16/07/2026
Se eu voltar no tempo o que eu gostaria de falar para mim mesma ...
Você não precisa saber tudo!
No começo, vai parecer que ser uma boa terapeuta é acolher e validar o paciente, ter respostas rápidas para as suas dúvidas e para as dúvidas dele, dominar todas as técnicas e nunca se sentir insegura diante de um caso difícil.
Vai parecer também que a boa terapeuta é aquela que sempre tem ótimos resultados, que nunca perde um paciente, que está sempre disponível, sempre segura, sempre disposta.
Mas, com o tempo, você vai entender que acolher é fundamental, mas não basta.
Que validar é importante, mas não substitui formulação.
Que técnica é necessária, mas técnica sem pensamento clínico vira aplicação mecânica. Que segurança não signif**a ausência de dúvida, mas capacidade de refletir sobre o porquê da dúvida sem se paralisar.
Você vai aprender que alguns pacientes vão melhorar, outros vão demorar mais, alguns vão interromper o processo, e isso isoladamente não define a sua competência.
Eu diria para a Fabiana do início: não confunda disponibilidade infinita com compromisso clínico.
Não confunda insegurança com incompetência. Não confunda vínculo com falta de direção. E não confunda experiência com parar de estudar.
A terapeuta que você vai se tornar NÃO será aquela que nunca erra, nunca duvida ou nunca se cansa. Será aquela que aprende a pensar melhor, escutar melhor, formular melhor, supervisionar melhor e cuidar melhor — dos pacientes, dos alunos, dos supervisionandos e também de si mesma.
Depois de 34 anos como psicóloga, eu diria com convicção:
A boa terapeuta não é a que sabe tudo.
É a que continua aproveitando todas as oportunidades para aprender mais a cada dia.
E você? O que falaria para você do passado?