01/07/2021
MANIFESTO DA ARTICULAÇÃO POVO NA RUA
Quem somos? O que defendemos?
A articulação Povo na Rua envolve partidos e correntes de esquerda, movimentos populares, organizações antifascistas, movimentos do povo negro, movimentos feministas e LGBTQI+, entidades estudantis e sindicatos que tem em comum o entendimento de que é urgente derrubar o neofascista Bolsonaro e seu vice Mourão para salvar o Brasil da pandemia do Covid, da fome, do desemprego e da miséria.
Após pouco mais de um ano de pandemia, já foram registradas mais de 500 mil mortes por Covid. Grande parte dessas mortes não teriam acontecido se Bolsonaro, Mourão, os ministro militares, os latifundiários, o segmento religioso reacionário e os banqueiros não fossem verdadeiros genocidas, que negligenciaram a compra de vacinas, enquanto ofereciam remédios inúteis para essa doença e zombavam das mortes e das orientações sanitárias.
O desemprego atinge 14,4 milhões de trabalhadores brasileiros, o pior número desde 2012. O auxílio emergencial deixou de ser R$ 600,00, valor que já era insuficiente para garantir a sobrevivência das famílias, para ser R$150,00 e, na imensa minoria das situações, R$ 375,00, além de ter sido cortado para milhões de brasileiros e brasileiras necessitados. Não bastasse, 59% das famílias não tem segurança alimentar, pois a carestia, a ausência de emprego e a desigualdade social não permitem.
Bolsonaro não respeita a democracia, fã declarado do torturador e assassino Coronel Brilhante Ustra, adepto de simbologias nazi-fascistas em seu governo, pretende implementar uma nova Ditadura no Brasil, alimenta um discurso de guerra, ameaça o STF, os opositores, persegue os negros, as mulheres, lgbts e tenta criminalizar os ativistas e movimentos sociais. Essa é a política de seu grupo de extrema-direita e ultrarreacionário.
Tudo isso para enriquecer ainda mais os banqueiros, que no seu governo, apenas em 2020, lucraram R$ 61,6 bilhões. De acordo com o Núcleo da Auditória Cidadã da Dívida Pública, os juros e amortizações da dívida contabilizaram R$ 1,3 trilhão, o que alimenta a especulação financeira, os banqueiros e coloca permanentemente a política econômica refém da ciranda financeira.
A rejeição a Bolsonaro bate recordes e o sentimento de indignação toma conta do povo brasileiro. De fato, o seu governo não resolveu nenhum problema do país, pelo contrário, tudo ficou muito pior. O que unifica o conjunto das organizações que integram a articulação do Povo na Rua é a compreensão que derrubar Bolsonaro é uma tarefa inadiável e que só é possível com o povo na rua realizando uma grande pressão social com manifestações massivas, greves gerais e levantes populares.
Tais revoltas populares já ocorreram mesmo em meio a pandemia nos EUA, Equador, Paraguai e agora mesmo na Colômbia. Acreditamos que a vitoriosa manifestação, com mais de 500 mil pessoas no dia 29 de maio e mais de um milhão no dia 19 de junho, revelam que a vontade do povo é ir as ruas e colocar um fim ao governo genocida. Para isso, será fundamental a entrada da classe trabalhadora em cena, com a realização de manifestações também em dias de semana, para que as Centrais sindicais, federações, confederações e sindicatos organizem atrasos de turno, paralisações, movimentos sanitários, operação tartaruga, assembleia nos mesmo dia das manifestações de rua e greves.
Nunca saímos das ruas
As organizações que integram a articulação Povo na Rua são aquelas que participaram ativamente de todas as grandes lutas sociais que foram realizadas no país, com destaque para aquelas que ocuparam as ruas para exigir a derrubada do governo e exigir direitos. Estivemos nas ruas desde o primeiro mês da pandemia realizando campanhas de solidariedade, pois tínhamos a compreensão de que seria negado ao povo o direito ao isolamento social.
Em maio de 2020 realizamos dois panelaços nas favelas e nos preparávamos para realizar manifestações de rua, mesmo durante a pandemia. Nos somamos as manifestações de junho de 2020, protagonizadas pelas organizações antifascistas e composta por movimentos sociais, uma parte dos partidos e correntes de esquerda e movimentos antirracistas que fizeram grandes atos varrendo a extrema-direita que vinha realizando atos defendendo a volta da Ditadura Militar. Enquanto parte da esquerda pedia para ficássemos em casa, enquanto existia uma real ameaça de um autogolpe militar, nós fomos as ruas.
