Sobramid Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor. www.sobramid.org

A mandíbula estala ao abrir a boca? A dor de cabeça aparece no fim do dia? Acorda com o rosto cansado, como se tivesse p...
10/09/2026

A mandíbula estala ao abrir a boca? A dor de cabeça aparece no fim do dia? Acorda com o rosto cansado, como se tivesse passado a noite mastigando?
Esses sinais podem estar relacionados à disfunção temporomandibular (DTM), condição que envolve a articulação temporomandibular e os músculos responsáveis pela mastigação.

O problema não costuma ficar restrito à articulação. Masseter, temporal, pterigoideo medial e pterigoideo lateral podem apresentar sobrecarga. A musculatura cervical, como trapézio e esternocleidomastóideo, também pode participar do quadro.

Sinais frequentes:
🔹 Dor na região anterior à orelha ao mastigar
🔹 Estalos ou travamento da mandíbula
🔹 Dor nas têmporas ao acordar
🔹 Zumbido mesmo com audição preservada
🔹 Desgaste, sensibilidade ou trincas nos dentes

Um dos fatores frequentemente associados é o apertamento dentário, que pode ser influenciado por estresse, sono inadequado e hábitos de tensão durante o dia.

Para o médico que atua com medicina da dor, reconhecer a participação muscular, articular e cervical é fundamental para uma avaliação individualizada da DTM.

Mandíbula, cabeça e pescoço podem estar mais conectados à dor do que parece.

Dor nos testículos que persiste por semanas não deve ser normalizada. Uma revisão científica recente da Faculdade de Med...
08/09/2026

Dor nos testículos que persiste por semanas não deve ser normalizada. Uma revisão científica recente da Faculdade de Medicina da USP, que analisou 61 estudos, aponta uma possibilidade que merece atenção na investigação da dor escrotal crônica: algumas infecções virais também podem estar relacionadas à sensibilização dos nervos da região.

SARS-CoV-2, HIV, herpes, zika e hepatite B foram associados, em diferentes estudos, a processos inflamatórios capazes de provocar alterações nervosas e contribuir para a persistência da dor.

Uma das hipóteses envolve a degeneração Walleriana, processo no qual uma lesão nervosa pode manter alterações na transmissão dos estímulos mesmo após a resolução da inflamação inicial.

Para o médico que atua com dor, o achado reforça um ponto fundamental: diante de dor escrotal crônica sem causa evidente, é importante considerar também possíveis mecanismos neuropáticos.

O exame físico continua indispensável, e exames de imagem devem ser utilizados de acordo com a avaliação clínica.

Dor persistente não deve ser ignorada. Investigar o mecanismo da dor é parte essencial de um tratamento adequado.

Boas notícias na luta contra a dor crônica: pesquisadores da University of Pennsylvania, nos EUA, conseguiram identifica...
02/09/2026

Boas notícias na luta contra a dor crônica: pesquisadores da University of Pennsylvania, nos EUA, conseguiram identificar e mapear o circuito neural exato por meio do qual a morfina proporciona alívio da dor. Essa descoberta pode abrir caminho para uma abordagem totalmente distinta da que é usada hoje em dia.

Em vez de um medicamento agir de forma generalizada sobre o cérebro, a proposta seria concentrar sua ação apenas nas células diretamente envolvidas no sofrimento causado pela dor.

Ainda é prematuro falar em um novo tratamento disponível, mas o estudo representa um passo importante para entender melhor os mecanismos por trás da dor crônica.

A dor crônica vai muito além de um simples sintoma que persiste ao longo do tempo. Em muitos casos, o tecido lesionado já se recuperou completamente, mas o sistema nervoso segue interpretando certos sinais como se o corpo ainda estivesse em perigo.

Esse estado pode comprometer o sono, o humor, o desempenho no trabalho e a qualidade de vida de forma geral, fazendo com que a dor se torne uma condição em si mesma, e não apenas um indício de lesão.

Os opioides seguem sendo importantes em certas situações e precisam ser usados sempre com acompanhamento médico. No entanto, esses fármacos agem sobre receptores espalhados por várias regiões do cérebro, incluindo o sistema de recompensa, o que eleva o risco de dependência.

