ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FREI NIVALDO LIEBEL – ASSEFRENI
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA
CELER FACULDADES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO-SENSU” ESPECIALIZAÇÃO EM
ORIENTAÇÃO, SUPERVISÃO E GESTÃO ESCOLAR PÚBLICA DEMOCRÁTICA
A INFLUÊNCIA DO ESTUDO NO MERCADO DE TRABALHO:
RELATO DE PROJETO APLICADO NA E.E.B. CEL PEDRO CHRISTIANO FEDDERSEN, BLUMENAU - SC
CHRISTIAN KLÖPPEL
MASSARANDUBA
2014
ASSOCIAÇÃO EDUCACIONAL FREI NIVALDO LIEBEL – ASSEFRENI
FACULDADE DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS – FACISA
CELER FACULDADES
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO-SENSU” ESPECIALIZAÇÃO EM
ORIENTAÇÃO, SUPERVISÃO E GESTÃO ESCOLAR PÚBLICA DEMOCRÁTICA
A INFLUÊNCIA DO ESTUDO NO MERCADO DE TRABALHO:
RELATO DE PROJETO APLICADO NA E.E.B. CEL PEDRO CHRISTIANO FEDDERSEN, BLUMENAU - SC
Trabalho de Conclusão apresentado à FACISA, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Especialista em Orientação, Supervisão e Gestão Escolar Pública Democrática, ministrado pelo Instituto de Ensino Superior a Distância - IESAD, sob a orientação da professora Agnes Orzechowski.
CHRISTIAN KLÖPPEL
MASSARANDUBA
2014
A INFLUÊNCIA DO ESTUDO NO MERCADO DE TRABALHO:
RELATO DE PROJETO APLICADO NA E.E.B. CEL PEDRO CHRISTIANO FEDDERSEN, BLUMENAU - SC
Christian Klöppel
Agnes Orzechowski
RESUMO
A baixa expectativa de crescimento pessoal e profissional aliada as turbulências da adolescência e a aprovação automática desencadearam um quadro de desmotivação e indisciplina nas turmas da 8ª série da EEB. Cel Pedro Christiano Feddersen em Blumenau - SC. O presente artigo é o relato de caso do projeto de pesquisa-ação cujo título é "A influência do estudo no mercado de trabalho". Os objetivos deste artigo são resgatar brevemente a história da educação no Brasil; levantar hipóteses sobre a desmotivação dos alunos na turma da 8ª série; relatar a metodologia aplicada e os resultados obtidos com a aplicação do projeto. Considera-se importante destacar que com a aplicação do projeto houve melhora qualitativa no desempenho dos alunos em sala de aula e que todos os alunos deram continuidade aos estudos.
Palavras-chave: Educação. Desmotivação. Projeto.
1 INTRODUÇÃO
Todos sabemos que a adolescência é um período na vida dos jovens que é carregado de mudanças físicas e hormonais, há o fortalecimento das opiniões e a necessidade de se fazer impor. Por outro lado, é um período de sonhos, planos e esperanças para o futuro.
Considera-se natural que os adolescentes tentem desafiar a autoridade, busquem desafios e o rompimento dos limites principalmente no ambiente escolar. Em contrapartida esses jovens buscam na escola a possibilidade de construir conhecimentos para mais tarde qualificar-se para o mercado de trabalho.
Espera-se que a escola disponha de um ambiente que estimule o aprendizado através da troca de experiências, do diálogo e da cooperação.
Contudo percebeu-se já nas primeiras semanas de aula que os alunos da 8ª série apresentavam-se apáticos, desinteressados e desmotivados em todas as disciplinas. Essa situação acabou desencadeando indisciplina, desrespeito entre os colegas de sala, para com os professores e coordenação escolar. Além de apresentarem baixo desempenho de aprendizagem, os alunos não realizavam trabalhos e tarefas, apresentando assim, notas muito baixas no primeiro bimestre.
Levantando hipóteses sobre as possíveis causas da desmotivação e desinteresse observou-se que um dos motivos da falta de motivação era a certeza que no final do ano letivo todos estariam aprovados indiferente do desempenho alcançado. Outro motivo elencado foi referente às dinâmicas das aulas. Os alunos relatavam que as aulas eram monótonas, os professores passavam muito tempo falando e que o conteúdo não serviria para o cotidiano.