A articulação Povo na Rua esteve nas grandes campanhas de solidariedade promovidas pelos movimentos populares, que de norte a sul do país arrecadaram alimentos para entregar cestas básicas as pessoas, salvando milhares de famílias da fome durante a pandemia.
A articulação Povo na rua também é composta pelas organizações que lutam por moradia, que tiveram um papel decisivo na luta contra os despejos, evitando a ampliação do sofrimento daqueles que ainda não tiveram o direito a casa própria. Construímos a solidariedade entre os trabalhadores, auxiliando os mais pobres em uma grade campanha com a palavra de ordem só o povo salva o povo.
A articulação Povo na Rua também esteve presente na luta dos entregadores de aplicativos. Mobilização que sacudiu o país e desenvolveu novas formas de luta contra a exploração dos patrões e suas novas ferramentas de massacre contra a classe trabalhadora. As organizações revolucionárias foram, sem dúvida, grandes protagonistas no último período e representam a parcela da classe trabalhadora superexplorada pelo capital imperialista.
Nesse mesmo sentido fomos parte das mobilizações da longa greve dos correios, de protestos de trabalhadoras terceirizados por salários (merendeiras e porteiros) e em apoio as greves operarias da Ford e LG. Logicamente fomos parte desses processos sempre buscando atuar em uma ampla unidade de ação com todas as forças, dirigentes e movimentos que defendiam que os protestos tivessem prosseguimento e se unificassem cada vez mais e com uma abrangência nacional.
Os movimentos que compõem a Povo na Rua também atuaram nos atos iniciados no Rio de Janeiro em repúdio a chacina do Jacarezinho, desembocando em um grade ato nacional convocado pela Coalizão Negra no último dia 13 de maio, que foram decisivos para denunciar e enfrentar o racismo e o genocídio contra o povo negro do Brasil, e que sem ele, a gigantesca manifestação popular realizada no dia 29 de maio não seria possível.
O Povo na Rua, com presença forte nas universidades federais e tendo as juventudes comunistas, socialistas e revolucionárias atuando nos DCEs, realizaram uma luta importante no dia 19 de maio contra o corte de verbas das universidades e pelo Fora Bolsonaro. Esta luta se iniciou na UFRJ no Rio de Janeiro e foi protagonizada pelo DCE da UFRJ “Mario Prata” espraiando-se por todo o Brasil.
O 29 de Maio
Não resta dúvidas que o 29 de Maio foi um ato absolutamente vitorioso. A manifestação foi incomparavelmente maior que qualquer ato em apoio ao Bolsonaro. 500 mil pessoas foram às ruas para gritar Fora Bolsonaro e expressar a sua profunda indignação com todos os crimes cometidos por esse desgoverno. O ato foi realizado em 213 cidades do Brasil e em mais 14 cidades do mundo. A manifestação impôs uma dura derrota sobre o bolsonarismo, colocando-o numa grande defensiva nas ruas e nas redes sociais.
O êxito da manifestação foi possível porque o povo não aguenta mais Bolsonaro, há uma disposição de luta contra esse governo em constante ascensão. A palavra de ordem Fora Bolsonaro coesionou a maior parte do povo brasileiro e permitiu uma grande unidade do conjunto das organizações de esquerda.
A iniciativa foi proposta pela Unidade Popular, Partido Comunista Brasileiro, Movimento Esquerda Socialista/PSOL, Associação dos Centros Socialistas, Unidade Comunista Brasileira, Polo Comunista Luis Carlos Prestes, Corrente Socialista dos Trabalhadores, Democracia Corinthiana, Ação Antifascista, Frente Nacional de Lutas e os deputados Glauber Braga, Fernanda Melchiona, Natália Bonavides e Vivi Reis.
Para que a manifestação fosse possível, o esforço desenvolvido pelo conjunto dos partidos que integram a articulação Povo na Rua foi determinante, propondo na primeira semana de maio a realização de uma manifestação no dia 29/05 de caráter amplo e de massas com o povo na rua, que não fosse eleitoreiro e que fosse democrático, onde os caminhões de som fossem coletivos e rateados pelo conjunto das forças sociais.
