12/08/2020
Eu tenho poucos arrependimentos na vida.
Um deles, a partir de agora, foi não ter visto mais dona Socorro, a dona e diretora da escola que sem dúvidas me fez querer me tornar professora.
Eu queria encontrá -la, mas tinha medo. Tinha medo de que ela achasse que tinha de me explicar alguma coisa porque a escola fechou. Tinha medo de que meu olhar a incomodasse. Tinha medo de vê-la frágil, como ouvi falar que estava e isso não condizia com a imagem elegante e sempre leve que eu tenho dela, durante anos de estudo na sua escola.
Eu queria ter lhe falado do clesx e de como ele foi o meu mini-Regina Coeli. Eu lhe mandei uma carta- vejam só, virei lá a menina da carta- uma vez quando encontrei sua irmã no salão. Já faz anos. Espero que ela tenha lido.
Eu esbocei com várias outras pessoas que a amam uma homenagem pra ela que foi f**ando para depois e, infelizmente, não mais acontecerá neste plano.
Dona Socorro e o seu sonho de aos 15 anos fundar uma escolinha que virou uma das escolas mais renomadas da cidade foram sempre uma das minhas maiores fontes de inspiração. Só quem estudou ou trabalhou naquele lugar sabe do que eu tô falando.
Foi dona Socorro quem me deu a notícia da carta vencedora que mudou minha vida. Mainha e dona Socorro adoravam conversar. Uma dizia que aprendia muito com a outra e eu quem aprendia mais. Dona Socorro é daqueles espíritos evoluídos, cultos, elegantes do jeito de falar ao jeito de sorrir.
Eu jamais vou esquecer o toque suave da sua mão prendendo a minha como uma maneira de deixar parada una jovem inquieta de 15 anos para conversar. Eu nunca vou esquecer sua benevolência em me manter bolsista tantos anos, em silêncio e sem alarde, quando mainha não conseguiria mais pagar a escola.
Donna Socorro é uma das maiores responsáveis por tudo o que eu possa vir a ser. E eu sei disso diariamente, mas tem momentos que precisamos dizer publicamente.
Foi simbora, dona Socorro. Mas, como todos os grandes mestres, ela nunca irá enquanto tiver uma semente ecoando tudo que ela representa pra tanta gente. Que cada aluno que passar pela minha vida, que cada pessoa que admirar um texto meu ou uma conduta minha, veja um pouco de mainha e de dona Socorro em mim.
Gratidão, dona Socorro, gratidão...
Minhas lágrimas são de amor pela senhora.
Samelly Xavier, a menina da carta