Observou-se durante o levantamento das hipóteses que a maioria dos alunos não pretendia prosseguir os estudos no Ensino Médio, por considerar desnecessário estudar, afinal com a 8ª série já seria possível arrumar um emprego.
Diante dessa situação, percebeu-se a necessidade de intervir nessa realidade e aplicar o projeto "A influência do estudo no mercado de trabalho com os alunos da 8ª série da Escola de Educação Básica Cel Pedro Christiano Feddersen em Blumenau - SC. Esse projeto tem como objetivo estimular os alunos a participar ativamente das atividades escolares demonstrando razões para prosseguir os estudos.
A metodologia utilizada foi a da pesquisa-ação que Ramos (2011, p. 49) define como uma pesquisa concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Sendo que o pesquisador e os participantes da situação problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
Sendo assim, o presente artigo tem como objetivos: (a) resgatar brevemente a história da educação no Brasil; (b) levantar hipóteses sobre a desmotivação dos alunos na turma da 8ª série; (c) relatar a metodologia aplicada e os resultados obtidos com a aplicação do projeto "A influência do estudo no mercado de trabalho".
2 BREVE CONTEXTUALIZAÇÃO HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO NO BRASIL
A história da educação formal no Brasil inicia-se com a chegada do Padre Manoel da Nóbrega juntamente com a comitiva do governador geral Tomé de Souza. Segundo Mascarello (2006, p. 08) foi o Padre Jesuíta "quem apresentou a primeira política educacional voltada para a construção de 'recolhimentos' para meninos indígenas, onde lhes era ensinado a doutrina cristã, os bons costumes, as primeiras letras". A metodologia estava baseada na memorização e na repetição das informações ensinadas.
No início das atividades dos jesuítas no Brasil a forma encontrada para que eles sobrevivessem e desenvolvessem as atividades de ensino, era através de doações de colonos. Com o passar do tempo os jesuítas recebiam incentivos da Coroa e puderam aumentar o capital da Companhia. As concessões e incentivos foram revertidas para
[...] a aquisição de lavouras de subsistência e canaviais com engenhos, colégios, inúmeras fazendas de criação de gado, cavalos, porcos, ovelhas, cabras e aves, sem falar que a ordem religiosa tornou-se uma das maiores proprietárias de escravos no Brasil. (MASCARELLO, 2006, p.10).
Os estabelecimentos de ensino jesuíticos eram padronizados e sistematizadas na Ratio Studiorum. A Ratio previa um currículo único, dividindo-os em dois graus e supondo o domínio das técnicas elementares da leitura, escrita e cálculo. Na adaptação dessa Pedagogia ao Brasil, estabeleceram-se quatro graus de ensino, sucessivos: os cursos elementar, de humanidades, de artes e de teologia. (ROCHA, 2005, p.05).
Ratio Studiorium surgiu para fornecer às instituições de ensino uma base comum e as experiências pedagógicas das diferentes regiões onde esses religiosos atuaram acabaram colaborando para a construção do documento final publicado em 1599. Compunha-se de trinta conjuntos de regras, num detalhado manual que indicava a responsabilidade, desempenho, subordinação e o tipo de relacionamento dos membros da hierarquia, dos professores e dos alunos; tratava também de organização e administração escolar. (TEIXEIRA, 2008, p. 03).
Uma série de eventos políticos e econômicos ocorreram e em 1759 e os jesuítas foram expulsos do Brasil. Nessa época entra em vigor a reforma Pombalina.
A Reforma Pombalina extingue as escolas jesuíticas e estabelece a reforma dos estudos menores, criando, assim, a rede de Aulas Régias. Assim, os alunos passariam a ter aula de Língua Portuguesa, deveriam dominar a leitura, a escrita e a capacidade de contar. Depois de aprendidas essas habilidades haveria a possibilidade de passar para os Estudos Maiores. Nesse estágio, poderia ser ensinado o latim, os fundamentos da religião cristã e as obrigações civis. (MASCARELLO, 2006, p.11). Observa-se que mesmo com a Reforma a laicidade do ensino foi parcial.
