03/09/2026
O Congresso FIESP de Segurança Pública reuniu, em São Paulo, experiências nacionais e internacionais sobre crime organizado, controle territorial, sistema prisional, economia, tecnologia e capacidade estatal.
Entre tantas discussões possíveis, escolhi quatro temas para desenvolver com mais profundidade no IBRALC.
O primeiro nasceu da exposição de Gustavo Villatoro sobre El Salvador e da análise posterior de Lincoln Gakiya. A pergunta é central para o debate brasileiro: quando um modelo de segurança apresenta resultados expressivos em outro país, o que realmente precisa ser transportado junto com ele? Escala, custos, sistema prisional, regras jurídicas e capacidade institucional fazem parte do que Gakiya chamou de “o pacote todo”.
A segunda leitura parte da conferência de Giovanni Tartaglia Polcini sobre a experiência italiana contra as máfias. Corrupção, lavagem de dinheiro, economia formal e prisões mostram como organizações criminosas estabelecem relações que lhes entregam acesso, proteção, recursos e comando. A partir daí, avançamos da ideia de fissura para a análise dos acoplamentos que sustentam capacidades criminosas.
A terceira discussão surgiu da exposição de Emerson Kapaz. Setores econômicos convivem diariamente com preços, fornecedores, rotas, fraudes e alterações operacionais. Esse conhecimento pode ajudar autoridades a perceber mais cedo mudanças na atuação do crime organizado e ampliar a inteligência econômico-setorial.
Por fim, Pery Shikida, Roberto Motta e Filipe Regueira permitiram retomar a decisão criminosa. Custos e punições importam, mas desejos, vínculos, coerção, pertencimento e oportunidades também influenciam a entrada, a permanência e a saída de redes criminosas.
As quatro leituras seguem caminhos diferentes, mas convergem para uma questão comum: quais capacidades sustentam o crime organizado e onde uma intervenção pública pode produzir maior efeito?
Reuni os quatro artigos e os principais participantes do congresso em uma matéria de síntese:
👉 Congresso FIESP de Segurança Pública: quatro leituras para avançar
Congresso FIESP de Segurança Pública: quatro leituras conectam crime organizado, decisões, infiltração e capacidade estatal.