A proposta ganhou corpo e foi aprovada pela 3ª Plenária de Organização das Lutas Populares, realizada no dia 11 de maio e foi defendida em conjunto com a Central de Movimentos Populares e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, dessa forma avançamos para um poderoso movimento de unidade de amplos setores sociais e políticos, com a unidade configurada na palavra de ordem “FORA BOLSONARO”.
O povo nas ruas até derrubar Bolsonaro
A permanência de Bolsonaro na presidência da República significa a manutenção de uma política genocida. O povo brasileiro não aceita mais tantas mortes, tanto desemprego, fome e miséria.
Para o conjunto das organizações que compõem a articulação Povo na Rua é necessário dar sequência as manifestações pela derrubada do governo que se iniciaram no dia 29 de maio. Para fazer isso é preciso exercitar a democracia popular contra o autoritarismo e a antidemocracia neofascista de Bolsonaro.
Por isso, foi convocada uma Assembleia do Povo na Rua para propor os novos rumos para as próximas manifestações pela derrubada do governo no dia 01 de junho. Essa assembleia popular foi extremamente vitoriosa e contou com a inscrição de mais de 5 mil pessoas, tendo acompanhado a assembleia quase 8 mil. O indicativo de data aprovado para o dia 19 de junho, fortaleceu a luta unificada e felizmente pudemos construir todos juntos a manifestações do último dia 19 de junho, aprovada na IV plenária de organização das lutas populares da campanha unitária “Fora Bolsonaro”.
A manifestação do dia 19 de junho foi extremamente vitoriosa, com mais de 1 milhão de pessoas nas ruas em mais de 400 cidades, a maior manifestação pela derrubada do governo Bolsonaro. Foram mais cidades mobilizadas, com marchas maiores e mais amplas em todos grandes centros urbanos. O país gritou Fora Bolsonaro, com o povo na rua!
Há um verdadeiro clamor popular para que as manifestações pela derrubada de Bolsonaro prossigam. Discutir e decidir com o povo, de forma democrática e participativa, é um dos princípios fundamentais para que essa luta seja consequente e vitoriosa. As ruas são o nosso caminho, seguimos com o poder popular e nos inspiramos nos desejos e na revolta do nosso povo.
Além disso, as assembleias poulares permitem avançar em outro objetivo: batalhar em melhores condições nos setores da classe trabalhadora que ainda não terminaram de romper com o atual presidente (mas já não o defendem) ou se já romperam ainda não se animaram a entrar nas manifestações. É vital, portanto, um trabalho de base que dialogue com a classe trabalhadora nos locais de trabalho e moradia para derrotar de vez esse governo genocida. Queremos construir a mais profunda unidade com as frentes, centrais sindicais e demais organizações sociais com o objetivo de ocupar as ruas do nosso país, sem amarras e sem limites para a luta em curso.
Para salvar o povo brasileiro da pandemia do Covid, por vacinação para toda população, por auxílio emergencial de um salário mínimo até o fim da pandemia, pelo fim do genocídio contra povo negro, pela reestatização das empresas privatizadas, por aumento geral dos salários, auditoria da dívida pública e sua imediata suspensão, o congelamento dos preços dos alimentos e pela derrubada imediata do governo Bolsonaro.
Convidamos todo o povo brasileiro e todas as organizações e movimentos sociais para participarem das próximas Assembleias do Povo na Rua e as manifestações pelo Fora Bolsonaro. Não é possível aceitar o genocídio e a miséria em curso no país. As mobilizações de ruas estão em ascensão e irão colocar o governo Bolsonaro na lata do lixo da história.
Todos e todas as ruas nas próximas manifestações dia 03, 13 e 24 de Julho!
Fora Bolsonaro!
Articulação Povo na Rua pelo Fora Bolsonaro
Unidade Popular – UP
Movimento de Esquerda Socialista – PSOL
Partido Comunista Brasileiro – PCB
Unidade Comunista Brasileira – UCB
Organização Comunista Arma da Crítica
Associação dos Centros Socialistas
Ação Antifascista
União da Juventude Rebelião – UJR
Juntos
Frente Nacional de Lutas – FNL
Movimento Olga Benário
Movimento Luta de Classes – MLC
Trabalhadoras e Trabalhadores na Luta Socialista – TLS
Rede Emancipa de Educação Popular
Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas - MLB
Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores - CST