17/08/2026
O tratamento da dor crônica acaba de dar um importante passo no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar o estimulador de medula espinhal, uma tecnologia reconhecida internacionalmente para pacientes com dor crônica refratária, ou seja, quando medicamentos, fisioterapia e outras abordagens conservadoras não proporcionam alívio satisfatório.
Apesar de muitas pessoas acreditarem que a dor surge exclusivamente no cérebro, ela percorre um caminho complexo até ser percebida. É justamente nesse trajeto que a estimulação medular (Spinal Cord Stimulation – SCS) atua, modulando a transmissão dos sinais dolorosos antes que eles alcancem os centros cerebrais responsáveis pela percepção da dor.
Para compreender esse mecanismo, imagine a medula espinhal como uma grande via de comunicação entre o corpo e o cérebro. Em determinadas condições, como síndrome pós-laminectomia, síndrome dolorosa regional complexa (SDRC) e algumas formas de dor neuropática, os impulsos dolorosos permanecem ativos de forma contínua. O estimulador de medula espinhal, implantado sob a pele e conectado a eletrodos posicionados próximos à medula, envia impulsos elétricos capazes de modificar essa transmissão, reduzindo a intensidade da dor e favorecendo a recuperação funcional.
A incorporação dessa tecnologia ao SUS representa um avanço importante para a Medicina da Dor, ampliando o acesso a um tratamento já consolidado em centros especializados. Entretanto, é fundamental destacar que essa terapia não é indicada para todos os pacientes com dor crônica. Sua utilização segue critérios clínicos rigorosos, recomendações baseadas em evidências científicas e avaliação realizada por equipes multidisciplinares especializadas.
Além disso, a neuromodulação não elimina a necessidade de um tratamento abrangente. O manejo moderno da dor continua sendo individualizado e pode envolver reabilitação física, atividade física supervisionada, controle dos distúrbios do sono, suporte em saúde mental, tratamento farmacológico, procedimentos intervencionistas e educação do paciente.
A chegada do estimulador de medula espinhal ao SUS reforça a importância de ampliar o acesso a terapias avançadas para pacientes com dor crônica de difícil controle, sempre respeitando critérios de indicação, segurança e Medicina Baseada em Evidências.
Para os médicos que atuam no tratamento da dor, essa conquista representa mais uma ferramenta terapêutica capaz de melhorar a funcionalidade, reduzir o sofrimento e promover uma melhor qualidade de vida aos pacientes.