"O Grupo de Pesquisa Comunicação e Cultura em Televisualidades (COMCULT), criado em 2008, cujo trabalho desenvolve-se no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFMG, dedica-se, fundamentalmente, ao estudo das relações entre televisão e cultura contemplando todos os aspectos e dimensões do meio televisivo. Os textos – programas ficcionais, informativos ou de entretenimento – são analisados desde uma perspectiva estética bem como a partir de interrogações histórico-culturais e políticas. Estas perspectivas analíticas não se opõem como enfoques antitéticos mas, sim, vinculam-se na medida em que ambas constituem os produtos televisivos: estilos, poéticas e modelos narrativos; matrizes históricas e político-culturais; a encenação do popular e a representação cultural e política das massas; os direitos de reconhecimento cultural-identitário; a memória e sua articulação com o presente; as matrizes estético-populares; as relações com a audiência. Trata-se de compreender como as decisões estilísticas feitas pelas equipes nos fazem ver as marcas históricas e culturais do contexto e do lugar no qual as produções foram realizadas. Em termos metodológicos, o COMCULT dedica-se ao desenvolvimento de uma análise integral, tanto das produções ficcionais quanto das informativas e de opinião, o qual requer atenção aos aspectos estéticos e estilísticos ligados aos gêneros e seus formatos. Não basta a aproximação histórica, sociológica ou política que podem resultar profundamente empobrecida por não dispor desses outros elementos de valoração da ficção e da informação. O desenvolvimento tecnológico da televisão, nos últimos anos, potencializou o estilo televisivo e tornou possível narrativas audiovisuais cada vez mais sensórias, que conduzem o espectador para dentro do mundo-tela. E se o estilo ajuda a contar uma narrativa, e a fazer conexões entre a televisão e a cultura, é de se imaginar que matrizes culturais relevantes em uma dada realidade sejam uma fonte primordial para a televisão contar suas histórias. Sendo assim, importa-nos o estilístico e o formal de um lado, como dimensões da imaginação criadora, mas, também, como dispositivos para construir e seduzir audiências e gerar verossimilhança, entre outras razões. No estudo de narrativas e matrizes político-culturais nos interessa o passado, a história e a memória. Mas, também, o presente, a ação política e a agência na construção de novas cidadanias e de sociedades mais inclusivas nas dimensões política, cultural e social. Ao adotar o termo televisualidades, o Grupo mostra-se atento a uma situação contemporânea, na qual se assiste e se produz TV em outras plataformas, e abre-se a um universo de pesquisa que envolva não só televisão convencional, mas, também, TV digital, TV digital corporativa, webvídeo, webseries e on demand".