrgica que não interpretará a natureza como dada, mas como dádiva."
Boris Gunjević. A emocionante aventura da ortodoxia radical: exercícios espirituais. In: Slavoj Žižek. O sofrimento de Deus. Trad. Rogério Bettoni. Autêntica. p. 176-177.
Imagem: Jean-Léon Gérôme, Selling Slaves in Rome, 1884.