Fabiana Gauy

Fabiana Gauy

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Divulgação sobre cursos e assuntos com o tema de saúde mental infanto-juvenil e de adultos, e tratamentos baseados em evidências para profissionais da área.

20/03/2026

Há uma diferença importante entre as duas coisas — e ela não tem a ver com quantidade de experiência acumulada.

Travar em sessão é quase sempre um momento de sobrecarga do processamento clínico.

O paciente traz algo inesperado, a hipótese que guiava a sessão já não se sustenta, o silêncio pesa de um jeito diferente. O corpo do terapeuta sente antes que a mente organize.

Isso não indica incompetência.
Indica que algo clinicamente relevante está acontecendo ali, e que o terapeuta está presente o suficiente para perceber.

A questão não é se isso vai ocorrer, porque vai, em algum momento, para praticamente todo psicoterapeuta. A questão é o que se faz com esse momento.

Se aprende a reconhecê-lo, se aprende a trabalhar com ele em vez de apenas suportá-lo… Se aprende a extrair informação clínica a partir dele.

Essa capacidade não emerge sozinha com o tempo. Ela se desenvolve quando a prática é acompanhada, revisada, pensada com alguém que consiga ajudar o terapeuta a ver o que ele ainda não consegue ver por conta própria.

Como você costuma lidar quando isso acontece na sessão?

18/03/2026

A estrutura da sessão na TCC costuma ser lembrada como um conjunto de etapas, mas, na prática, ela funciona como algo mais importante do que isso: um recurso de organização do processo terapêutico.

Quando o paciente entende o fluxo da sessão, ele começa a participar de forma mais ativa do próprio tratamento.

Não apenas trazendo temas, mas também aprendendo a observar melhor o que acontece entre uma sessão e outra.

Essa organização também ajuda o terapeuta a manter o foco no que realmente importa: as metas do tratamento e o desenvolvimento de habilidades que o paciente poderá usar fora da terapia.

Com o tempo, muitos pacientes passam a antecipar os passos da sessão, refletir sobre o que querem discutir e acompanhar mais de perto o próprio progresso.

E isso faz parte de um objetivo maior da TCC: que a pessoa aprenda a aplicar esses recursos também fora do consultório.

Se você trabalha com TCC, como costuma adaptar a estrutura da sessão para diferentes pacientes?

Photos from Fabiana Gauy's post 16/03/2026

O que muda em quem está em supervisão clínica raramente é a técnica.

É a forma de pensar o caso, de construir e revisar hipóteses, de se posicionar diante da incerteza sem que ela paralise.

Muda a forma de usar o que acontece internamente durante a sessão como informação clínica, e não apenas como desconforto a ser gerenciado.

Nesse carrossel, compartilho algumas das mudanças mais relatadas por psicoterapeutas que estão em supervisão comigo.

Não são transformações rápidas nem lineares. São movimentos que vão acontecendo à medida que o raciocínio clínico é acompanhado, questionado e revisitado em diálogo.

O que me chama atenção é que, na maioria das vezes, o psicoterapeuta não percebe essas mudanças enquanto elas estão acontecendo.

Elas só f**am visíveis quando ele para e olha para onde estava antes.

Se algum desses relatos pessoa com o que você está vivendo na clínica agora, talvez valha a pena refletir sobre o que um espaço de supervisão poderia mover na sua prática.

Salve para revisitar, e se quiser, me conta nos comentários com qual desses movimentos você mais se identificou.

11/03/2026

Essa é uma pergunta que muitos psicoterapeutas já se fizeram, mesmo depois de anos de clínica.

E ela costuma aparecer de forma silenciosa, no meio da sessão:
➡️ “E agora?”
➡️ “O que eu pergunto?”
➡️ “Para onde essa conversa vai?”

A expectativa de que o terapeuta sempre saiba exatamente o que dizer pode gerar uma pressão desnecessária. Isso porque a clínica não acontece em roteiro.