Foi dentro desse cenário que os cientistas fizeram uma descoberta significativa.
A pesquisa apontou neurônios específicos situados no córtex cingulado anterior, área cerebral associada ao sofrimento gerado pela dor. Com base nisso, a equipe criou uma terapia gênica voltada especificamente para essas células.

Nos te**es feitos em camundongos, essa abordagem reduziu o sofrimento ligado à dor sem gerar os efeitos colaterais típicos dos opioides.
Apesar de a pesquisa ainda estar em fase inicial, os resultados indicam que a ciência continua progredindo na busca por tratamentos mais precisos e seguros contra a dor crônica.

Caso essa técnica apresente resultados parecidos em humanos, ela poderá representar uma virada significativa na forma como a analgesia é pensada: em vez de agir de maneira ampla sobre o cérebro, seria possível direcionar o tratamento exatamente para os circuitos responsáveis pela experiência da dor.

Ainda existe um longo caminho pela frente até que essa descoberta chegue à prática clínica. Mas entender com precisão onde e como a dor é processada pode contribuir para o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais direcionados.

Compartilhe este conteúdo com outros profissionais que também atuam no tratamento da dor.

A Alemanha acaba de autorizar um novo medicamento à base de cannabis para o tratamento da dor lombar crônica com compone...
31/08/2026

A Alemanha acaba de autorizar um novo medicamento à base de cannabis para o tratamento da dor lombar crônica com componente radicular (neuropático). Batizado de Exilby® (VER-01), o medicamento foi desenvolvido pela empresa biofarmacêutica Vertanical e recebeu autorização de comercialização na Alemanha em junho de 2026.

A novidade chama atenção da medicina da dor porque representa uma abordagem diferente dos analgésicos convencionais: trata-se de um medicamento não opioide, padronizado e clinicamente desenvolvido a partir de um extrato de Cannabis sativa.
O Exilby® é produzido a partir da variedade de Cannabis sativa DKJ127, selecionada especificamente para o desenvolvimento farmacêutico. Diferentemente de produtos de cannabis medicinal com composição variável, o medicamento utiliza um extrato de espectro completo padronizado, cuja composição é controlada durante o processo de fabricação.

Entre esses compostos estão canabinoides conhecidos, como THC, CBD e CBN. A proposta é preservar uma combinação específica desses componentes, mantendo características farmacêuticas consistentes entre os lotes.

A autorização concedida na Alemanha é específica para dor lombar crônica, particularmente quando existe um componente radicular ou neuropático. Embora o desenvolvimento do medicamento esteja inserido em um programa mais amplo de pesquisa em dor crônica, não significa que Exilby esteja aprovado para qualquer síndrome dolorosa crônica ou que possa ser considerado um tratamento universal para pacientes com dor.

A própria Vertanical informa que o programa clínico do VER-01 inclui diferentes etapas de investigação, mas a autorização alemã atual está relacionada à dor lombar crônica.

A aprovação do Exilby representa mais um movimento na busca por tratamentos não opioides para a dor crônica, especialmente em um cenário no qual a segurança do uso prolongado de opioides continua sendo uma preocupação relevante.

Mas no Brasil, ainda é necessário acompanhar os processos regulatórios antes de falar em disponibilidade do Exilby.

A aprovação da participação da Sociedade Brasileira de Médicos da Dor na Câmara Técnica de Área de Atuação em Dor do CFM...
26/08/2026

A aprovação da participação da Sociedade Brasileira de Médicos da Dor na Câmara Técnica de Área de Atuação em Dor do CFM representa uma oportunidade de ampliar o diálogo institucional e contribuir tecnicamente para o desenvolvimento da área.

Para a SOBRAMID, estar presente nesses espaços significa defender uma prática médica fundamentada em ciência, ética, qualificação profissional e segurança do paciente.

A medicina da dor avança quando conhecimento científico, experiência clínica e representação institucional caminham juntos.

Acompanhe a SOBRAMID para ficar por dentro das principais discussões, avanços científicos e novidades institucionais da medicina da dor no Brasil.