A Reforma Pombalina foi a maneira encontrada pelos governantes, para fortalecer a Colônia, visto que as relações comerciais precisam se intensificar e para isso era necessário mão de obra apta. Pois segundo Almeida (2003 apud MASCARELLO, 2006, p.11) “domina os poderes da sociedade quem tiver o poder do saber".
O período que se segue é marcado pela vinda da família real para o Brasil e com isso, promove-se a discussão sobre a necessidade de estruturar a Educação no Brasil. O projeto de Constituição apresentado em setembro de 1823 pretendia estabelecer a criação de um sistema escolar completo, composto de escolas primárias, ginásios e universidades, além de possibilitar a iniciativa privada no campo da instrução pública. (ROCHA, 2005, p.12). Autoridades, como o deputado Maciel da Costa, deram um passo audacioso para a época, solicitando a inclusão do s**o feminino no sistema escolar, não vendo razões para “privar uma tão grande e tão interessante porção do gênero humano, destinada pela natureza e pela sociedade a tão importantes funções” do acesso a educação. (BAUAB, 1972 apud ROCHA, 2005, p.12).
Contudo, a 1ª Constituição Imperial foi outorgada em 1824. Sobretudo, o maior destaque na educação se efetiva com o Ato Adicional à Constituição, em 12 de novembro de 1834, o qual confere às províncias a responsabilidade de promover e organizar o ensino primário e secundário, cabendo ao poder central apenas a incumbência pela educação do município neutro e o ensino superior. (MASCARELLO, 2006, p. 12).
No final do século XIX, mudanças sociais e nas relações de trabalho desencadearam a abolição da escravatura e a crescente imigração. No que se refere à educação, esta passa a ser apontada como condição básica para garantir a participação do povo na sociedade. Neste período, são altos os índices do analfabetismo no país, considerados por alguns como “vergonha nacional” acirrando ainda mais a crise do regime vigente. (SCHELBAUER, 1998 apud MASCARELLO, 2006, p.14).
A educação do povo, além de elemento fundamental na formação para a cidadania, tinha por foco criar uma unidade nacional. Pois, o contingente de imigrantes que adentravam o país era grande, o que inspirava uma insegurança nacional, num período em que se acirravam as disputas imperialistas. (MASCARELLO, 2006, p. 14).
Já no período do Brasil República foi criado o Ministério da Educação em 1930, logo após a chegada de Getúlio Vargas ao poder. Com o nome de Ministério da Educação e Saúde Pública, a instituição desenvolvia atividades pertinentes a vários Ministérios, como saúde, esporte, educação e meio ambiente. Até então, os assuntos ligados à educação eram tratados pelo Departamento Nacional do Ensino, ligado ao Ministério da Justiça (MEC, 2014).
O Ministério da Educação e Saúde Pública (MESP), dirigido pelo então Ministro Francisco Campos promove a Reforma de 1931. A proposta do Ministro se estruturou através de decretos que passaram a ser chamados de Reforma Francisco Campos, dentre eles o Decreto nº 19.850, 11 de abril de 1931, que criou o Conselho Nacional de Educação. (MASCARELLO, 2006, p. 17).
Campos limitou-se à reformulação do ensino secundário, dividindo-o em dois ciclos: Ensino Fundamental (5 anos, ficará conhecido como ginásio) e Complementar (2 anos, preparação para o Ensino Superior). Os demais níveis de ensino: Ensino Primário, Ensino Normal e Ensino Técnico, não foram contemplados. (MASCARELLO, 2006, p.18).
Segundo Chiraldelli (2001, p. 45) a promulgação da Constituição de 1934, determinou à União a “fixar o Plano Nacional de Educação, compreendendo o ensino de todos os graus e ramos, comuns e especializados, e coordenar e fiscalizar a sua execução em todo o território do país”. A Constituição de 1934 ainda orientou a educação como um direito de todos, devendo ser ministrada pela família e pelos poderes públicos, com caráter gratuito no ensino primário e com frequência obrigatória. (MASCARELLO, 2006, p.19).
