05/08/2021
Há 11 anos eu entrava no serviço público. Era a realização de um sonho e o começo de uma nova história.
Era hora de sair de casa da minha mãe, em Montes Claros, e mudar para a capital do país. E, pela primeira vez, tive que me virar sozinho.
De Brasília não conhecia nada, só a Esplanada dos Ministérios e o Sudoeste — sudoka para os íntimos. Mas tinha um grande amigo, o , ele foi o maior “culpado” por essa mudança.
O concurso não era top, a remuneração bruta no edital era de R$ 2.222,72. Ao fazer as contas, percebi que era o bastante para me sustentar, nada muito além disso. Tanto que um amigo alertou: “você vai passar fome com esse salário em Brasília”. Era um balde de água fria para minha euforia após minha primeira aprovação.
Ainda assim, eu mudei para Brasília. Tinha um sonho de ocupar um cargo de elite no governo federal e a mudança de cidade era só o primeiro passo para realizá-lo. Já tinha feito uma prova para CGU, na época, sabia que com um pouco mais de esforço seria possível.
Mas o começo não foi fácil, foram vários meses para achar uma moradia. E para ver cada imóvel era uma novela: tinha que pegar um busão ou contar com a boa vontade dos novos amigos para dar uma carona. Obrigado e
Até que achei um imóvel: uma kitnet de 27 m² e semi mobiliada no Sudoeste. E, para primeira noite, peguei um colchão e um cobertor emprestado com Lucas e comprei um jornal.
Na época, não tinha internet, tv ou computador no apê. Então o jornal foi meu companheiro nos primeiros dias.
Ali, deitado no colchão emprestado não imaginava o futuro que me aguardava.
Naquele momento minha preocupação era retomar os estudos e ver minha Preta que estava a 736km de distância.
Há 11 anos eu não sabia, mas dava o primeiro passo para transformar minha vida e da minha família.