Pedagogia e Vida

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09/12/2024

O real que se apresenta quanto ao cenário de excessivos diagnósticos e a distribuição absurdamente elevada de psicoestimulantes, nos convida a um retorno radical às nossas bases formativas pedagógicas, a saber, freireanas, já há muito esquecidas e reservadas apenas e portanto, equivocadamente a jargões para arremate de apresentações em reuniões de pais e mestres, murais e regalos de mesa nas escolas. 

Paulo Freire, pensador de uma educação para além dos muros das instituições, nos comunica e conclama em sua vasta obra, a pensar e fazer uma educação que não desconsidere a existência. Para ser mais nítida, uma educação que se comprometa com o ser, com a vida e com a libertação dos grupos oprimidos.

Não entendamos aqui o termo libertação como algo que se dará de um grupo para o outro, como se um grupo, detentor de mais conhecimento, fosse responsável por libertar o outro, mas sim um ato revolucionário que ocorre no encontro de consciências, que conscientizando-se no caminho do fazer cultural ou pedagógico dá espaço para os saberes de forma verticalizada e democrática.



13/04/2024

Eles passam a vida inteira ouvindo "NÃOS". "Não faça isso", "Não pode aquilo", "Não seja assim", "Não é certo".

Por isso perdem completamente a referência de tudo e se perdem de si. SE PERDEM DE SI. Crescem sem saber quem são, o que fazer e com uma profunda sensação de incapacidade, inadequação e fracasso.

Eu consigo ver essa DOR. Você consegue?

SERÁ MESMO QUE UM COMPRIMIDO COM EFEITO TEMPORÁRIO É CAPAZ DE CUIDAR DISSO.?

O comprimido traz efeitos paleativos comportamentais, agindo acerca do que a sociedade, a família, a escola e o que mais for esperam que eles sejam. Mas alguém já lhes perguntou quem eles querem ser?

A despeito de seu querer e sua vontade como ser humano, a preocupação é apenas enquadrá-lo em uma suposta normalidade, ou quiçá oferecer um alívio imediato para essa INQUIETUDE ou para esse APAGAMENTO que querem certamente dizer algo.

MAS NINGUÉM NUNCA OS DEIXOU DIZER...

O top 5 das medicações é o caminho mais longo, mas eu mesma já experimentei com muitas crianças e adolescentes o suficiente para saber que é o único caminho para lhes devolver o que realmente precisam: SUA PRÓPRIA VOZ E A COMPREENSÃO E ACEITAÇÃO DE SEU.

11/04/2024

"Já faz uns dias que me sinto extremamente cansada, às vezes explodo sem perceber e prefiro f**ar mais tempo trancada no quarto. Para falar a verdade, eu acordo cedo e vou à escola já querendo minha cama de volta para dormir mais um pouquinho.

Toda minha energia está empenhada em enfrentar um ambiente que me machuca. Não lido bem com ambientes barulhentos e superlotados. Isso é tudo o que uma escola é. Mas eu estou fazendo o esforço de me adequar para terminar logo o fundamental. Meu sonho? Eu ainda consigo sonhar longe, mas antes do céu, parece que arder nesse pequeno inf3rno é preciso.

Às vezes consigo conversar. Até fiz alguns poucos amigos. Mas não são todos que entendem as minhas respostas curtas que parecem grosseiras ou as minhas reações extremas quando comentam sobre assuntos pelos quais tenho uma fixação aparentemente incomum. Perco amigos porque não consigo interagir nesses grupos de whats. Demoro demais pra responder, é quando respondo só consigo me expressar com figurinhas bizarras. A comunicação à distância é um problema para mim.

Então cada dia é um dia. Para se vencer. Para enfrentar o frio na barriga quando as pessoas se aproximam. Para criar estratégias e me sentir motivada a aprender coisas que não me interessam, quando há tantas outras que eu passaria horas e horas a desvendar e me tornaria uma verdadeira expert nelas.

O fato é que sufoca vestir uma roupa que não te cabe. Ninguém consegue sustentar por muito tempo o personagem do set. Pode até agradar aos outros, mas duvido que alguma relação genuína nasça desse tipo de farsa. Acontece que na escola não há muita alternativa: ou você se adequa, ou você sofre... e sofre muito.

Por que eu não posso simplesmente sair chutando a água da chuva, balançando meu guarda-chuvas de bolinhas ou simplesmente pular amarelinhas riscadas no chão das avenidas sem me preocupar com os olhares dos jovens da minha idade? Sem me preocupar se vão me achar louca ou infantil demais?