Ações desenvolvidas no âmbito da educação era centralizadas no Ministério da Educação, contudo com a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases (Lei 4.024 de 1961) houve maior integração no sistema educacional brasileiro. Segundo Mascarello (2006, p. 22) a Lei de Diretrizes e Bases da Educação teve a função de "nortear todos os níveis de ensino do território Nacional". Neste propósito de integração os órgãos estaduais e municipais ganharam mais autonomia, diminuindo a centralização do Ministério da Educação e Cultura. (BRASIL, 2014).
Dez anos se passaram até que uma nova Lei de Diretrizes e Bases fosse aprovada alterando o formato organizacional dos níveis de ensino e implantando os cursos profissionalizantes:
Durante o período de maior repressão do regime, é implantada em 11 de agosto de 1971 a nova Lei de Diretrizes e Base para o Ensino de 1º e 2º Graus, Lei nº 5.692, a qual agrupou o curso primário e o ciclo ginasial em Ensino de 1º grau, extinguindo o exame de admissão, atendendo alunos de 7 a 14 anos. Já o ciclo colegial tornou-se integralmente profissionalizante como 2º grau, com 130 habilitações técnicas a serem escolhidas conforme a necessidade regional. Ressalvas para os colégios privados, que ludibriaram a imposição e continuaram a ofertar o preparatório para a universidade. (MASCARELLO, 2006, p. 24).
Em meio a acontecimentos econômicos e sociais, o Brasil promulga a Constituição Federal em 1988. Na Constituição de 1988 entre vários aspectos inovadores, podemos destacar os Art. 205 e 206 que instituiu:
[...] a educação como direito de todos e dever do Estado e da família, que será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (Art. 206) sendo o ensino ministrado com base nos princípios de igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; de liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais. (BRASIL, 1988).
Em 1996, depois de muita discussão em 20 de dezembro de 1996 foi aprovada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, (Lei nº 9.394). O documento dispõe sobre a educação escolar, sendo esta dividida em dois níveis: o primeiro engloba a Educação Básica, que compreende educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Sendo o ensino obrigatório e gratuito dos 7 aos 14 anos, visando a erradicação do analfabetismo e a universalização do ensino. E o segundo nível, a Educação Superior. A Educação de Jovens e Adultos, a Educação Profissional, a Educação Especial, a Educação Indígena e a Educação a Distância, foram enquadradas como modalidades educacionais. (MASCARELLO, 2006, p. 30).
Avançando cronologicamente, encontramos dentro das políticas públicas educacionais a aprovação em 2009 da Emenda Constitucional nº 59 de 11 de novembro de 2009. Essa Emenda altera o Art. 205 da Constituição Federal tornando a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, assegurada inclusive sua oferta gratuita para todos os que a ela não tiveram acesso na idade própria. (BRASIL, 2009).
Com a ampliação da obrigatoriedade do Ensino Básico dos 6 aos 17 anos, espera-se que os estudantes ao concluírem o Ensino Médio possam ingressar no mercado de trabalho ou prosseguir seus estudos acadêmicos. Para isso é indispensável que os estudantes tenham desenvolvido competências e conhecimentos, como comunicação verbal e escrita, leitura e compreensão de textos, raciocínio lógico, noção de saúde e segurança no trabalho e preservação ambiental. (BRASIL, 1999, p. 8).
3 CONTEXTUALIZAÇÃO DA UNIDADE ESCOLAR E HIPÓTESES PARA A DESMOTIVAÇÃO ESCOLAR
A Escola de Educação Básica Coronel Pedro Cristiano Feddersen localiza-se na Vila Itoupava, distante 25 Km do centro de Blumenau, ao norte. A Unidade Escolar iniciou suas atividades em 14 de março de 1954, com o nome de Grupo Escolar Coronel Pedro Christiano Feddersen. Sendo inaugurada mais tarde em 04 de junho de 1954, através do Ato n.º 241/SC, transformando-se em Escola Básica, em 01 de março de 1968, com o decreto n.º 10.505 de 17 de fevereiro de 1971. Implantou-se o Pré-Escolar em 01 de março de 1986 através do ato 2.730 de 26 de setembro de 1986, modalidade esta que teve a sua administração municipalizada em 2009, com continuidade do atendimento no espaço físico da escola.
