03/10/2025
Profundezas Sombrias
Em abismo negro, a alma se afoga,
Em ondas de angústia, a esperança se esgota.
A dor, um monstro, devora a cada instante,
E a vida, um fardo, sem qualquer alçante.
A morte, um refúgio, um sono eterno,
Um fim para o sofrimento, tão intenso.
Em braços da escuridão, a paz se encontra,
Um alívio tão grande, que a alma se encanta.
Mas a força se esvai, a vontade se quebra,
E a passividade domina, em cada fibra.
Sem ânimo de lutar, rendido à dor,
A vida se apaga, sem qualquer rumor.
A névoa do fim desce, fria e densa,
Não há luz, nem prece que a alma convença.
O silêncio que resta é mais que profundo,
É a certeza de ser perdido no mundo.
O alívio buscado tem sabor de fel,
Pois a paz da morte é também um adeus cruel.
As memórias não cessam, viram vultos na sombra,
Cada riso passado, agora, ferida que assombra.
Não há escape na treva, só a eterna descida,
Onde a alma é apenas a casca da vida.
O sono não vem, só o pesar que persiste,
E o eterno vazio que gélido insiste.
O abismo não cede, ele abraça e consome,
E o que resta do ser, nem mais tem nome.
A rendição é total, não há arrependimento,
Apenas a escuridão como último assentimento.
A morte não é fim, é só a porta pesada
Para uma solidão muda e amaldiçoada.
O último suspiro é um som que se rasga,
E a alma se dissolve, na noite que a embriaga.