21/08/2020
Compartilhando Salomão Ximenes:
Os prejuízos são incalculáveis mas ainda não é hora de reabrir escolas. O Datafolha é inconteste, ao contrário da tecnocracia dos protocolos, as pessoas conhecem a realidade das escolas. Analiso este aspecto na matéria de Isabela Nascimento e aqui faço 5 adendos:
1 - Reabrir escolas pressupõe assegurar infraestrutura e isso não é resumível à apresentação midiática e à distribuição de álcool em gel, máscaras etc. Não se assegura isso com doações de parceiros beneméritos. Infraestrutura na escola envolve professores, banheiros e lavatórios, mais pessoal de limpeza e conservação. Nada disto consta nos planos de reabertura de SP e dos demais estados e é também por isso que o é urgente!
2 - Em geral a administração central nem sabe ao certo quantxs professores/as compõem o grupo de maior risco a ser dispensado, essa responsabilidade é hoje repassada às escolas, que terão que equilibrar decisões "de vida ou morte" de um lado e escassez de pessoal de outro.
3 - Que pessoas precisem de escolas para retomar a vida é uma obviedade, mas a pesquisa Datafolha mostra que essa "necessidade" não é maior entre os mais pobres, pelo contrário. Isso desfaz a instrumentalização política da necessidade alheia, uma peça de propaganda da minoria pró-abertura imediata.
4 - Para lidar com a enorme rejeição à reabertura tentam encontrar um meio-termo cínico: o direito de escolha familiar. Além de uma distorção das regras de universalidade e obrigatoriedade escolar, isso é também desresponsabilizar o Estado do dever de proteção à saúde e à vida de todos.
5 - Por fim, as experiências de flexibilização do retorno das escolas - privadas antes das públicas, escolha familiar etc - têm um resultado que é reafirmado no Datafolha: aumento das desigualdades, porque tendem a voltar os mais ricos, aqueles com maior percepção de proteção sanitária.
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23/04/2020
"A consciência da luta feminista chega tarde, muitas vezes. Muitas conhecemos o feminismo pela dor de termos sido vítimas antes mesmo de saber que era importante brigar por autonomia e por direitos. A violência avança e não poupa nenhuma de nós. Casadas, grávidas, mães, solteiras, estudantes, profissionais bem sucedidas, pobres, brancas, pretas, pardas, indígenas, feministas ou não.
A consciência de que estamos vulneráveis por sermos quem somos e vivermos num país que permite, tolera, aceita e até aplaude quem nos violenta é um primeiro e importante passo.
Não nos esqueçamos pelo caminho. Vamos de mãos dadas. Marianas, Dalvas, Cleusas, Marias. Que a consciência do ser mulher, o minismo e a luta por direitos chegue antes que a violência para todas nós"
Feminista, eu? Uma mulher dona do seu corpo é a revolução que precisamos
Pessoas, empresas e organizações com iniciativas transformadoras em Educação, Saúde, Meio Ambiente, Trabalho, Diversidade, Vida Urbana e Gestão Pública.