17/07/2025
Fortes demais para sentir?
Desde cedo aprendemos que, para conquistar algo na vida, é preciso ser forte e inabalável. Que não há espaço para sentir dor, porque a vida é assim mesmo — uma batalha constante em que só vence quem luta.
Mas esse comportamento, muitas vezes, não nos leva à verdadeira conquista. Em vez disso, gera um sentimento difícil de nomear. No consultório, recebo pessoas bem-sucedidas, admiradas por muitos, mas que carregam um vazio que não sabem explicar, nem expressar.
O psicanalista Donald Winnicott chamava isso de falso self: uma espécie de armadura emocional que construímos para atender às expectativas externas, enquanto escondemos quem realmente somos. Ele dizia:
“O falso self resulta de uma defesa contra a angústia e o desamparo. Ele protege, mas também esconde o self verdadeiro.”
E quanto mais tempo passamos desconectados desse self autêntico, mais distante ficamos de nós mesmos.
Quando damos voz ao que foi silenciado — às perdas ignoradas, aos términos sem explicação, às perguntas que nunca foram feitas, às brigas sem fim, às feridas nunca cuidadas — algo muda. O peso que parecia parte de quem somos, desaparece.
As dores precisam ser sentidas. Elas fazem parte da nossa história. Precisamos chorar — seja por tristeza, seja por alegria. Precisamos viver os lutos, para que se tornem lembranças, e não tristezas eternas.
Negar a dor não nos fortalece. Sentir é o que nos torna inteiros.
“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu: tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar.” — Eclesiastes 3:1, 4