O Brasil é um país formado pela junção de índios, negros e europeus. Entretanto, ainda hoje, a sociedade brasileira discrimina e nega a participação igualitária entre os afrodescendentes e os demais segmentos sociais. O lugar social atribuído ao africano ao longo da história do Brasil, por meio de uma visão eurocêntrica, parcial, simplista e estereotipada, constitui-se elemento central na construção da segregação racial. Nas teias da história é possível identificar elementos instigadores dos preconceitos da contemporaneidade, como ideologias, desigualdades e estereótipos racistas (BORGES, 2010). Por isso, torna-se importante estudar um pouco da história da África e de seus descendentes na constituição do Brasil para além do olhar eurocêntrico, buscando a partir de uma literatura plural aprofundar e valorizar os conhecimentos acerca da história e da cultura afrodescendente. Estudar a relação África-Brasil permite refletir sobre o lugar social ocupado pelo negro e seus descendentes na sociedade brasileira, onde direitos foram negados e pessoas foram deixadas à margem desse processo enquanto sujeitos ativos (autores). A Lei nº 10.639/03 – que trata da inclusão da História e Cultura Afro‑Brasileira e Africana nos currículos de educação básica – e as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana (Resolução nº 1, de 17 de junho de 2004) vieram para inserir esse debate no seio das escolas como forma de permitir a percepção de que a sociedade brasileira é pluriétnica e multicultural. De acordo com Mortari (2015, p. 18), o conhecimento “possibilita romper e contestar ideologias e preconceitos instituídos na sociedade brasileira”. A educação, enquanto elemento transformador e construtor de ações que combatam a discriminação, permite a reflexão sobre as relações etnorraciais, sociais, culturais e de identidades em prol da cidadania, do fortalecimento das identidades, de uma igualdade em sua diversidade e de uma sociedade mais justa.