25/02/2023
Quem cuida de pacientes com choque séptico sabe que a ventilação mecânica prolongada (VMP) é comum entre eles. Nesses pacientes, a persistência de um padrão hiperdinâmico, com aumento do Débito Cardíaco (DC) e queda da Resistência Vascular Periférica (RVP), está associada a maior mortalidade. A Ecocardiografia, por sua vez, vem sendo cada vez mais utilizada para avaliação hemodinâmica no choque séptico, com finalidades diagnóstica e terapêutica. No entanto, seu valor na determinação prognóstica ainda é incerto, e não há estudos relacionando parâmetros ecocardiográficos e a necessidade de VMP.
Neste trabalho observacional prospectivo, estudamos o papel da Ecocardiografia na avaliação hemodinâmica, nas primeiras 24 horas após admissão na UTI, de pacientes em choque séptico, submetidos a intubação orotraqueal com relação à evolução para VMP.
Calculados: DC, Índice Cardíaco (IC) e onda s´, este último apresentando relação inversamente proporcional com a RVP em estudos prévios.Os sinais vitais e valores de lactato arterial registrados na admissão dos pacientes na sala de Emergência foram coletados retrospectivamente. A evolução dos pacientes para VMP foi considerada após um total de 14 dias em VM.
64 pacientes foram incluídos, e 26 preencheram critérios para VMP. Os pacientes que evoluíram com VMP apresentaram valores médios maiores de DC (5.49 vs 4.2 p = 0.IC (2.95 vs 2.34, p = 0,041) e onda s´ (12.56 vs 9.81, p = 0.01), em relação àqueles que foram retirados da VM com sucesso em até 14 dias. Houve também correlação estatisticamente significativa entre o IC e a onda s´ (r = 0.374, p = 0.007).
Assim, concluímos que essa avaliação parece ser capaz de predizer a necessidade de VMP ao longo da internação, demonstrando valor prognóstico. Os pacientes com perfil hiperdinâmico caracterizado por DC, IC e onda s´ aumentados apresentaram maiores chances de VMP.