Existem momentos em que o caso ainda está se organizando, momentos em que a fala do paciente nos desloca… Momentos em que o silêncio pede mais escuta do que intervenção.

E, às vezes, o que parece um “travar” é apenas um instante em que o raciocínio clínico está se reorganizando.

Com o tempo, muitos terapeutas descobrem que não é preciso ter respostas rápidas para sustentar uma boa sessão.

Às vezes, o que faz diferença é justamente a capacidade de desacelerar, voltar para o que está acontecendo ali e permitir que o processo se desdobre.

A clínica não exige performance.
Ela pede escuta ativa, compreensão fenomenológica, curiosidade colaborativa para pensar junto com o paciente.

Se você já teve medo de travar em sessão, saiba que essa pergunta faz parte da formação de muitos terapeutas.

E, muitas vezes, é justamente nesses momentos que aprendemos mais sobre a nossa forma de clinicar.

Se essa reflexão conversa com você, salve para revisitar depois de uma sessão desafiadora.

E, se quiser compartilhar, me conta: o que costuma te ajudar quando a sessão parece perder o rumo por um momento?

10/03/2026

Tem um momento na clínica em que tudo parece se encaixar.
A queixa faz sentido, a história ganha coerência, a hipótese começa a se organizar.

E essa sensação pode ser confortável. Mas é justamente aí que vale uma pausa.

Quando acreditamos que já entendemos o caso, corremos o risco de começar a escutar para confirmar, e não para descobrir.

Então as perguntas f**am mais direcionadas, as intervenções passam a reforçar uma leitura já construída, o espaço para o inesperado diminui. E, às vezes, o paciente percebe isso antes de nós.

Ele fala menos, evita certos temas ou responde dentro do caminho que sente que estamos conduzindo.

Compreensão clínica não é rapidez. É capacidade de sustentar hipóteses com abertura.

É permitir que o caso continue se revelando, mesmo quando já temos uma formulação inicial.

Na TCC, formular é fundamental. Mas revisar é igualmente importante.

Talvez a pergunta não seja “eu já entendi?”, mas “estou aberta a mudar de ideia?”.

Se essa reflexão fez sentido para você, salve para reler depois de uma sessão em que tudo pareceu “óbvio demais”.

E me conta: como você lida com suas próprias hipóteses na clínica?

Photos from Fabiana Gauy's post 09/03/2026

Nem sempre falar sobre uma situação é suficiente para compreendê-la.

Quando o paciente apenas relata o que aconteceu, alguns aspectos importantes da experiência podem f**ar distantes: as emoções aparecem mais fracas, os pensamentos automáticos f**am menos claros e as nuances da interação se perdem.
O role play pode ajudar justamente nisso.

Ao reconstruir a cena, o paciente se aproxima novamente da experiência e elementos que estavam implícitos começam a aparecer.

Na prática clínica, essa ferramenta pode ser usada tanto para investigação quanto para ensaio de novas respostas.

Mais do que uma técnica, é uma forma de ampliar a leitura do processo que está acontecendo ali.

Se você costuma usar role play na clínica, conta aqui: em que tipo de situação ele costuma ajudar mais?

supervisãoclinica

06/03/2026

Quando um psicoterapeuta chega à supervisão, eu não começo procurando erros. Começo mapeando.

Parto de um framework de competências para identif**ar as competências gerais, as competências específ**as da TCC e as metacompetências.

A partir disso, discutimos onde ele está e onde ele quer chegar — e o que precisa ser desenvolvido para que esse percurso faça sentido. Isso se chama Metas de supervisão.

Depois, eu observo padrões.
Escuto como ele formula o caso, como descreve o paciente, que tipo de hipótese constrói — e quais não aparecem —, em que momento intervém, como justif**a suas escolhas, e como usar a supervisão considerando as metas estabelecidas.

O ponto de crescimento raramente está em algo isolado.

Pode aparecer em lugares mais sutis:
– na dificuldade de revisar uma hipótese
– na tendência de intervir cedo demais
– no descuido com a prontidão de mudança do paciente
– na aplicação automática de protocolos
– na pouca clareza sobre o que está guiando a sessão

Crescimento clínico não acontece quando alguém diz “faça assim”.