Iniciou-se em 1986 o Ensino Médio em 01 de março de 1986 pela Portaria 247 de 09 de abril de 1986, com atendimento no período noturno. A partir de 2006 a escola passou a oferecer a modalidade também no período matutino. Em 28 de março de 2000, pela portaria E/0017 SED, passa a denominar-se Escola de Educação Básica “Cel. Pedro Christiano Feddersen”.
Para se adequar a Lei 11.274 de 06 de fevereiro de 2006, ao Decreto Governamental nº 4.804, de 25 de outubro de 2006 e a Portaria SED nº 22, de 20 de novembro de 2006 a EEB“Cel. Pedro Christiano Feddersen” implantou em 2007 o Ensino Fundamental de 09 anos.
Desde 2007 ano em que a rede estadual de Santa Catarina, implantou o ensino fundamental de nove anos, os alunos que ingressaram no Ensino Fundamental de 8 anos, vem sendo aprovação automaticamente. Assim, anualmente a SED/DIEB emite portaria regularizando a aprovação dos alunos pertencentes a esta série. Conforme a Portaria nº19 de 06 de agosto de 2012 em seu 1º artigo “todo aluno matriculado e frequentando a 7ª série do Ensino Fundamental de 8 anos em 2012 será matriculado na série subsequente em 2013, exceto em caso de frequência inferior à prevista na legislação”. Dessa forma, os alunos que estavam em 2006 na primeira série do Ensino Fundamental vem sendo aprovados automaticamente, formando em 2013 a turma do 8ª série.
O fato desses alunos serem aprovados automaticamente tem trazido uma série de problemas tanto de disciplina quanto de aprendizagem. Os estudantes acham que não é preciso estudar, realizar os trabalhos, pois sabem que ao final do ano estarão aprovados. Pode-se observar grande desmotivação e falta de interesse nessas turmas. Muitos alunos não veem motivos para prosseguir os estudos e alguns inclusive afirmam que só frequentam a escola porque são obrigados.
Para Barbosa (2005, p.21) a origem da motivação "é o desejo de satisfação de necessidades e um conjunto de fatores que determinam a conduta de um indivíduo, gerados pelo fato de o ser humano ser um animal social por natureza". Ao observar-se o porque das pessoas serem motivadas, "há que se notar dois fatores: o fator intrínseco, que é a vontade da própria pessoa, e a fator extrínseco, que é ocasionada por fatos externos principalmente do ambiente de trabalho". (BARBOSA, 2005, p.25).
Assim, no ambiente escolar se a motivação para estudar, com sua recompensa mais imediata, a aprovação, foi suprimida é necessário buscar outras motivações para avançar na construção do conhecimento. Pois segundo Almeida e Sartori (2012, p. 46) "é necessário que sejam criadas expectativas com relação à aprendizagem, para que os alunos se sintam motivados, pois a motivação não depende somente de motivos individuais, mas do sucesso esperado para alcançá-los".
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Foi procurando recuperar o sentido do aprender e a valorização dos estudos para a experiência de vida de cada educando que desenvolveu-se o Projeto A' influência do estudo no mercado de trabalho". Esse projeto tem como objetivo estimular os alunos da 8ª série a participar ativamente das atividades escolares, demonstrando razões para prosseguir nos estudos. Para tanto foi programada uma sequência de 8 atividades pedagógicas a serem realizadas semanalmente. Iniciou-se o projeto com a realização do diagnóstico sociocultural das turmas. No segundo momento foi solicitado que cada aluno escrevesse como se imagina daqui a 10 anos. Depois de construída a descrição, foi realizado uma roda de socialização para discutir os resultados. Utilizou-se no terceiro encontro um texto motivador cujo título é "A influência dos estudos na Remuneração do Trabalhador" divulgada pela Fundação Getúlio Vargas. Após a leitura foram debatidas as informações.
Na quarta atividade programada para o projeto foi apresentada para a turma a lista das profissões regulamentadas pelo Ministério do Trabalho. O objetivo com essa atividade é oportunizar a ampliação de possibilidades na escolha de uma profissão. A quinta atividade teve como base a lista de profissões regulamentadas apresentadas na atividade anterior. Os alunos foram convidados a escolher dez profissões que não conheciam ou que tinham interesse em conhecer para pesquisar na internet. Para na próxima aula ser realizada a socialização.
