08/04/2026
O gluconato de cálcio é uma das primeiras medidas no manejo da hipercalemia com alterações eletrocardiográficas — mas é importante entender: ele não reduz o potássio sérico. Seu efeito é cardioprotetor.
🫀 Principais efeitos na hipercalemia:
1. Estabilização da membrana miocárdica
• A hipercalemia reduz o gradiente entre o potencial de repouso e o limiar de despolarização, deixando o miócito mais excitável.
• O cálcio eleva o limiar de excitabilidade, “reestabelecendo” a diferença entre potencial de repouso e limiar.
• Resultado: redução do risco de arritmias malignas (FV, TV, assistolia).
2. Antagonismo dos efeitos do potássio no ECG
• Pode levar à melhora rápida de alterações como:
• Apiculamento de onda T
• Alargamento do QRS
• Desaparecimento da onda P
• Essa melhora pode ocorrer em 1–3 minutos após administração IV.
3. Efeito transitório
• Duração: cerca de 30 a 60 minutos.
• Não trata a causa → precisa ser seguido por medidas que reduzam o potássio (ex: insulina + glicose, beta-agonistas, diuréticos, resina, diálise).
⚠️ Pontos práticos importantes:
• Indicado quando há:
• Alterações no ECG
• K⁺ geralmente ≥ 6,5 mEq/L (ou menor se alterações elétricas)
• Dose habitual:
• Gluconato de cálcio 10%: 10 mL IV lento (2–5 min)
• Pode repetir se não houver melhora no ECG após 5–10 min.
⚠️ Cuidados:
• Evitar extravasamento (risco de necrose tecidual)
• Cautela em pacientes em uso de digitálicos (embora o risco clássico seja hoje questionado)
• Preferir acesso venoso seguro