27/11/2022
A coordenação do Prêmio Industria Nacional Marcantonio Vilaça se solidariza aos familiares e amigos pela perda tão precoce da nossa querida e incrível artista Rochelle Costi ! RIP 💔💔💔
Morre Rochelle Costi, artista visual que reinventou a fotografia com escala insólita
Autora que já participou da Bienal de São Paulo foi vítima de um atropelamento na tarde deste sábado na capital paulista
03/11/2020
Após longos meses de espera, hoje iniciamos a etapa de itinerância da 7ª edição do Prêmio!
A exposição com trabalhos dos artistas Aline Motta, Dalton Paula, Dora Longo Bahia, Ismael Monticelli e Rodrigo Bueno, e da artista homenageada Anna Bella Geiger, abre hoje ao meio dia no Palácio das Artes, em Belo Horizonte.
A abertura da instituição segue todas as recomendações e protocolos para recebê-los com toda a segurança necessária nesse momento.
Esperamos sua visita!
27/08/2020
"Meu foco é sempre o Brasil, o subdesenvolvimento, a busca pela emancipação, mas ao mesmo tempo é preciso ser irônico."
A obra ""Corpo Político"" de Ismael Monticelli tem como ponto de partida a pesquisa e criação de um arquivo de camisetas-manifesto que continham palavras e frases que expressam desde pensamentos coletivos, públicos e críticos, até questões individuais, subjetivas e irônicas relativas a seus tempos de diversos tempos da história brasileira.
A partir da observação dos diversos modos de posicionamento que essas camisetas carregam, foram elaboradas 10 camisetas-manifesto. Para isso, foram pesquisadas entrevistas com 10 artistas brasileiros cujas obras são, frequentemente, enquadradas sob o rótulo “arte-política”. Uma delas é Anna Bella Geiger, na imagem, junto de Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Augusto de Campos, Bené Fonteles, Claudia Andujar, Cildo Meireles, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Regina Vater. Os artistas elencados também têm em comum o fato de terem atravessado a ditadura militar brasileira e enfrentando as limitações impostas pela censura ao criar outras formas, meios e espaços artísticos para desenvolver um corpo de trabalhos, sem alienar-se da conjuntura política do momento.
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10/08/2020
Idealizador do ateliê Mata Adentro, um espaço vivencial com materiais recuperados, plantas de várias espécies, objetos afetivos e sagrados que dialogam com suas pinturas, desenhos, montagens e ambientações, Rodrigo Bueno desenvolve obras em sua maioria tridimensionais, vivas e imersivas.
Sem propor uma leitura romântica, suas obras nos convidam a uma jornada que, como o próprio artista defende, honra o nosso passado coletivo, naquilo que o marcou como potência, na valorização da resiliência como força da nossa existência.
📸 Bené Fonteles
05/08/2020
Em 'Irmã de São Cosme e São Damião' pratos de cerâmica estão dispostos no chão e carregam pinturas de corpos negros de homens, mulheres e crianças em diversas situações. Há vendedores ambulantes, amas de leite, policiais, os próprios santos e sua suposta irmã, além de uma criança indígena. Os pratos são, na verdade, alguidares, vasilhames utilizados por religiões de matriz africana.
Tradicionalmente brancos, os santos curandeiros ganham corpos negros. Segundo o artista Dalton Paula, “Na maioria das vezes, quando aparece um corpo negro nessas representações, ele está na condição de escravizado. As questões religiosas ou intelectuais, quando aparecem, são contadas de forma caricata. Esse trabalho é uma forma de contar a história e dar a esses corpos uma escolha que não seja a de lugares pré-determinados.”
As correlações entre passado e presente também são fundamentais. Os pequenos vendedores ambulantes, comuns nas representações do Brasil colonial, nunca deixaram de ocupar as ruas do país e hoje remetem ao trabalho infantil. As amas de leite aparecem com os filhos no colo e Dalton reflete sobre quantas delas deixaram seus rebentos para trás para cuidar das crianças dos patrões. Até mesmo os policiais têm como referência os dias de hoje. O artista lembra que, em Brasília, as duplas da Polícia Militar responsáveis pela vigilância nos comércios das entrequadras são conhecidas como Cosme e Damião.
