14/04/2023
Se observarmos uma formiga, perceberemos que esta está completa, terminada. A formiga não pode ser mais do que é ser formiga. É plena, sábia e é formiga. Embora isso seja válido para todos os animais, para o ser humano não é assim. Se nos observarmos, se observarmos os humanos, perceberemos que somos muito diferentes e que estamos sempre num caminho evolutivo. Somos o ser que nasce com maiores necessidades, dependente e sem autonomia.
Aos poucos, com os cuidados dos adultos, vamos amadurecendo e moldando-nos, num processo que leva tempo, e que, de certo modo, permanecerá sempre inacabado.
Para o ser humano, chegar a esta terra significa chegar a um mundo de limites, começando pelo próprio corpo. Este corpo que habitamos representa, nos primeiros meses, uma espécie de base: não sabe andar, não sabe falar, e até uma mudança de ritmo, de alimentação ou ambiente pode ter um forte impacto...está à mercê dos cuidados adultos, principalmente do cuidado materno. Com o primeiro grande marco que nos torna seres humanos, alcançamos, a liberdade de dispor das nossas duas mãos livres e, mais tarde, alcançamos a marcha!
Mas o caminho a percorrer ainda é longo, e está apenas a começar. Teremos de aprender a falar e a pensar. O nosso pensamento não é exatamente claro, nem sistemático e muito menos estratégico, para alcançar tudo isso, ainda faltam alguns anos. Alcançaremos a liberdade de pensamento com o apoio adequado dos nossos pais e professores e, como sabemos, esta não é tarefa fácil.
Para alcançar a liberdade temos de conquistar, passo a passo, o nosso próprio ser, para podermos - se tivermos sorte - ter um pensamento claro e individual, para podermos dominar o nosso corpo e o espaço, e para podermos enfrentar as nossas lutas e sentimentos pessoais, para sermos donos de nós mesmos.
A liberdade é uma conquista pessoal, que só acontecerá se nós adultos reconhecermos que as crianças estão apenas a começar o caminho para a alcançar. E será assim se a educação as acompanhar corretamente.
*(Continua nos comentários)*