Parece ter um preço muito alto ser de verdade porque o mundo... ah, o mundo é uma mentira."

(IBS 14 anos)

17/01/2024

A melhor pergunta seria: para quê deveria servir um diagnóstico?

Considerando as intenções da Medicina, o diagnóstico é um caminho útil para encontrar de modo assertivo os melhores caminhos de intervenção e tratamentos, a fim de assegurar a vida.

Mas e quando falamos de Saúde Mental? Quando falamos de questões inerentes à subjetividade, detalhes que não se pode ver ou tocar, a não ser pelo caminho sinuoso do discurso e da observação?

A maioria dos diagnósticos em saúde mental são realizados clinicamente. Não há exames que os comprovem e dêem cabo à angústia do paciente que desesperado se pergunta "o que eu tenho?", naturalmente ansioso por "Eu quero que isso acabe logo" porque "Eu já não suporto mais."

Seria bom se assim fosse. Por isso a indústria farmacêutica não poupa esforços para produzir novas dr**as para tratar com imediatismo cada um dos novos sofrimentos humanos (ou seriam velhos, apenas com nomes e roupas diferentes?).

O diagnóstico em saúde mental também deveria servir-se como um caminho para guiar os tripulantes e o comandante na busca da cura, do equilíbrio, do bem estar nesses altos e baixos do mar da vida (uma metáfora pra dizer que é assim que a vida acontece).

Mas o que vemos? Vemos pessoas rotuladas, algumas até bem orgulhosas disso e enfim, pertencendo a algo. Outras presas à medicações que, caso queiram livrar-se delas por conta própria, só Deus sabe onde o efeito virada vai. Vemos alguns em estado de choque porque não se imaginavam em uma gaveta com uma etiqueta, tendo que reformular toda sua subjetividade. Alguns, encontraram enfim a resposta para perguntas de uma vida inteira e pensam "Agora, sim...". Será?

Não rechaço o diagnóstico. Mas o hiperdiagnóstico existe e está a serviço de uma política de biologização e controle dos seres e dos interesses econômicos de uma indústria que vive às custas dos que acreditam no poder das dr**as milagrosas.

Já disse, e repito: Você não é um diagnóstico! Existem em você capacidades, habilidades, superações, limitações também, e toda uma história de vida que vão além de um mero Cid.

16/01/2024

Quem pegou, pegou. E aí, pegou?

15/01/2024

Mais de miil reais por mês! E sem saúde? Acorda!

Aos 30 anos, você tem uma tristeza meio persistente: prescreve-se FLUOXETINA.
A Fluoxetina dificulta seu sono. Então, prescreve-se CLONAZEPAM, o Rivotril da vida. O Clonazepam o deixa meio bobo ao acordar e reduz sua memória. Volta ao doutor. Ele nota que você aumentou de peso. Aí, prescreve SIBUTRAMINA.

A Sibutramina o faz perder uns quilinhos, mas lhe dá uma taquicardia incômoda. Novo retorno ao doutor. Além da taquicardia, ele nota que você, além da “batedeira” no coração, também está com a pressão alta. Então, prescreve-lhe LOSARTANA e ATENOLOL, este último para reduzir sua taquicardia.

Pode pesar no orçamento. O dinheiro a ser gasto em investimentos e lazer, escorre para o ralo da indústria farmacêutica. Você começa a f**ar nervoso, preocupado e ansioso (apesar da Fluoxetina e do Clonazepam), pois as contas não batem no fim do mês. Começa a sentir dor de estômago e azia. Seu intestino f**a “preso”. Vai a outro doutor. Prescrição: OMEPRAZOL + DOMPERIDONA + LAXANTE “NATURAL”.

Os sintomas somem, mas só os sintomas, apesar da “escangalhação” que virou sua flora intestinal. Outras queixas aparecem. Dentre elas, uma é particularmente perturbadora: aos 37 anos, apenas, você não tem mais libido. Daí vem SILDANAFIL, TADALAFIL, LODENAFIL ou VARDENAFIL. Sua potência melhora, mas, como consequência, esses remédios dão uma tremenda dor de cabeça, palpitação, vermelhidão e coriza. Não há problema, o doutor aumenta a dose do ATENOLOL e passa uma NEOSALDINA, a Neuza.

Quando tudo parecia solucionado, aos 40 anos, você já toma: FLUOXETINA, CLONAZEPAM, LOSARTANA, ATENOLOL, talvez um POLIVITAMÍNICO de A a Z, OMEPRAZOL, DOMPERIDONA, LAXANTE “NATURAL”, SILDENAFIL, VARDENAFIL, LODENAFIL ou TADALAFIL porque sua libido foi pros ares, NEOSALDINA e, não duvido, METFORMINA.