Para finalizar o projeto, foi convidado o Grupo Soroptimista Blumenau - Leste em parceria com o SENAC, para realizar uma palestra sobre motivação, e oportunidades de qualificação para o mercado de trabalho. Os objetivos dessa palestra eram estimular os alunos nas atividades escolares e divulgar as oportunidades de qualificação profissional sejam elas em nível técnico ou graduação.
Na última semana de projeto foi solicitado aos alunos que escrevessem um texto em que relatassem o que mais havia chamado a atenção durante a aplicação do projeto.
Procurou-se utilizar de aulas dinâmicas, com atividades em grupo e rodas de socialização para superar as aulas tradicionais e estimular a vontade de aprender nos alunos. Pois segundo Freire (1996, p.80) “há uma relação entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que o professor e alunos juntos podem aprender, ensinar, inquietar-se, produzir juntos e igualmente resistir aos obstáculos”.
Resgatar a esperança no aprender e a alegria no cotidiano escolar com certeza é o desafio que deve ser superado para que a prática pedagógica seja relevante.
5 RESULTADOS
A aplicação do Projeto "A influência do estudo no mercado de trabalho" teve como primeira ação realizada a aplicação de uma pesquisa sociocultural para diagnosticar o público que estávamos trabalhando. Conforme a pesquisa a média de idade dos alunos é de 13,92 anos, sendo que 88% dos alunos se autodeclarou como sendo branco e 22% como sendo pardo. Uma das questões da pesquisa questionou quanto a resolução de problemas, conflitos e dificuldades a quem os alunos recorrem para resolver. Do total de respostas 84% dos alunos afirmaram que dialogam com os pais, mas apenas 34% conversam com os pais para resolver conflitos e dificuldades. Outros alunos afirmaram em pesquisa que procuram resolver seus problemas com amigos (55%) e 11% não conversa com ninguém, procurando resolver seus problemas sozinhos.
Com relação ao uso de tecnologias 68% possui computador ou notebook, 80% possui celular. Quando questionados quanto ao acesso a internet 57% dos alunos afirmou que tem acesso a internet em casa e os demais conseguem acesso através da escola, amigos ou lan house. Quanto a realização de tarefas e estudos em casa 73% dos alunos afirmou que estuda ou faz as tarefas em casa e a média de tempo dedicada ao estudo foi de 1,25h. Os outros 27% da turma afirmaram que não realizam as atividades extraclasse por não terem tempo ou porque não acreditam ser importante.
Quando questionados se gostam de estudar 69% afirmou que sim e 31% afirmou que não. Caso a resposta no questionário fosse negativa o aluno deveria justificar sua escolha entre as respostas estavam: falta de tempo, já desenvolver algum trabalho, preguiça e já ter trabalho garantido quando se formasse na 8ª série.
Ao serem questionados sobre o que mais gostavam na escola os alunos elencaram a aula de educação física e o recreio como momentos de interação com os colegas. Na questão que solicitava aspectos que poderiam melhorar na escola foram citados as atividades ao ar livre, saídas a campo.
Com base nesses dados, iniciou-se o Projeto "A influência do estudo no mercado de trabalho" com uma atividade em que os alunos deveriam descrever como imaginam sua vida daqui a 10 anos. Na roda de socialização, a maioria dos alunos descreveu que se imaginavam empregados, com um automóvel, e família constituída. Quando questionados se depois da 8ª série prosseguiriam os estudos a maioria disse que não, sendo a justificativa de que assim que terminassem o Ensino Fundamental já poderiam trabalhar. Alguns alunos comentaram que os seus familiares estudaram até a 4ª série e atualmente tinham emprego, casa, carro e sustentavam sua família. Poucos foram os alunos que demonstraram interesse em fazer o Ensino Médio e Universidade.
