22/07/2022
No final do século XIX, a filosofia mais uma vez chegou a um momento decisivo.
A ciência, com a Teoria da Evolução (1859) de Charles Darwin (1809-1882), rejeitara a ideia do universo como criação de Deus, tendo a humanidade como ápice do seu gênio criador.
A FILOSOFIA MORAL e POLÍTICA concentrou-se no ser humano, com Karl Marx (1818-1883) declarando que a religião "é o ópio do povo".
Seguindo os passos de Arthur Schopenhauer (1788-1860), Friedrich Nietzsche (1844-1900) acreditava que a filosofia ocidental, com suas raízes nas tradições gregas e judáico-cristãs, estava mal preparada para explicar essa moderna visão do mundo. Nietzsche propôs, então, uma abordagem radical para encontrar um significado na vida, que envolvesse rejeitar antigos valores e tradições. Ao fazer isso, Nietzsche determinou a agenda de grande parte da filosofia do século XX.
Até certo ponto, as preocupações tradicionais da filosofia - tais como perguntar o que existe - foram respondidas pela ciência no começo do século XX. As teorias de Albert Einstein (1879-1955) ofereciam uma explicação mais detalhada sobre a natureza do universo e a psicanálise de Sigmund Freud (1856-1939) proporcionou às pessoas uma ideia radicalmente nova sobre o funcionamento da mente.
Como resultado, os filósofos voltaram sua atenção para questões da FILOSOFIA MORAL e POLÍTICA ou para questões mais abstratas da LÓGICA e da ANÁLISE LINGÍSTICA.
Na vanguarda do movimento de Análise Lógica, que se tornou conhecida como FILOSOFIA ANALÍTICA, estava a obra de Gottlob Frege (1848-1925), que uniu o processo filosófico da lógica com a matemática. Suas ideias foram recebidas de maneira entusiástica por um filósofo e matemático britânico, Bertrand Russel (1872-1970). Russel aplicou os princípios da lógica que Frege delineara a uma análise completa da matemática em "Principia Mathematica" (1910-1913), que ele escreveu conjuntamente com Alfred North Whitehead (1861-1947), para depois - num gesto que revolucionou o pensamento filosófico - aplicar as mesmas ideias à linguagem. O processo de análise linguística se tornaria o tema principal da filosofia britânica no século XX.
Um dos pupilos de Russel, Ludwig Wittgenstain (1889-1951), desenvolveu o trabalho do mestre em LÓGICA E LINGUAGEM, mas também fez importantes contribuições em áreas tão diversas quanto percepções, ética e estática, tornando-se um dos principais pensadores do século XX.
Outro filósofo vienense, um pouco mais jovem, Karl Popper (1902-1994), seguiu o exemplo de Einstein e fortaleceu a ligação entre pensamento científico e filosofia.
Enquanto isso, na Alemanha, os filósofos enfrentaram o desafio proposto pelas ideias de Nietzsche com uma filosofia baseada na experiência do indivíduo num UNIVERSO SEM DEUS: O EXISTENCIALISMO.
Edmund Husserl (1859-1938) e sua FENOMENOLOGIA, que consistia no estudo da experiência, lançou os fundamentos do que foi levado adiante por Martin Heidegger (1889-1976), também muito influenciado pelo filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855). A obra de Heidegger, produzida nas décadas de 1920 e 1930, foi amplamente rejeitada em meados do século XX devido a suas ligações com o partido nazista durante a Segunda Guerra Mundial, mas tem grande importância para o desenvolvimento do EXISTENCIALISMO e para a cultura do final do século XX.
No século XX a filosofia foi afetada pelas grandes convulsões políticas dessa era, mas também contribuiu para as IDEOLOGIAS que moldaram o mundo moderno.
A revolução que criou a União Soviética na década de 1920 teve suas raízes no marxismo, uma Filosofia Política desenvolvida por Karl Marx (1818-1883) ainda no século XIX. Essa teoria prevaleceu globalmente no século XX mais do que qualquer religião, dominando a política do Partido Comunista chinês até por volta de 1982 e substituindo filosofias tradicionais na Ásia.
Na década de 1930, as democracias liberais europeias foram ameaçadas pelo FASCISMO, forçando muitos pensadores a fugir do continente para a Grã-Bretanha e os Estados Unidos. Os filósofos voltaram sua atenção para políticas liberais ou de esquerda em relação à opressão que sofreram sob regimes políticos totalitários.
A Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria que a seguiu influenciaram a FILOSOFIA MORAL da segunda métade do século XX. Na França, o EXISTENCIALISMO entrou em voga por conta de Jean-Paul Sartre (1905-1980), Simone de Beauvoir (1908-1986) e Albert Camus (1913-1960), todos ROMANCISTAS. Essa tendência estava em harmonia com a visão francesa da filosofia como parte de uma cultura essencialmente literária. Ela também foi fundamental para a direção que a filosofia europeia tomaria nas últimas décadas do século XX.
Trecho de "O Livro da Filosofia: as grandes ideias de todos os tempos".
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