30/03/2021
Em 2003, assim que tomei posse no concurso de juíza do TJDFT, o então Presidente da Associação dos Magistrados do Distrito Federal e juiz da vara de execuções penais, George, fez a recepção da minha turma. Foram muitas aulas enriquecedoras, mas ele não deu aula teórica. Ele nos levou à Papuda, o maior presídio do DF e lá nos mostrou celas, conversou com presos que o chamavam de Dr. George e pediam progressão de pena, pediam para ver o processo e diziam que eram inocentes. Alguns mostravam partes do corpo e diziam que precisavam de médico.
Ele parava, conversava com os presos, sabia até dos nomes de alguns. Isso me marcou profundamente. Alguns anos depois, já Desembargador, ele me chamou para coordenar a Escola da Magistratura quando se tornou diretor. Depois, por duas vezes, convidou-me para ser coordenador da Escola de Formação do TJDF. Não havia como dizer não para aquele homem de rosto meigo, sorriso nos lábios e que me chamava de minha filha.
Se teve uma pessoa que sempre apostou em mim, no TJDFT, foi ele. Se teve uma pessoa que sempre me disse sim, até mesmo quando eu quis fazer projetos que ele não concordava, foi ele. Lembro dele dizer algo do tipo: "minha filha, acho uma bobeira, mas se você quer fazer, vamos fazer". Não tem como não chorar, não lembrar desse encanto de ser humano. Eu me sinto um pouquinho órfã.
Mas, assim como um filho quando perde um pai (ainda que no meu caso seja um pai jurídico), eu não deixarei em branco o legado de humanidade que ele sempre me ensinou. E ele viverá para sempre em meu coração.
Descanse em paz, meu querido. Guarda um lugarzinho para mim aí, do lado do Pai, porque sei que o senhor já está com ele. Quero seguir ao seu lado quando eu chegar aí também. Amo o senhor.