No encontro seguinte, realizou-se a segunda atividade do projeto em que cada aluno recebeu a publicação "A influência dos estudos na Remuneração do Trabalhador" divulgada pela Fundação Getúlio Vargas (Revista Veja 09/10/2008). Segundo pesquisa, a cada ano estudado o brasileiro ganha em média 15% a mais no salário. Ou seja, uma pessoa com pós-graduação tem o salário até 544% maior que alguém que nunca estudou. O nível de escolaridade também amplia as oportunidades de se conseguir um emprego. Um trabalhador que completou o ensino fundamental tem 35% a mais de chances de ocupação que um analfabeto e as oportunidades sobem para 122% na comparação com alguém que tenha o ensino médio. Após ler a pesquisa realizou-se uma roda de socialização em que foram debatidos os dados e discutido a necessidade de aperfeiçoamento e qualificação para uma melhor remuneração. Alguns alunos deram exemplos de pessoas que estudaram até a 4ª série e que hoje estão bem financeiramente, contudo chegamos a conclusão de que essas pessoas são empreendedoras e que se tivessem acesso a instrução poderiam ter enfrentado menos dificuldades. Também foi ressaltado que o conhecimento é uma conquista e satisfação pessoal.
No quarto encontro, após relembrar a pesquisa sobre remuneração e instrução profissional os alunos receberam uma lista com as 68 profissões regulamentas pelo Ministério do Trabalho. Essa lista foi apresentada e a atividade proposta foi a escolha de 10 profissões que gostariam de conhecer ou que queriam mais informações.
Com a lista das 10 profissões em mãos os alunos foram para a sala de informática realizar a pesquisa exploratória. Cada aluno produziu um texto informativo sobre as profissões pesquisadas para no encontro seguinte ser realizada uma roda de socialização.
A roda de socialização foi a sexta atividade do projeto e nela os alunos escolheram uma profissão para apresentar para os colegas. Dentre as justificativas apresentadas para as escolhas estavam nunca ter ouvido falar dessa profissão, por exemplo enólogo, e ter vontade de trabalhar nessa profissão.
Procurando uma forma de estimular os alunos a prosseguir os estudo e se tornar um técnico ou graduado, recorreu-se ao grupo Soroptimista Blumenau - Leste para em parceria com o SENAC realizar palestra de divulgação dos cursos SENAC e tirar dúvidas quanto as profissões.
Para iniciar a palestra foi apresentado um vídeo sobre o funcionamento do cérebro. Esse vídeo destacou a importância de manter o cérebro ativo através de desafios diários. Foi explicado também como o cérebro se comporta quando apenas decoramos uma informação e quando essa informação é gravada através da emoção. Durante a palestra ainda foi ressaltada a necessidade da continuidade dos estudos uma vez que quanto maior a escolarização do trabalhador maior será a remuneração pelo serviço. Foi destacado também as atribuições de um técnico e um bacharel e as respectivas remunerações. Aproveitou-se a oportunidade para informar aos alunos os meios para acessar a uma Universidade e quais as possibilidades de bolsas de estudo e financiamento para pagar a graduação.
Como atividade de conclusão do projeto foi solicitado aos alunos que escrevessem um texto relatando o que mais havia chamado a atenção durante a aplicação do projeto. Muitos alunos relataram que visto o aumento considerável no salário agora viam a importância de concluir o Ensino Médio e fazer um curso técnico. Outros alunos já sonhavam com a possibilidade de fazer uma faculdade e para isso iriam se esforçar para conseguir aprovação em um dos programas do Governo Federal. Contudo, alguns alunos ainda afirmavam que não gostavam de estudar e que não tinham interesse em prosseguir os estudos.
Alguns alunos comentaram que esse projeto foi muito interessante por informar sobre o quanto importante são os estudos na vida de uma pessoa. Segundo A.P. (13 anos) o projeto serviu para
[...] mostrar aos alunos que devemos estudar cada vez mais, pois sempre almejamos algo mais do que já temos e o melhor sempre para nosso futuro. Se compramos um carro, já estamos pensando no próximo carro que vamos comprar, um celular novo já pensamos em uma de tecnologia melhor e assim por diante. Sempre estamos querendo melhores salários para poder comprar e adquirir coisas melhores (A.P. 13 anos).
