Fabiana Gauy

Fabiana Gauy Divulgação sobre cursos e assuntos com o tema de saúde mental infanto-juvenil e de adultos, e tratamentos baseados em evidências para profissionais da área.

Protocolo e formulação não são opostos. Mas a forma como você usa o protocolo depende da formulação.Quando a técnica é a...
03/08/2026

Protocolo e formulação não são opostos. Mas a forma como você usa o protocolo depende da formulação.

Quando a técnica é aplicada sem conceitualização, ela pode funcionar — ou não. E quando não funciona, é difícil saber por quê.

Quando parte da formulação, você tem uma hipótese clínica. E hipótese permite observar, ajustar e aprender com cada caso.

Essa distinção aparece muito nas supervisões: o terapeuta que sabe o que fazer, mas não consegue explicar por que aquela intervenção faz sentido para aquele paciente específico.

Referencia: Beck, J. S. (2021). Cognitive Behavior Therapy: Basics and Beyond (3rd ed.). Guilford Press.

31/07/2026

A lista de problemas e a lista de metas de tratamento não são a mesma coisa.

O paciente chega com os problemas. As metas precisam ser construídas juntos, a partir do que é importante para aquela pessoa, do que mudaria concretamente em sua vida e do que faz sentido como objetivo de tratamento.

Quando essa conversão não acontece, a terapia pode se manter importante em conteúdo, mas sem direção suficientemente clara. E sem direção, o paciente pode se sentir frustrado, desmotivado ou parar de vir.

No vídeo, mostro como essa construção acontece na prática, com exemplos do atendimento de adultos e de crianças e adolescentes.

Psi, você tem feito essa construção junto com o seu paciente?

Quando você passa horas em conversas com supervisores de outros países, uma coisa f**a clara: as perguntas são as mesmas...
29/07/2026

Quando você passa horas em conversas com supervisores de outros países, uma coisa f**a clara: as perguntas são as mesmas em todo o mundo.

Como ajudamos uma psicóloga a pensar o caso, e não apenas a resolver o sintoma? Como criamos espaços onde o erro é parte do aprendizado, e não fonte de vergonha?

Trouxe muita coisa do IICCS para o meu trabalho. A principal foi a confirmação de algo que já acreditava: supervisão de qualidade não acelera a resposta. Ela aprofunda a pergunta.

E para você, o que diferencia uma boa supervisão de uma ruim? Me conta nos comentários.

Referência: Padesky, C. A. (1996). Developing cognitive therapist competency: Teaching and supervision models. In P. M. Salkovskis (Ed.), Frontiers of Cognitive Therapy. Guilford Press.

Nas últimas semanas compartilhei aqui como funcionam meus grupos, o que muda depois de 10 encontros de supervisão, e por...
27/07/2026

Nas últimas semanas compartilhei aqui como funcionam meus grupos, o que muda depois de 10 encontros de supervisão, e por que o formato em grupo faz diferença.

Se você acompanhou e ficou com o assunto em mente, esse é o momento.

As vagas estão se encerrando hoje.
Essa é hora de garantir sua vaga.

Seis meses de supervisão clínica não transformam você em outro profissional. Mas mudam, de forma concreta, como você est...
24/07/2026

Seis meses de supervisão clínica não transformam você em outro profissional. Mas mudam, de forma concreta, como você está dentro do consultório.

Essas são coisas que ouço de psicólogos que participaram dos meus grupos. Não é promessa. É o que acontece quando existe um espaço seguro para pensar a prática com consistência.

Se você conhece um Psi que está nesse momento da carreira, compartilhe com ele.

E se você tem interesse em participar dos meus grupos de supervisão, me envie uma mensagem.

Ontem compartilhei aqui o que eu diria para a Fabiana que estava começando.E o que eu diria para a Fabiana de agora?Prov...
17/07/2026

Ontem compartilhei aqui o que eu diria para a Fabiana que estava começando.
E o que eu diria para a Fabiana de agora?

Provavelmente isso.

Estudar, supervisionar, continuar se desenvolvendo, não é fraqueza. Não é sinal de que você ainda não é boa o suficiente.

É o compromisso mais honesto que uma clínica pode ter com os seus pacientes.

E você? Como tem cuidado do seu desenvolvimento clínico?

Se supervisão estiver nos seus planos, estou fechando as ÚLTIMAS vagas para os meus próximos grupos de supervisão. Me manda uma mensagem aqui.

Se eu voltar no tempo o que eu gostaria de falar para mim mesma ...Você não precisa saber tudo!No começo, vai parecer qu...
16/07/2026

Se eu voltar no tempo o que eu gostaria de falar para mim mesma ...

Você não precisa saber tudo!

No começo, vai parecer que ser uma boa terapeuta é acolher e validar o paciente, ter respostas rápidas para as suas dúvidas e para as dúvidas dele, dominar todas as técnicas e nunca se sentir insegura diante de um caso difícil.

Vai parecer também que a boa terapeuta é aquela que sempre tem ótimos resultados, que nunca perde um paciente, que está sempre disponível, sempre segura, sempre disposta.

Mas, com o tempo, você vai entender que acolher é fundamental, mas não basta.
Que validar é importante, mas não substitui formulação.

Que técnica é necessária, mas técnica sem pensamento clínico vira aplicação mecânica. Que segurança não signif**a ausência de dúvida, mas capacidade de refletir sobre o porquê da dúvida sem se paralisar.

Você vai aprender que alguns pacientes vão melhorar, outros vão demorar mais, alguns vão interromper o processo, e isso isoladamente não define a sua competência.