30/07/2020
A série Fuga, de Dora Longo Bahia, propõe uma reflexão sobre a interferência dos EUA nos governos da América do Sul.
As seis pinturas abstratas da terceira série apresentam de forma velada, através de um aplicativo para realidade aumentada, um retrato de uma mulher. Cada uma delas é originária de um dos países envolvidos na Operação Condor, a saber, Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil.
O título de cada uma das pinturas – Liliana, Nalvia, María Claudia, Apolonia, Domitila e Alceri Maria – corresponde ao nome de uma mulher perseguida, torturada ou assassinada pela ditadura militar de seu país de origem.
Liliana, na imagem, trata da Argentina. Um golpe de Estado no país em 1976 iniciou a ditadura militar comandada pelo general Jorge Rafael Videla, conhecida como Processo Nacional de Reorganização, que resultou no desaparecimento de cerca de 30 mil pessoas. Tanto o golpe quanto o regime autoritário que o seguiu foram avidamente endossados e apoiados pelo governo dos EUA. O Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, fez pelo menos uma visita oficial à Argentina durante o governo de Videla, mostrando-se conivente com seus crimes, que incluíam prisões extrajudiciais, execuções em massa, tortura, estupro, desaparecimento de presos políticos e dissidentes, além do sequestro de filhos de mulheres encarceradas por razões políticas ou engravidadas por estupro contínuo dos carcereiros.
Em nossa itinerância será possível baixar o aplicativo e observar as imagens por trás de cada pintura.
28/07/2020
O projeto "Corpo Estranho", parte de nossa itinerância, foi idealizado por Ismael Monticelli a partir de uma situação vivida pelo seu avô na década de 1960.
Ele e seu irmão foram acusados de assasinato, e com o intuito de forjar uma confissão, seu avô sofreu diversas violências policiais - tentativas de afogamento, agressões físicas e ameaças de morte. Após o encerramento do caso começou um lento processo de perda da visão e da audição do avô do artista, que terminou a vida completamente cego e surdo.
Composto por 25 pinturas de paisagem de artistas anônimos e imagens do avô de Ismael, cada fotografia acompanha parte da história, que é escrita pelo artista diretamente sobre a parede.
📸 Divulgação do artista: www.ismaelmonticelli.com.br
10/07/2020
Rodrigo Bueno manipula em suas produções a memória ancestral em sua vitalidade e presença nas paisagens reais e simbólicas, recuperadas ao contemporâneo pela força das histórias vividas ou celebradas.
Das pinturas decorativas que marcaram o início da sua trajetória às instalações que vem desenvolvendo atualmente, a partir inclusive da experiência do seu Ateliê Mata Adentro, o artista constrói ambientes em que a experiência nos impele a recuperação de valores culturais e ancestrais compartilhados. Sem propor uma leitura romântica, suas obras nos convidam a uma jornada que, como o próprio artista defende, honra o nosso passado coletivo, naquilo que o marcou como potência, na valorização da resiliência como força da nossa existência.
Na foto vemos a obra “Gira d’Ossanha”, apresentada durante a exposição dos finalistas ao Prêmio realizada em 2019, em São Paulo. Nela Rodrigo Bueno articula a escultura “Rebento Estrela” com balangandãs vivos, cordas, vasos e plantas. Na exibição a obra gira ao toque manual e é ativada ao som da saudação ao Orixá das folhas: “Ewé Ô! Ewé Ô!”. Em sua materialidade o artista se apropria de elementos cotidianos, incluindo os gradis utilizados como artefatos de segurança, marcados como um limite concreto entre o interior e o exterior, e os reconstrói e articula a elementos naturais, buscando construir novas fronteira e, novos diálogos.
