04/04/2020
Não é preciso desesperar, cobrando da escola conteúdo para as crianças não "ficarem pra trás": aprender não é só receber conteúdo. A criança está aprendendo, e muito, com toda essa situação. Talvez não conteúdos para passar no vestibular, mas para a VIDA.
Essa crise pandêmica é completamente diferente de tudo que já aconteceu. A criança tem chance de ver os pais lidarem com seus medos, e de aprender a lidar com os seus. Tem chance de aprender resiliência, caridade, flexibilidade, foco em micro soluções e autorregulação. É muito aprendizado em tempo real!
Vou além: se os pais são interessados em leitura, são curiosos, são minimamente voltados para seu próprio desenvolvimento intelectual, essa criança terá o exemplo e a motivação para ser assim também, mesmo que em último caso ela saia prejudicada esse ano (e não será a única!). O mundo não será o mesmo depois disso tudo. Por que ainda estamos presos a uma falsa normalidade?
É preciso liberar os professores da tarefa amarga de se reinventarem, sozinhos, no meio do caos. É preciso liberar a criança da obrigação de sentar por 4 horas por dia para fazer exercícios. É preciso liberar as mães de MAIS esse trabalho em casa. Escolas, conversem com os pais, sugiram atividades que visem integração, ludicidade, leveza. Artes, música, escrita livre. As gestões das escolas devem pressionar o MEC para que decisões não sejam tomadas de forma unilateral.
Na minha opinião, essa crise é uma oportunidade maravilhosa de repensar a educação que nossos filhos recebem, a lógica de criar crianças para passar no vestibular, no caso da privada, e de criar crianças para serem rodas da produção, no caso da pública. Por uma educação desalienada, crítica e que forme cidadãos preparados para mudar o mundo, não se mesclar a ele.
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