O anúncio oficial da aliança do denominado centrão com a candidatura de Geraldo Alckmin é uma das maiores evidências da falência da Nova República, inaugurada com as eleições gerais de 1989.
A mini-reforma eleitoral, feita no ano passado, e que criou o fundo público de financiamento eleitoral proporcional ao tamanho das bancadas transformou esse centrão, de base de apoio em votações no Congresso Nacional, para uma base financeira eleitoral, ou seja, transformaram-se em agentes financeiros eleitorais. Proibiram o financiamento de pessoas jurídicas (empresas privadas), mas pegaram seus recursos com impostos e assumiram o papel de agentes financeiros.
Geraldo Alckmin, e o PSDB, não foram atrás das ideias e valores do centrão: querem apenas suporte eleitoral, em troca de alguma coisa, certamente.
Algo me diz que estamos vendo os últimos suspiros dessa trágica história da república de 1989-2018.
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O início da oficialização das candidaturas à presidência já evidenciou a extrema dificuldade de estruturas partidárias, em especial a dos grandes partidos que dominaram a história recente da nossa república, de absorverem o discurso do combate à corrupção, nem que por mero pragmatismo (o grande apoio popular à causa).
Por que essa dificuldade? Por que deixar para candidaturas com baixo apoio partidário uma bandeira tão valiosa?
A explicação está no modo tradicional e envelhecido que governa as estruturas partidárias dos grandes partidos, pois permite uma concentração de poder nas cúpulas partidárias, onde estão muitos condenados e investigados pela Lava Jato. A incapacidade de renovação nas suas elites dirigentes explica a opção que fizeram de criarem um blocão anti Lava Jato, ou de f**arem paralisados aguardando a definição de seu líder maior, mesmo que esteja preso.
Em política a incapacidade de renovação costuma cobrar muito alto e partidos que vão por esse caminho costumam f**ar à margem da história, que está sempre avançando, para um futuro que nunca sabemos bem qual é.
Em pesquisas deste ano para algumas cidades mineiras, de pequeno a médio porte, perto de metade dos eleitores afirmam que acompanham as informações políticas ou de suas cidades através de Facebook (em primeiro) e conversas com amigos e parentes (me segundo lugar). E a grande maioria faz uso das redes sociais e dessa fração a grande maioria usa WhatsApp. Minha conclusão: WhatsApp tem sido muito usado entre parentes e amigos como meio de comunicação e disseminação de notícias, incluindo as políticas. Assim, não é exagerado afirmar que mais da metade do eleitorado se informa politicamente, hoje, através de Facebook e WhatsApp, As candidaturas que souberem (e que já fazem) montar suas campanhas em torno dessa base terão mais chances de vitória. Aquelas que basearem suas campanhas na propaganda eleitoral gratuita em rádio e TV deverão ter uma desagradável surpresa, pois uma minoria se orienta através desses meios tradicionais de comunicação.
A aliança do centrão com a candidatura de Alckmin isola as candidaturas de Ciro Gomes e do PT e se posiciona contra as de Bolsonaro e Marina. De um lado os partidários do antigo regime de 1989/2018, e do outro os que se colocam contra esse velho regime.
Com a aliança f**a impossível Alckmin se posicionar a favor da Lava Jato, mas não signif**a que todos os cidadãos que apoiam a Lava Jato vão necessariamente votar em Marina ou Bolsonaro. Certamente não votarão em Alckmin (ao se aliar com o centrão ele queimou essa ponte de aproximação). Aécio venceu a parada nos lados do PSDB.
O quadro ainda é de muitas incertezas e dependerá do desempenho dos candidatos nas respectivas campanhas. Mas creio que é muito alta a probabilidade de um percentual expressivo do eleitorado continuar sem candidatos quando chegar o dia da votação no primeiro turno.
Estamos chegando no início das campanhas e as candidaturas para a presidência estão se definindo.
Bolsonaro vai começar a campanha em boa vantagem, pois sua intenção de votos lhe garante, hoje, um lugar no segundo turno. Por outro lado, ele terá pouco tempo na propaganda eleitoral gratuita e estará totalmente dependente da mobilização de seus apoiadores, em especial nas redes sociais. Pode funcionar.