Ph: Éverton Ballardin
08/07/2020
Dalton Paula faz, em suas produções, uma apropriação da estética negra a partir de um olhar antropológico, referenciando elementos de culto, elementos ritualísticos e situações da cultura negra em diálogo com o imaginário popular, construindo um repertório específico contaminado pelo nosso processo de colonização e escravização.
O artista propõe refletir, a partir do seu corpo ora silenciado, ora hiperexpressivo, sobre o medo, a efemeridade, o individualismo e a alteridade, materializando suas produções a partir da apropriação particular de diferentes suportes e técnicas. Na obra em grande formato 'Enfia a Faca na Bananeira', as armas são apresentadas como o vestígio de uma violência invisível, que ronda vários de seus trabalhos.
Nas imagens, detalhes da obra que integrou a exposição dos artistas finalistas ao Prêmio, em São Paulo.
Ph: Éverton Ballardin
06/07/2020
Dora Longo Bahia é uma artista que atua a partir da construção de narrativas visuais, nas quais articula diferentes suportes, técnicas e linguagens, seja pelas múltiplas e diversas camadas simbólicas que suas obras materializam ou pelas quais são infectadas e contagiadas.
Suas pesquisas têm a violência e as muitas formas de opressão como centralidade, e as reflete e enfrenta como estratégia política, além de propor o debate sobre os limites entre a atuação artística e o posicionamento crítico. Nas obras da série "Choque" a artista joga com as materialidades e seus sentidos, a partir de imagem e títulos capturados, buscando questionar as instituições de poder e seus métodos para suprimir forças resistentes.
Nas imagens, uma das obras da série, apresentada durante a exposição dos finalistas ao Prêmio, em São Paulo.
Ph: Éverton Ballardin
03/07/2020
Tendo como objeto de pesquisa e reflexão os contextos que o envolvem, Ismael Monticelli manipula e experimenta novas narrativas gráficas, textuais, materiais e simbólicas, a partir de elementos que "escava", encontra ou ilumina nestes cotidianos, hora vividos, hora eventualmente visitados, no tempo ou nos espaços que ocupa.
Segundo o artista a obra "Corpo Político" tem como ponto de partida a pesquisa e criação de um arquivo de camisetas-manifesto com palavras e frases que expressam desde pensamentos coletivos, públicos e críticos, até questões individuais, subjetivas e irônicas relativas a seus tempos em diversos momentos da história brasileira.
A partir da observação dos diversos modos de posicionamento que as camisetas desse acervo carregam Ismael desenvolveu as peças da série, que tiveram como insumo entrevistas com 10 artistas brasileiros cujas obras são frequentemente enquadradas sob o rótulo “arte-política”. Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Artur Barrio, Augusto de Campos, Bené Fonteles, Claudia Andujar, Cildo Meireles, Paulo Bruscky, Regina Silveira e Regina Vater têm ainda em comum a experiência da ditadura militar brasileira e as limitações impostas pela censura.
Dessa forma, as camisetas apresentadas na exposição de abertura desta edição, no Museu da Arte Brasileira em 2019, reconstroem e apresentam graficamente pensamentos sobre arte-política que estão presentes nas narrativas desses artistas.
Ph: Éverton Ballardin
02/07/2020
Partindo de uma investigação em busca da sua própria história, Aline Motta estabelece um percurso no qual vai construindo espaços e vazios, silêncios e imagens, que propiciam uma reflexão intima sobre temas e atitudes que nos afetam e implicam na busca por novas existências no âmbito coletivo.
Com uma produção que tem por objetivo propiciar um mergulho nessas vivências, a itinerância do prêmio conta com a videoinstalação "Pontes sobre abismo".
Segundo Helio Menezes, antropólogo e crítico que acompanha a artista nesta etapa da premiação, a obra envolve "relatos de história oral, alguma documentação, arquivos familiares e exames de DNA (que) recriam laços afro-atlânticos de parentesco, numa rota invertida do tráfico negreiro: da cidade de Vassouras, no Rio de Janeiro, em direção a Serra Leoa, na África.
Ph: Aline Motta