Um amplo programa de pesquisa publicado pela NIHR Journals Library, com dados de aproximadamente 18 mil pacientes, avali...
24/08/2026

Um amplo programa de pesquisa publicado pela NIHR Journals Library, com dados de aproximadamente 18 mil pacientes, avaliou a acupuntura em condições como dor cervical e lombar, osteoartrite do joelho, cefaleia e enxaqueca.
Os resultados apontaram benefícios na redução da dor quando comparada tanto aos cuidados habituais quanto à acupuntura simulada.

Na prática da medicina da dor, a acupuntura pode ser considerada uma estratégia complementar e individualizada, inclusive em associação a outras abordagens terapêuticas.
🔹 Pode contribuir para a redução da intensidade da dor;
🔹 Pode melhorar função e qualidade de vida;
🔹 Pode reduzir a necessidade de alguns medicamentos em determinados pacientes;
🔹 Pode ser integrada a outras estratégias de tratamento.

O ponto central é: acupuntura não deve ser vista como tratamento isolado ou universal para a dor crônica. A indicação precisa considerar diagnóstico, mecanismo da dor, perfil do paciente e evidências disponíveis.

Para o médico que trata dor, incorporar diferentes estratégias terapêuticas significa ampliar as possibilidades de um cuidado multimodal, individualizado e baseado em evidências.

O tratamento da dor crônica acaba de dar um importante passo no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorpor...
17/08/2026

O tratamento da dor crônica acaba de dar um importante passo no Brasil. O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a incorporar o estimulador de medula espinhal, uma tecnologia reconhecida internacionalmente para pacientes com dor crônica refratária, ou seja, quando medicamentos, fisioterapia e outras abordagens conservadoras não proporcionam alívio satisfatório.

Apesar de muitas pessoas acreditarem que a dor surge exclusivamente no cérebro, ela percorre um caminho complexo até ser percebida. É justamente nesse trajeto que a estimulação medular (Spinal Cord Stimulation – SCS) atua, modulando a transmissão dos sinais dolorosos antes que eles alcancem os centros cerebrais responsáveis pela percepção da dor.

Para compreender esse mecanismo, imagine a medula espinhal como uma grande via de comunicação entre o corpo e o cérebro. Em determinadas condições, como síndrome pós-laminectomia, síndrome dolorosa regional complexa (SDRC) e algumas formas de dor neuropática, os impulsos dolorosos permanecem ativos de forma contínua. O estimulador de medula espinhal, implantado sob a pele e conectado a eletrodos posicionados próximos à medula, envia impulsos elétricos capazes de modificar essa transmissão, reduzindo a intensidade da dor e favorecendo a recuperação funcional.

A incorporação dessa tecnologia ao SUS representa um avanço importante para a Medicina da Dor, ampliando o acesso a um tratamento já consolidado em centros especializados. Entretanto, é fundamental destacar que essa terapia não é indicada para todos os pacientes com dor crônica. Sua utilização segue critérios clínicos rigorosos, recomendações baseadas em evidências científicas e avaliação realizada por equipes multidisciplinares especializadas.

Além disso, a neuromodulação não elimina a necessidade de um tratamento abrangente. O manejo moderno da dor continua sendo individualizado e pode envolver reabilitação física, atividade física supervisionada, controle dos distúrbios do sono, suporte em saúde mental, tratamento farmacológico, procedimentos intervencionistas e educação do paciente.

A chegada do estimulador de medula espinhal ao SUS reforça a importância de ampliar o acesso a terapias avançadas para pacientes com dor crônica de difícil controle, sempre respeitando critérios de indicação, segurança e Medicina Baseada em Evidências.

Para os médicos que atuam no tratamento da dor, essa conquista representa mais uma ferramenta terapêutica capaz de melhorar a funcionalidade, reduzir o sofrimento e promover uma melhor qualidade de vida aos pacientes.

O nervo vago é responsável por equilibrar o sistema nervoso autônomo, modulação da resposta inflamatória e controle dos ...
15/08/2026

O nervo vago é responsável por equilibrar o sistema nervoso autônomo, modulação da resposta inflamatória e controle dos mecanismos relacionados ao estresse.

