29/04/2022
Mudanças climáticas podem desencadear a próxima pandemia.
O agravamento do efeito estufa, o desmatamento e outras formas de depredação ambiental que contribuem para o aumento anormal da temperatura da Terra podem resultar em um cenário caótico na saúde global: as mudanças climáticas podem desencadear a próxima pandemia.
Isso porque as mudanças nas estações, o aquecimento dos desertos e dos pólos sul e norte, e o desmatamento florestal obrigarão que os animais pertencentes a esses habitats se movimentem para locais com grandes populações humanas, e poderão causar a transmissão de novos vírus, como o novo coronavírus que causou a pandemia da covid-19 a partir de dezembro de 2019, na China.
A ligação entre mudança climática e transmissão viral foi analisada e descrita por cientistas da Universidade de Georgetown, em um estudo publicado na revista científica Nature, nesta quinta-feira (28/4). A descoberta dos pesquisadores é que com a migração dos animais para outros lugares, haverá um compartilhamento de “milhares de vírus” com outros mamíferos e, assim, propiciar a transmissão para humanos também.
Para os cientistas, “as mudanças trazem maiores oportunidades para vírus como Ebola ou coronavírus emergirem em novas áreas, tornando-os mais difíceis de rastrear, e, em novos tipos de animais, tornando mais fácil para os vírus passarem de uma espécie ‘degrau’ para humanos”.
Os especialistas explicam que, até então, apenas uma analogia entre mudança de habitat forçada de animais devido ao comércio de vida selvagem propiciaria esse risco.
No entanto, agora, vê-se uma possibilidade muito maior na migração forçada de animais livres para outras regiões geográficas.
“Preocupamo-nos com os mercados porque reunir animais insalubres em combinações não naturais cria oportunidades para esse processo gradual de emergência – como como a SARS pulou de morcegos para civetas (pequenos mamíferos que têm hábitos noturnos e vivem na África e na Ásia), depois civetas para pessoas”, lembrou Colin Carlson, principal autor do estudo e professor assistente de pesquisa no Centro de Ciência e Segurança da Saúde Global do Centro Médico da Universidade de Georgetown.
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