Ele acontece quando o psicoterapeuta começa a perceber como está pensando, como decide e como conduz.

Supervisão no modelo baseado em competência indica não o que fazer, mas como organizar o raciocínio por trás do que é feito.

Muitos profissionais já estudaram muito. E, às vezes, o que falta não é mais conteúdo.

É um espaço estruturado para enxergar a própria prática com mais precisão, nomear competências, reconhecer lacunas e construir um caminho de desenvolvimento com mais intencionalidade.

Se você já se perguntou onde pode evoluir na sua prática, considere fazer supervisão !

Salve este post para revisitar depois.
E, se fizer sentido, me envie uma mensagem.

Photos from Fabiana Gauy's post 02/03/2026

Muitos terapeutas associam desenvolvimento profissional a aprender novas técnicas, ou ao tempo de experiência

Mas, com o tempo, f**a claro: o diferencial não está só no repertório técnico — está na capacidade contínua do terapeuta buscar o desenvolvimento de conhecimento e habilidades, a partir do que observa na sua prática.

Metacompetência é essa habilidade de colocar em prática o conhecimento de forma ajustada ao paciente em atendimento, monitorar hipóteses, questionar escolhas e ajustar decisões em tempo real.

Ela reduz o “piloto automático”, evita que a intervenção vire apenas repetição do que já funcionou antes e aumenta a precisão clínica (Bennett-Levy, 2006; Whittington & Grey, 2014).

E o ponto crucial: esse tipo de competência nem sempre aparece de forma explícita nos manuais.

Ela costuma ser construída no diálogo, na revisão cuidadosa de casos, na prática deliberada e na disposição para examinar o próprio modo de pensar (Whittington & Grey, 2014).

Se você quer aprofundar sua clínica, talvez valha a pena se perguntar hoje:

➡️ Eu estou acompanhando de perto o meu raciocínio clínico?
➡️ O que posso ajustar?
➡️ O que é meu e o que é do paciente?
➡️ Por que me senti tocada com isso?
➡️ Considerando onde queremos chegar (eu e o paciente) qual é o melhor caminho?

Se essa reflexão fez sentido, salve este post para revisitar na próxima supervisão/revisão de caso.

Referências (APA 7):
Bennett-Levy, J. (2006). Therapist skills: A cognitive model of their acquisition and refinement. Behavioural and Cognitive Psychotherapy, 34(1), 57–78. https://doi.org/10.1017/S1352465805002420

Whittington, A., & Grey, N. (Eds.). (2014). How to become a more effective CBT therapist: Mastering metacompetence in clinical practice (1st ed.). Wiley-Blackwell.

27/02/2026

Atender por muitos anos traz experiência. Mas experiência, por si só, não garante refinamento.

Você pode passar 5 anos evoluindo… ou 5 anos repetindo variações do mesmo jeito de clinicar. A diferença raramente é o tempo. É o quanto você revisa o próprio raciocínio com método.

Um artigo recente de Power et al (2022) de revisão sistemática + meta-análise de 62 estudos, N=8.210 examinou a relação entre três coisas e os desfechos em psicoterapia de pacientes adultos:
•⁠ ⁠Adesão: seguir os procedimentos do modelo.
•⁠ ⁠Competência: aplicar com habilidade (inclui habilidades relacionais).
•⁠ ⁠Integridade: um “pacote” que combina adesão + competência + diferenciação clara de outras abordagens.

E o achado é daqueles que reorganizam a nossa humildade clínica:
👉 Adesão, sozinha, não teve associação signif**ativa com desfecho.
👉 Competência e integridade tiveram associação positiva (pequena a pequena–moderada), com magnitude comparável a fatores comuns. E essa força variou por diagnóstico, modalidade e ano de publicação.

Traduzindo: não basta “fazer a técnica certa”. Importa fazer bem — com consistência teórica, precisão e sensibilidade clínica.

