03/06/2024
Conheça a poesia “Mamoeiro e Tamareira”, do Livro Fritz Müller - Amor à natureza em Poesia, uma lição sobre crescimento e paciência!
Mamoeiro:
“Tenha vergonha, tamareirinha!
Você só tem uma única folhinha.
Olhe para mim! A mesma idade eu tenho,
o mesmo sol nos bronzeia,
a mesma chuva nos banha
e o mesmo solo nos acompanha.
Olhe para mim! Mal um ano passou,
eu germinei do solo escuro,
o orvalho do céu e a luz do sol aprecio,
e já sou uma árvore de porte imponente,
de rica coroa de folhas e tronco elegante.
Minhas flores perfumadas
fecundam o ar e convidam
o beija-flor de asas agitadas,
as borboletas de cores vibrantes,
e todos os mosquitos do céu
para um banquete doce como o mel.
Meus frutos avolumam e maturam,
adensados no tronco se amontoam,
e a gula da criançada estimulam!
Palmeirinha, diga lá: quando vai pensar
em se alongar e finalmente me alcançar?”
Tamareira:
“Paciência, paciência, árvore enorme e falaz!
O que rápido aparece, como um sonho se desfaz.
Só vagarosamente pode o nobre prosperar,
Apenas devagar pode o duradouro se formar.
Por isso, não invejo o seu tamanho
e sua bela folhagem não me desperta encanto;
seu crescimento rápido e suas frutas sem sabor
não são motivo de orgulho, nem de valor!
Paciência! Ainda a sua altura excederei,
no tronco esguio, a coroa cheia de folhas eu portarei;
e quando minhas primeiras flores brotarem,
você, podre e velho, já estará sem folhagem!
Logo você tombará, assim como rápido se elevou;
eu viverei quando você, há muito, já se desintegrou,
e os meus deliciosos frutos dourados serão
um presente saboroso aos netos que virão.”
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