05/02/2020
Hoje tem post sobre o Poder do Grupo na Biodanza. E por falar em grupo, dia 2 de março começa um novinho para você! Segunda às 20h. Informações Ameena Jacqueline 61 98114-5224.
Em outro post falei da genialidade de Rolando Toro em criar, com elementos simples, um sistema potente para retomarmos o projeto humano em sua plenitude. Tenho trazido alguns desses elementos na forma de poderes, como aprendemos na Biodanza. Esses elementos são a música, o movimento integrado e pleno de sentido e hoje trago mais um elemento simples, porém com um poder imenso: o grupo.
Não se pode fazer Biodanza sozinho, apesar de em alguns momentos a proposta ser o encontro consigo mesmo, ainda isso se faz no seio nutritivo do grupo. Nós seres humanos somos, por princípio, seres relacionais. Quis assim a inteligência cósmica, diferente de outros animais, dependemos dos cuidados de outros seres humanos para a nossa sobrevivência por alguns anos. Essa dependência é a base dos nossos vínculos afetivos e da nossa distinta capacidade de aprender com as experiências alheias.
O mundo nos chega de forma pura sem intermediações, por muito pouco tempo, logo nossos pais, familiares e educadores vão nomeando para nós o mundo: mamãe, papai, bola, cadeira, menino, menina, bondade, violência. Nos abreviam assim o tempo histórico do desenvolvimento da humanidade nos contornos culturais de cada época, região e valores familiares.
A importância dos grupos e como interferem em nossa identidade são mais visíveis em comunidades pequenas. Nas grandes cidades, em contrapartida, abre-se cotidianamente uma ferida do anonimato, do isolamento, da falta de reconhecimento. Não nos damos conta de como essa ferida é profunda e vai criando uma série de dificuldades sociais, emocionais até somáticas. As relações entre os seres humanos pautadas pela utilidade passam a ser entre sujeito e objeto e não entre dois sujeitos. Quando esvaziamos de humanidade nosso encontro com outro ser humano, esvaziamos a nós mesmos. Acordamos, vamos para o dia e retornamos a casa como uma angústia, um sentimento de algo não vai bem, e trazemos isso muitas vezes desse nosso desperdício humano, dessa coisificação entre pessoas. Isso nunca poderá estar bem, mas normalizamos essa ferida cotidianamente.
Somos indivíduos dentro da espécie, como órgãos dentro de um corpo. Como espécie gregária, o outro é parte de mim, se esvazio o outro, me torno inconsciente de mim mesmo, já que minha identidade se estrutura nas minhas relações.
Na Biodanza o grupo toma esse lugar nutritivo que deveria ser as comunidades, onde cada um é respeitado pelo que é. E o que somos não tem nome, nem profissão, endereço, nada de rótulos, nos relacionamos sem intermédio cognitivo, pois a partir de música e movimentos. Dançar sem saber o nome, o que faz, o que pensa quem me dá a mão, pode me fazer conhecer verdadeiramente o outro e assim também me faço ser conhecido. Nesses espaço sagrado e enriquecido do GRUPO renascemos, voltamos a ser como aquele primeiro encontro entre nós e o mundo, apenas olhar e movimento puro.
A Biodanza está na Cuba Alquímica, nos convidando, ao mesmo tempo em que deixamos para trás aquilo que não somos, a descobrir quem somos a partir de um grupo humano real.
Na Cuba Alquímica ou em grupos regulares de Biodanza, venha voltar a se sentir parte da comunidade humana.
As vagas para a palestra de lançamento da Cuba Alquímica 2020 já estão quase preenchidas. Corre lá no site e garanta sua participação: www.jacquelinegagliardi.com/eventos.
A aula aberta de inauguração do novo grupo regular de Biodanza, do dia 2 de março, também já está com as inscrições abertas no mesmo site.
*