Outros alunos relataram que a forma como o projeto foi aplicado foi muito bom, pois as aulas não eram chatas. Todos os alunos tinham oportunidade de expressar sua opinião e discutir as ideias, não era apenas o professor que falava.
Percebeu-se uma melhora significativa nos meses que se seguiram após a aplicação do projeto e dos 140 alunos que participaram do projeto, 118 estão cursando o Ensino Médio, 22 reprovaram dos quais 20 estão cursando o 9ºAno e 02 alunos foram transferidos.
Vale ressaltar que no ano de 2013 foi revogada a Portaria nº19 de 06 de agosto de 2012, que autorizava a aprovação automática e passou a ser seguida a Resolução 183 do Conselho Estadual de Educação.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação ao longo da história pouco modificou sua metodologia de ensino. Cinco séculos após a chegada da comitiva jesuítica ao Brasil, ainda perpetuamos nossa prática pedagógica baseada na fragmentação do conteúdo, na memorização e no individualismo.
A atual geração de alunos estão cada dia mais conectada e sente a necessidade de movimento e interação. Observa-se também que há a necessidade de estabelecer um objetivo claro para a realização das atividades, sejam elas no campo pessoal ou profissional. Se não há objetivos a longo prazo a serem alcançados a recompensa material deve ser imediata.
Os alunos que em 2006 frequentavam a primeira série do ensino fundamental, ano da implantação do ensino fundamental de nove anos, seguiram seus estudos sendo aprovados automaticamente através de Portarias publicadas pela Secretaria de Educação e Desporto.
A aprovação automática desencadeou ao longo dos anos a desmotivação para a realização das atividades escolares e com isso a indisciplina e falta de respeito entre os colegas e professores. Em conversa com os alunos era possível perceber que os alunos gostavam da escola mas não viam a necessidade de se dedicar aos estudos. Muitos alunos declaravam que vinham para a escola porque eram obrigados e que não iriam fazer o Ensino Médio.
Frente a essa situação aplicou-se o projeto "A influência dos estudos no mercado de trabalho" com o objetivo de estimular a participação ativa dos alunos nas atividades escolares e demonstrar razões para prosseguirem seus estudos. O projeto teve a duração de 8 semanas e consistiu na aplicação de 1 atividade pedagógica semanal.
Durante a aplicação do projeto foi possível perceber a desmotivação e o desinteresse de alguns alunos. Contudo como a metodologia aplicada foi baseada nas rodas de socialização e os trabalhos foram bem dinâmicos, aos poucos a turma se envolveu no projeto.
Percebeu-se dessa forma que, quanto mais dinâmicas forem as aulas, menor será o índice de indisciplina da turma. Outro fator determinante para o sucesso das atividades é a determinação de objetivos claros na execução do projeto.
Pode-se observar ao longo do projeto que gradativamente os alunos viam a necessidade de se dedicar aos estudos visto a melhor condição de vida adquirida a partir do maior grau de instrução. Com certeza a quantificação monetária foi o fator decisivo para justificar a dedicação ao estudo.
Ocorreu melhora qualitativa no desempenho dos alunos e os conflitos diminuíram consideravelmente. Quanto ao prosseguimento dos estudos dos 140 alunos que participaram do projeto 118 foram aprovados, 22 foram reprovados, dos quais 20 frequentam o 9º Ano e 2 foram transferidos. Vale ressaltar que no ano de 2013 foi revogada a Portaria que autorizava a aprovação automática e passou a ser seguida a Resolução 183 do Conselho Estadual de Educação.
7 REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Teresinha; SARTORI, Jerônimo. A relação entre desmotivação e o processo de ensino aprendizagem. Cascavel: 2012 Disponível em: http://cascavel.ufsm.br/revistas/ojs-2.2.2/index.php/remoa/index Acesso em: 07 maio 2014.
BARBOSA, Daniel Freitas. Motivação no Trabalho, Revista de Ciências Empresariais, v. 2, n.1, p. 20-25, jan./jun. 2005.
BRASIL. Ministério da Educação e Cultura. História da Educação no Brasil. Disponível http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&id=2&Itemid=171 Acesso em: 12 maio 2014.
______. Emenda Constitucional nº 59 de 11 de novembro de 2009. Brasília: Senado, 2009.
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