18/08/2026
Ao publicar o livro “Amai e... não vos multipliqueis” em 1932, a anarquista Maria Lacerda faz uma subversão libertária do imperativo bíblico (“Crescei e multiplicai-vos”), criticando o papel da maternidade compulsória, a moral burguesa e a opressão patriarcal, defendendo o amor livre e a maternidade consciente.
Em plena ascensão da moralidade Getulista, Maria Lacerda tensionou o projeto nacional de docilização feminina com a força contestatória do anarquismo libertário, deslocando o corpo da mulher da condição de território de reprodução do Estado e do patriarcado para a autonomia e emancipação.
A atualidade dessa crítica reside na persistência da maternidade compulsória como dispositivo de controle moral e exaustão psíquica, sustentado pela sobrecarga do trabalho de cuidado invisível, a despeito das vontades pessoais.
Sob a perspectiva da Soma como prática psicocorporal libertária, o resgate do pensamento de Maria Lacerda de Moura opera como um antídoto radical ao dever moral internalizado e sua incidência na vitalidade feminina. Desmitificar a reprodução como destino biológico afirma o direito inalienável do corpo à sua própria potência, autonomia e desejo.