É por isso que capacitação contínua: leitura guiada, palestra, curso, congresso e, supervisão com feedback é tão importante. É aí que a experiência deixa de ser só tempo acumulado e vira aprendizado integrado.

Talvez a pergunta não seja “há quanto tempo eu atendo?”, mas: o quanto minha competência e minha integridade clínica estão mais refinadas hoje do que há 1 ano atrás?

Se essa reflexão fez sentido, busque supervisão baseada em competências.

E se quiser saber mais, me envie uma mensagem com a palavra COMPETÊNCIAS.

Referência:
Power, N., Noble, L. A., Simmonds-Buckley, M., Kellett, S., Stockton, C., Firth, N., & Delgadillo, J. (2022). Associations between treatment adherence–competence–integrity (ACI) and adult psychotherapy outcomes: A systematic review and meta-analysis. Journal of Consulting and Clinical Psychology, 90(5), 427–445.

25/02/2026

Quando você leva um caso para supervisão, parece que a conversa é “só sobre o paciente”.

Mas, na prática, supervisão é também um laboratório de aprendizagem do terapeuta: você vai avançando não só em competência, mas em consciência do que faz — e do que ainda não sabe que não sabe.

E esse desenvolvimento não acontece “no susto” nem na base de correção. Ele acontece dentro de uma zona de aprendizagem possível (a tal “zona de desenvolvimento proximal”): desafio suficiente para te mover, e segurança suficiente para você conseguir pensar.

Um estudo de Johnston e Milne publicado em 2012 no The Cognitive Behaviour Therapist, mostra que, quando a supervisão funciona, quatro processos caminham juntos:

•⁠ ⁠Aliança de supervisão: um vínculo com respeito, clareza de papéis e sensação de segurança (sem isso, a gente se protege e revela menos do que precisa).

•⁠ ⁠Troca socrática de informação: perguntas que ajudam você a descobrir (e não só receber respostas), com feedback e explicitação do que importa.

•⁠ ⁠Scaffolding (andaimes): no começo, mais estrutura, instrução e “o que fazer”; com o tempo, menos muleta e mais autonomia, indo para o “como fazer”.

•⁠ ⁠Reflexão: a supervisão “assenta” depois — quando você cria espaço para elaborar, registrar e reorganizar o raciocínio (não é só durante a sessão).

Por isso, não é sobre apontar erro ou decidir quem está certo. É sobre construir uma forma de pensar sobre sua prática clínica que te deixa mais estável por dentro: menos impulso, mais direção; menos “aplicar técnica”, mais escolher com propósito.

O caso é discutido, sim. Mas o que se desenvolve ali é maior: sua autonomia, sua segurança e sua identidade clínica.
Se isso te fez pensar na sua própria trajetória, salva para reler com calma.

E se quiser saber dos meus grupos de supervisão, me manda SUPERVISÃO no direct.

Referência:
Johnston, L. H., & Milne, D. (2012). How do supervisees learn during supervision? A grounded theory study of the perceived developmental process. The Cognitive Behaviour Therapist, 5(1).

Photos from Fabiana Gauy's post 23/02/2026

A estrutura é uma das marcas da TCC. E, em muitos contextos, ela organiza, protege e favorece avanço.

Mas, com o tempo de prática, percebemos que a qualidade clínica não está apenas em seguir etapas. Está em compreender quando manter o formato e quando flexibilizar.

Há momentos em que a agenda clara traz segurança ao paciente.
Há momentos em que insistir nela pode afastar algo importante que emergiu ali.

Estrutura não é um fim em si mesma.
É um recurso que ganha sentido quando está alinhado à hipótese de caso e ao estágio do processo.

Talvez a pergunta não seja “estou estruturando o suficiente?”, mas “essa forma de conduzir está coerente com o que esse caso precisa agora?”.

Se essa reflexão conversa com sua prática, salve para retomar depois com calma.
E se você quer saber mais sobre este assunto comente aqui!

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