06/06/2024
Da série: Poema tirado de um documento da repressão, ou a poética sórdida dos arquivos.
Notícia de 1968 sobre uma manifestação estudantil. Na hemeroteca o jornal está exatamente assim. É como se as letras testemunhassem a dispersão causada pelo gás lacrimogêneo. O jornal produziu assim, de maneira não intencional, quase um poema concreto. Não é um poema concreto com todo rigor, porque a teoria da poesia concreta considera a representação icônica (por exemplo, um poema sobre um gato com o formato de um rabo de gato) uma forma inferior. Mas f**a bem como Poema Concreto Sórdido, aquele poema concreto que é atingido pelas manchas da vida.
23/05/2024
ontem estive no CAPS do Riacho Fundo, centro de atenção psicossocial (a ideia é que seja uma forma mais humanizada de Hospital Psiquiátrico, não sei o que o pessoal do movimento antimanicomial pensa sobre). O lugar foi um Palácio de Veraneio de presidentes durante a Ditadura Militar. Quem mais usou foram o Médici e o Geisel. Tem uma casa impressionante, imensa, estilo anos 1960 mesmo, aquela arquitetura. é quase um segredo, um lugar escondido aqui no DF. O diretor do CAPS me disse que lá circula a seguinte lenda: antes de virar Palácio, o lugar era usado por freiras, quando elas foram expulsas de lá, amaldiçoaram o lugar. Consta que foi lá, entre uísques e churrascos, que se decidiu pela decretação do AI 5. por sinal, me interesso por histórias de terror aqui no DF, lugares mal assombrados e tal. quem souber e puder me dizer, agradeço. sobre o lugar, vai sair uma matéria no correio braziliense semana que vem.
19/05/2024
Da série: Poema tirado de um documento da repressão, ou a poética sórdida dos arquivos.
Não deu pra copiar o texto do documento e ele f**ar legível, então vou colocar o texto nos comentários. É de um Inquérito Policial-Militar sobre movimento estudantil em 1968. O que chama atenção aqui é o ritmo da narrativa. As palavras vão se somando sem fôlego, assumindo uma velocidade que parece reproduzir a velocidade dos acontecimentos. O espaço planejado da W3 é modif**ado por esse ritmo dos acontecimentos, os movimentos inesperados dos manifestantes que rodopiam, os gestos de capoeira, pessoas que aparecem e desaparecem repentinamente, o policial que se vê cercado e é agredido até perder os sentidos. Quem se muda pra Brasília costuma se sentir desorientado, mas é por outros motivos (a pessoa não consegue enxergar as diferenças). Aqui o espaço é modif**ado e toma uma forma para a qual ele não foi planejado, é tudo entrecortado, fragmentado, nebuloso, noturno. Que a escrita do documento segue como se fosse um sismógrafo.
13/05/2024
Da série: Poema tirado de um documento da repressão, ou a poética sórdida dos arquivos.
De documento da Secretaria de Segurança Pública do DF. William Burroughs dizia que as palavras são vírus, elas modif**am o comportamento, a subjetividade de quem as adota. Para a repressão durante a Ditadura Militar, o subversivo era um hospedeiro de palavras perigosas. As palavras eram assim sintomas de uma desordem. É preciso considerar aqui o suporte em que a palavra Revolução é cercada com uma espécie de cordão sanitário. Aqui as palavras não são coisas inertes, são forças ativas. Destinos eram decididos por meio desses documentos. Hoje essa palavra nesse documento parece mais um fóssil, remete a um outro tempo, ao mesmo tempo recente e arcaico, mas há um vestígio de vida ali. Ela caberia numa história natural dos futuros obsoletos da América Latina (desde que obsoleto não seja confundido com descartável).
08/05/2024
Da série Poema tirado de um documento da repressão, ou a poética sórdida dos arquivos. Poética sórdida tal como teorizada por Manuel Bandeira. esse aqui é um documento da Secretaria de Segurança Pública do DF, no período da Ditadura Militar.
07/05/2024
Da série: Poema tirado de um documento da repressão, ou a poética sórdida dos arquivos. (que estou começando aqui e no instagram).