Conhecido como um dos principais componentes do sistema nervoso parassimpático, ele influencia funções essenciais do organismo e participa da comunicação entre cérebro e diferentes órgãos. Quando sua atividade está comprometida, podem ocorrer alterações na percepção da dor, aumento da inflamação e maior sensibilização do sistema nervoso.

Nesse contexto, técnicas de estimulação do nervo vago, como a neuromodulação não invasiva, a respiração diafragmática e a acupuntura, vêm sendo estudadas como estratégias capazes de modular os circuitos neurais envolvidos na dor. Essas intervenções podem contribuir para reduzir a intensidade e a frequência dos sintomas em pacientes selecionados, sempre como parte de um plano terapêutico individualizado.

A integração entre terapias intervencionistas, reabilitação, manejo do estresse e técnicas de neuromodulação pode favorecer melhores desfechos clínicos, principalmente em condições como dor neuropática, fibromialgia, síndrome dolorosa miofascial e outras doenças de dor persistente.

A relação entre dor crônica nas costas e ganho de peso pode ir além da redução da atividade física. Um estudo recente, p...
13/08/2026

A relação entre dor crônica nas costas e ganho de peso pode ir além da redução da atividade física. Um estudo recente, publicado no Journal of Neurophysiology, identificou alterações em áreas cerebrais responsáveis pelo controle da fome, da saciedade e do comportamento alimentar, trazendo novas perspectivas para a Medicina da Dor.

Os pesquisadores compararam pacientes com dor lombar crônica e indivíduos saudáveis por meio de ressonância magnética funcional durante o consumo de uma bebida altamente palatável. Os resultados mostraram maior ativação da ínsula posterior-dorsal e do córtex somatossensório-motor primário, regiões relacionadas à interocepção e ao controle alimentar. Além disso, observaram redução da atividade do giro angular direito, área envolvida na inibição do desejo por alimentos.

Esses achados sugerem que pacientes com dor crônica podem apresentar alterações cerebrais que dificultam o controle do comportamento alimentar. Diferentemente da hipótese de que o ganho de peso ocorre apenas pela diminuição do movimento, o estudo aponta que a própria dor pode modificar circuitos neurais ligados à alimentação.

Essa evidência reforça a importância de uma abordagem multidisciplinar, considerando não apenas o controle da dor, mas também fatores metabólicos, nutricionais e comportamentais. O manejo adequado pode favorecer a recuperação funcional, melhorar a qualidade de vida e criar condições mais favoráveis para o controle do peso.

A Medicina Regenerativa vem ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes com artrose do quadril, osteonecrose...
11/08/2026

A Medicina Regenerativa vem ampliando as possibilidades terapêuticas para pacientes com artrose do quadril, osteonecrose e tendinopatias, oferecendo abordagens minimamente invasivas que associam inovação, precisão e medicina baseada em evidências.

Entre as principais estratégias estão o Plasma Rico em Plaquetas (PRP), o Aspirado de Medula Óssea (BMA/BMAC) e os derivados do tecido adiposo, como Microfat, Nanofat e Fração Vascular Estromal (SVF). Esses recursos são ricos em fatores de crescimento e células mesenquimais, capazes de estimular os processos naturais de reparo tecidual, reduzir a inflamação, aliviar a dor e favorecer a recuperação da função articular.

As células mesenquimais podem ser obtidas do próprio paciente por meio de uma mini-lipoaspiração, tornando o procedimento autólogo e personalizado. Quando aplicadas com guiamento por ultrassonografia, proporcionam maior precisão na entrega do tratamento diretamente na estrutura lesionada, aumentando a segurança e a eficácia da intervenção.

Em pacientes criteriosamente selecionados, essas terapias podem contribuir para reduzir a dor, recuperar a mobilidade, melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos, retardar ou até evitar procedimentos cirúrgicos mais complexos.

O avanço da Medicina Regenerativa reforça um novo paradigma no tratamento da dor: estimular a capacidade de reparo do próprio organismo com técnicas minimamente invasivas e abordagem multidisciplinar.

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