PRA DIZER ADEUS
adeus
vou pra não voltar
e onde quer que eu vá
sei que vou sozinho
tão sozinho amor
nem é bom pensar
que eu não volto mais
desse meu caminho
ah,
pena eu não saber
como te contar
que o amor foi tanto
e no entanto eu queria dizer
vem
eu só sei dizer
vem
nem que seja só
pra dizer adeus.
In: TORQUATO NETO. Os últimos dias de paupéria: do lado de dentro. Org. Ana Maria S. de Araújo Duarte e Waly Salomão. 2.ed. rev. e aum. São Paulo: M. Limonad, 1982
NOTA: Música de Edu Lob
Belos & Malditos
Cultura e Arte. Além disso o grupo Belos & Malditos foi criado para expandir cultura e arte através da poesia. Belos & Malditos.
A presente página tem como objetivo divulgar trabalhos da literatura em geral, porém acreditamos que é indispensável dar um maior destaque à poesia brasileira. O grupo foi fundado por ser entendido que se faz necessário uma união maior daqueles que acreditam na força das letras. Nesta página você encontrará trabalhos consagrados e trabalhos que estão sendo produzidos nos dias atuais e que ainda não atingiram o grande público. Sinta-se a vontande para postar o que quiser em relação à literatura.
25/10/2017
"Quantas dores você já venceu, sozinho, na escuridão do quarto? :'("
21/06/2017
"É preciso..."
É preciso conhecer o inimigo.
É preciso não se apaixonar por ele.
É preciso quebrar correntes,
chutar a porta,
Quebrar os dentes
do bicho porco
que é o patrão!
É preciso compreender
quem são os seus,
e os que não são.
Respeitar a p**a,
A luta,
E a vida bruta
de quem não fala,
Mas sempre escuta
Os teus problemas sem solução.
É preciso ir sempre a fundo,
Amar demais
Cada segundo,
Cuspir no prato se precisar.
É preciso ter menos medo,
Menos mentira,
Menos segredo,
E disposição pra se transmutar.
É preciso não se matar
De pegar ônibus,
De trabalhar,
Batendo metas
Sem perceber
Que nessa história,
no fim das contas,
Quem é abatido
Sempre é você!
É preciso escrever torto em linhas retas,
Ler o jogo,
olhar as setas
Que sempre dizem pra onde ir.
É preciso não sofrer muito ao perceber
Que nesse jogo
impiedoso
É sempre o porco quem vai vencer.
É preciso estar sempre com os pés no chão,
De peito aberto,
De coração,
Mas sem deixar nunca de sonhar,
Pois a vida é curta
Como um poema
De rima fraca
E estrofe pequena,
É vela acesa
Jogada ao ar!
03/04/2017
Estive só, e assim, aprendi a rir da vida, e a acreditar mais em mim...
"Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!" Álvaro de Campos
Duas décadas e meia de idade,
E uma decadência espiritual secular...
"Então, querida, dize à carne que se arruína,
Ao verme que te beija o rosto,
Que eu preservarei a forma e a substância divina
De meu amor já recomposto!" Baudelaire
Canto infanticida
I
Enquanto tomo café
Sob o tic-tac da parede
A água se debate contra a telha,
A vida se debate contra o peito
E a memória,
Eterna agenda,
Poço mais profundo em mim,
Leva-me de volta à velha casa.
Pequena,
Distante,
Sozinha, com seus santos,
Mais nada.
Bocas que mastigam,
Bocas que anseio o que comer.
Nem som, nem chuva,
Sobreviventes apenas.
Enjaulados numa vija pré-projetada (projetada)
Mais um pouco e faria sol.
Mais um pouco e daria certo,
Mais um pouco e seria dia.
Mais um pouco a esperança entrava
E a existência lentamente se estendia
II
Antes tivesse abortado, pensava a mãe.
Antes tivesse matado, pensava o pai.
O que será dessa criança, diziam.
Das paredes ecoavam olhares de penitência, mais nada.
O mundo ficou maior.
Era preciso acreditar
Já não existia mais amor,
O s**o era a única distração.
A família crescia como a fome,
E sob o sol,
Ondas de calor.
Pequenas máquinas,
Em movimentos matemáticos.
A mãe ensinava à filha,
O pai ensinava ao filho.
Os filhos pegavam trilhos
Sementes a descarrilhar.
Mas pelo buraco da parede de terra,
Em aparente teimosia,
A esperança tornava a entrar!
III
Rápido,
Preciso,
Capto no ar um ruído de solidão.
A água cessou.
Agosto tem dessas coisas,
Vidas frias,
Peitos pobres
Pobres pretos
E
Palavras prontas
Fechadas em linhas retas
Incapazes de traduzir a vida!
Chicão
"Tenho tido muita coisa, menos a felicidade" Fagner
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