Entretanto, você ainda continua deprimido, cansado e engordando. O doutor, de novo. Troca a Fluoxetina por DULOXETINA, um antidepressivo “mais moderno”.

Vou parar por aqui. É deprimente. Isso não é medicina. Isso não é saúde. IMAGINA ISSO ACONTECENDO COM CRIANÇAS? É... JÁ É!

Invista em medicina preventiva!

Autor desconhecido.

03/01/2024

Sem generalizações, ok? Mas acontece, e nos últimos tempos, mais do que se imagina, espalhando-se como praga, perdão, tal qual moda febril dessas meméticas de tik tok.

O conceito de adolescência é historicamente recente. Se formos parar para avaliar, nossos pais já saíam da infância direto para o mercado de trabalho. Não vou muito longe. Comigo foi assim e eu estou na casa dos 40.

A adolescência é um período mutável conforme o contexto histórico. Até um dia desses ela estava localizada entre os 11 e 19 anos mais ou menos. Hoje? Fala-,se em adolescência até os 24 ou 26 anos de idade.

Vale lembrar também, que o sentido de ser adulto passa não só pelo escopo do biológico, mas também pelo psicológico.

Estudiosos alegam que alguns adultos passam por um processo chamado adolescência tardia. Insistem em permanecer com a idade mental de adolescentes enquanto o tempo passa.

Não desenvolvem inteligência emocional, não conseguem encarar as responsabilidades da vida, procrastinam e negam suas obrigações. São rebeldes, não gostam de regras, falam gírias. (Isso lhes lembra algo? hehehe)

Eu entendo... É preciso viver, se divertir, sentir o dia de hoje. Alguns são mais exasperado.... vestem-se como seus filhos de 15 anos, vão às baladas e tomam todas como se o mundo fosse acabar, fazem quantas plásticas queiram até f**arem irreconhecíveis só para tentar parar o tempo. Ora mas o que tem de mal? Nada. Mas acredite... não dá para se comportar assim pra sempre.

É preciso desenvolver a capacidade de tomar decisões, de cuidar da própria vida, construir um emocional minimamente capaz de lidar com as questões rotineiras. Caso contrário, quando lá no fundo do poço, estará sentado em frente ao psiquiatria com uma sentença diagnóstica em mãos e um receituário bem generoso de remédios para tomar.

TDAH? Border? Bipolar? Talvez sim. Ou não. Ou talvez só fosse preciso decidir assumir a própria vida, sair da casa dos pais, arrumar um trabalho decente pra se sustentar e aceitar que isso é a vida.

Adolescência tem prazo de validade, bb.

Raquel Brito Filósofa e Pedagoga
Psicopedagoga Clínica Especialista em TDAH Mestranda em Educação pela Universidade de Brasília

03/01/2024

Sem generalizações, ok? Mas acontece, e mais do que se imagina nos últimos tempos, tal qual uma moda febril dessas meméticas de tik tok.

O conceito de adolescência é historicamente recente. Se formos parar para avaliar, nossos pais já saíam da infância direto para o mercado de trabalho. Comigo foi assim. A adolescência é um período mutável conforme o contexto histórico.

Vale lembrar que o sentido de ser adulto passa não só pelo escopo do biológico, mas também pelo psicológico.

Até um dia desses a adolescência estava localizada entre os 11 e 19 anos mais ou menos. Hoje? Fala-,se em adolescência até os 24 ou 26 anos de idade.

Estudiosos alegam que alguns adultos passam por um processo chamado adolescência tardia. Insistem em permanecer com a idade mental de adolescentes enquanto o tempo passa. Não desenvolvem inteligência emocional, não conseguem encarar as responsabilidades da vida, procrastinam e negam suas obrigações. São rebeldes, não gostam de regras, falam gírias.

Ora mas o que tem de mal? Nada. Vista
Mas tem problema querer se vestir de forma jovem? Não, o que vestir e como falar só diz respeito ao indivíduo, mas se comportar como adolescente para sempre, é. É que esse indivíduo não desenvolve a maturidade emocional, ou seja, a capacidade de tomar decisões, cuidar da própria vida, refletir e reagir de forma emocionalmente inteligente aos estímulos externos, sem perder o  balanço interno.

31/12/2023

Harry New Year!!!!🎉🎈🎉🙌🏻

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