Esse aí é um livro de Estudos de Problemas Brasileiros, o equivalente a Moral e Cívica em nível universitário, na época da Ditadura. Alguém escreveu: “colha um verso no jardim da poesia”; outro veio e comentou: “muito bonito porém não dá para o momento”. O curioso é que todo esse conjunto forma um poema em três camadas, três vozes. Pode-se pensar também que essas vozes se digladiam na consciência de um poeta brasileiro: a ideia de que poesia é uma coisa bonitinha, mas inócua; uma sensação de culpa por escrever versos num país como o Brasil; o fascismo que nos acua de todos os lados.
28/07/2019
Cuidar da estética é coisa de mulherzinha (atenção para o diminutivo), de b***a, de gente menor... Eu abri um salão e apoio mulheres vítimas dos mais diversos tipos de agressão por entretenimento.
No salão, já acolhemos de forma direta, ou melhor, legal, mais de uma vítima de agressão.(ressalva pro terror de ser atendida por um agente educadíssimo, mas nada solidário). Fora o trabalho terapêutico diário exercido no, para muitas, único lugar que se permitem falar de suas questões sem reprovação só por ser um assunto “menor “...
Lá na Von Beauty também não é um mar de lágrimas.rs Rimos muito, nos enfeitamos, falamos bobagem... Mas juntas. O que te faz sorrir não pode ser diminuído (pra deixar claro também sorrimos de nós). Mas ali, naquele espaço, no horário que é seu, literalmente seu, marcado na agenda, as pessoas (maioria mulheres) podem ser o que ela conseguir ser.
E ainda saem todas trabalhadas nos procedimentos estéticos 👑
Novo lançamento Illuminare
Livro Sábado no Templo de Afrodite
Escritora: Marissol Lourenço
Sinopse: O Templo de Afrodite se abre para mais do que simples cuidados estéticos. O pequeno salão de beleza na Zona Leste da cidade de São Paulo, como tantos outros, é o ambiente de confissões e histórias sobre o universo de mulheres comuns, que trazem em si o terrível e o sublime.
Em cada conto, uma mulher é apresentada. Entre escovas e esmaltes, dramas e levezas se revelam,
expondo nuances da complexa alma feminina.
ADQUIRA SEU EXEMPLAR:
Direto com a escritora:
[email protected]
Biografia: Médica Psiquiatra e Analista Junguiana, Marissol Lourenço nasceu na cidade de Santos, litoral do Estado de São Paulo, região portuária de múltiplas histórias. É autora de vários contos em antologias diversas. Atualmente em Brasília-DF, mora com marido, filho adolescente e alguns gatos. Sábado no Templo de Afrodite é o primeiro livro pela Editora
Illuminare.
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Editora Illuminare
Destacando Novos Talentos
08/04/2018
Foi minha primeira eleição
Tinha 16
E toda paixão que fez e que faz as coisas mudarem
Eu fiz campanha
Chorei quando o primeiro diploma dele e de muitos de nós foi de Presidente da República
Uma sem terra foi eleita ministra
Eu sonhei...
E o mundo mudou
Não deixem que sufoquem a força dessa transformação
O mundo mudou
Eu vi
Eu vejo
Jamais dirão que é impossível
E se disserem
Jamais será tão fácil como antes te fazer duvidar
O mundo mudou e eu estava lá
16/03/2018
Quando meu Ivan pergunta sobre alguém que não está mais conosco
Digo que virou estrela
Stephen Hawking
Nasceu estrela
Desmistificou o tempo
Sorriu dos jogos de dados divinos
Saber onde esses vão parar
O resultado do lance
Só o acaso
A incerteza
O vazio
Serão respostas
A estrela dos buracos negros
É um daqueles seres que digo
Surgem de tempos em tempos
Para nos fazer acreditar
Seguir
É duvidar
13/12/2012
Preparando para o filme de amanhã: http://www.amazon.com/Errol-Morris-Art-History-Examination/dp/3838321839
Errol Morris and the Art of History: An Examination of Morris' Documentary Work
The work of documentary director Errol Morris can be approached in a variety of ways as it intersects and engages with many of the major themes of film and television scholarship ? genre, authorship, and historical representation. But while his work exposes debates within film and documentary stu...