27/07/2021
um tempo atrás eu assisti a série da Marie Kondo na Netflix (Ordem na Casa), onde ela ajuda as famílias a encontrar a alegria ao destralhar e organizar cômodos - e vidas - bagunçados.
o terceiro episódio é sobre uma família de 4 pessoas: pai, mãe, e dois filhos adolescentes, que haviam se mudado não só de cidade, mas de uma casa de quatro quartos para um apartamento de dois. a bagunça, é claro, se instalou. mas não só pela falta de espaço.
a mãe, que trabalha, se sentia culpada por não conseguir manter a casa em ordem SOZINHA. o filho adolescente admitiu que manda mensagens pra mãe pra saber onde estão as suas coisas. logicamente eu queria entrar pela televisão e sacudir o resto da família. mas a Marie Kondo, que felizmente é muito mais calma do que eu, compreendeu a dinâmica familiar e conseguiu ajudar naquilo que pôde - explicando que, na casa dela, todos são responsáveis pela manutenção e arrumação da casa, e isso faz tudo ficar mais fácil.
o que me levou à seguinte reflexão: ao simplesmente delegar a arrumação e manutenção da casa pra outra pessoa, tão frequentemente a mãe, os outros habitantes estão declarando (embora indiretamente), que a cabeça deles é importante demais pra guardar a informação de onde está meu tênis vermelho, que acabou o orégano, que precisa limpar a cafeteira por dentro todo mês. deixa a mãe lembrar. e me diz, por que está tudo bem em enfiar todo tipo de informação doméstica na cabeça de outra pessoa, e da sua não?
ou eles consideram que informações domésticas não são importantes o suficiente, o que dá no mesmo: a cabeça deles é superior a isso. a sua não.
tá errado. bem errado.
morar junto é dividir o espaço da casa, da cabeça e do coração. não contribuir, não fazer a sua parte, é um sinal de desrespeito com os outros que dividem o teto e a vida contigo.