Eu diria para a Fabiana do início: não confunda disponibilidade infinita com compromisso clínico.

Não confunda insegurança com incompetência. Não confunda vínculo com falta de direção. E não confunda experiência com parar de estudar.

A terapeuta que você vai se tornar NÃO será aquela que nunca erra, nunca duvida ou nunca se cansa. Será aquela que aprende a pensar melhor, escutar melhor, formular melhor, supervisionar melhor e cuidar melhor — dos pacientes, dos alunos, dos supervisionandos e também de si mesma.

Depois de 34 anos como psicóloga, eu diria com convicção:

A boa terapeuta não é a que sabe tudo.
É a que continua aproveitando todas as oportunidades para aprender mais a cada dia.

E você? O que falaria para você do passado?

Complementando o tema IA que foi foco daqui na semana passada, quero compartilhar informações sobre o guia que a APA pub...
15/07/2026

Complementando o tema IA que foi foco daqui na semana passada, quero compartilhar informações sobre o guia que a APA publicou em junho de 2026, voltado ao público geral sobre como usar IA de forma segura para saúde mental.

Seus pacientes podem estar lendo. Ou talvez devessem estar.

Esse carrossel traz os pontos principais do guia, não para que você repasse um a um na sessão, mas para que você conheça o que existe de orientação baseada em evidência sobre esse tema.

Quanto mais informado você está sobre o que seus pacientes encontram quando buscam IA, mais qualif**ada f**a a conversa clínica.

Comente EU QUERO para receber o Guia da APA.

Referência: American Psychological Association. (2026). APA Guide to Navigating AI-Generated Advice Thoughtfully and Safely.

Eu uso IA no meu trabalho. Uso para organizar apresentações, estruturar ideias, pensar roteiros, revisar caminhos possív...
10/07/2026

Eu uso IA no meu trabalho. Uso para organizar apresentações, estruturar ideias, pensar roteiros, revisar caminhos possíveis.

Mas, na psicoterapia, existe um conjunto de informações que a IA simplesmente não acessa.
Não porque ela ainda não seja sofisticada o suficiente.

Mas porque parte essencial do trabalho clínico não está apenas nas palavras.
Está no corpo.
No silêncio.
Na mudança de tom.
No atraso diferente daquele dia.
No olhar que evita.
Na frase dita como se fosse banal, em um tom que muda completamente a direção da sessão.
A IA responde ao que é dito.

O terapeuta responde ao que está acontecendo.
E isso faz diferença.

Porque o paciente não chega apenas com conteúdo. Ele chega com história, contexto, vínculos, padrões, ambiguidades, defesas, contradições e sinais que nem sempre sabe nomear.

Às vezes, o ponto clínico mais importante não está na pergunta que ele faria a um chatbot.
Está justamente no que ele não conseguiu perguntar.

Este não é um argumento contra a IA.
É um argumento a favor daquilo que é insubstituível no trabalho clínico: presença, formulação, responsabilidade, escuta treinada e capacidade de sustentar o que ainda não está organizado em linguagem.

Esse carrossel encerra a semana que dediquei a esse tema aqui no perfil.

Se você perdeu os outros dois posts, vale voltar no feed.

Compartilha com algum Psi que também precisa pensar sobre essa conversa.

Referência: Abrams, Z. (2026). Discussing AI use in therapy. Monitor on Psychology. American Psychological Association.

Esse dado vem de uma pesquisa da APA publicada em 2026, com 1.242 psicólogos licenciados nos Estados Unidos.E os números...
08/07/2026

Esse dado vem de uma pesquisa da APA publicada em 2026, com 1.242 psicólogos licenciados nos Estados Unidos.

E os números chamam atenção.

77% dos psicólogos relataram que seus pacientes já falaram sobre o uso de IA em sessão.

E esse uso não aparece apenas como curiosidade tecnológica. Além de relatos envolvendo diversão, amizade e até relações afetivas ou íntimas, os pacientes têm usado IA para:

• autodiagnóstico: 39%
• autodisciplina, afirmações ou lembretes comportamentais: 34%
• apoio à terapia ou ao tratamento: 33%

Além disso, 35% dos psicólogos relataram que seus pacientes têm usado IA como uma ajuda profissional adicional em saúde mental. E tal algum tipo de efeito.

Entre os efeitos positivos, apareceram relatos de pacientes que se sentiram mais à vontade para falar sobre saúde mental com um chatbot, sentiram-se apoiados ou validados, tiveram comunicações positivas e usaram a IA para reforçar estratégias saudáveis de enfrentamento.

Mas também surgiram efeitos preocupantes: dependência do chatbot, comunicações pouco saudáveis e, em alguns casos, pensamentos distorcidos relacionados à interação com a IA.

Do ponto de vista clínico, o motivo da busca por essa interação — e seus efeitos — não são detalhes secundários. São dados clínicos.

Porque, quando um paciente leva suas dúvidas, emoções, inseguranças e decisões para uma IA, antes — ou no lugar — de levá-las para a sessão, isso nos convoca à reflexão.

Não para desqualif**ar o uso, nem demonizar a tecnologia. Mas para compreender que função ela está ocupando na vida psíquica, relacional e terapêutica daquele paciente.

O que esse uso diz sobre o paciente, sobre suas necessidades, sobre o processo psicoterápico?
E como você, terapeuta, pode trazer para dentro da terapia aquilo que está acontecendo fora dela?

E você? O que tem observado sobre o uso de IA na sua prática clínica?
Conta aqui nos comentários.

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