Marina também está em boa situação nas pesquisas eleitorais e das candidaturas mais tradicionais é a única que sobreviveu à faxina da Lava Jato. Como Bolsonaro, ela terá pouco tempo de propaganda eleitoral e também f**ará na dependência de seus apoiadores nas redes sociais. Parece-me que sua militância é menos numerosa que a de Bolsonaro.
Ciro Gomes está em uma situação crítica, pois se apresenta como um candidato de esquerda visando atrair o eleitorado petista, órfão de Lula, mas nas últimas semanas ensaiou uma aproximação com o centrão através de Rodrigo Maia. Porém, sua incontinência verbal recheada de palavrões acabou por afastar essa possibilidade. Prevejo muitas dificuldades para o secesso dele no primeiro turno.
Geraldo Alckmin é outro em situação crítica, em decorrência de ser uma candidatura tradicional e de um partido tradicional que foram atingidos pela Lava Jato. Está com menos de dois dígitos às vésperas do início da campanha e aposta tudo na propaganda gratuita, ainda mais depois de ter acertado o acordo com o centrão. Mais da metade do tempo da propaganda será dele. Mas em tempos de redes sociais a importância da propaganda gratuita caiu bastante e esta campanha será curta. Ele terá que mais que duplicar seu percentual de votos. Tarefa muito difícil.
Finalmente, o candidato do PT. Uma incógnita e que largará com baixo conhecimento do eleitorado (em uma campanha curta) e na dependência da capacidade de transferência de votos de um presidiário. Uma situação bem crítica.
Hoje Adriano Cerqueira foi entrevistado ao vivo no Jornal das Sete da rádio Itatiaia. A entrevista foi sobre as conversações para o novo Ministro da Justiça bem como a indicação de Alexandre de Moraes para o STF. O áudio da entrevista é este:
http://www.itatiaia.com.br/uploads/audios/file_2/45/531/39526/cientispolitico.mp3
Rádio Itatiaia - Pagina não encontrada A Rádio de Minas
31/01/2017
Como articular os pensamentos de Maquiavel, Rousseau, Kant e Weber em uma perspectiva teórica válida para os tempos atuais?
No meu curso "Conceitos Clássicos da Ética Política" eu respondo afirmativamente a essa questão identif**ando seus elementos fundamentais nos conceitos de Virtú (Maquiavel), Vontade Geral (Rousseau), Esclarecimento (Kant) e Ética da Responsabilidade (Weber). Esses conceitos apontam para uma capacidade humana de intervir na realidade visando a eficácia e discutindo seus limites em termos de causar o bem ou o mal para as demais pessoas. Qual deve ser o limite para uma ação que se vai empreender?
Interessados favor responder este formulário:
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Curso: Conceitos Clássicos da Ética Política Professor: Adriano Cerqueira (Diretor de GIGA Instituto e prof. de Administração Pública da UFOP)
09/01/2017
Publico hoje o quadro atual de preferência nos cursos que serão ofertados. O total de citações é 59. O gráfico com a ordem de preferência ficou assim:
É possível articular elementos fundamentais dos pensamentos de Maquiavel, Rousseau, Kant e Weber em uma perspectiva teórica válida para os tempos atuais?
No meu curso "Conceitos Clássicos da Ética Política" eu tento responder afirmativamente a essa questão. Para tal, eu identifico os citados elementos fundamentais nos conceitos de Virtú (Maquiavel), Vontade Geral (Rousseau), Esclarecimento (Kant) e Ética da Responsabilidade (Weber). Esses conceitos apontam para uma capacidade humana de intervir na realidade visando o alcance de uma eficácia e discutindo seus limites em termos de causar o bem ou o mal para as demais pessoas. Qual deve ser o limite para uma ação que se vai empreender?
Quem estiver interessado venha conhecer nosso curso.
O curso Conceitos Clássicos da Ética Política terá textos de autoria do prof. Adriano Cerqueira para cada autor e conceito trabalhados. Será um texto de duas laudas, aproximadamente, que funcionará como um breve roteiro argumentativo para ajudar o debate sobre os conceitos.
Cada texto estará editado no formato pdf.
A oferta de cursos abertos é uma realidade no mundo.
Algumas das mais importantes universidades dos Estados Unidos já oferecem:
Harvard: https://www.extension.harvard.edu/open-learning-initiative
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Essa é apenas uma pequena amostra.
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