29/09/2026
"Israel amava mais a José."
A Bíblia não esconde o favoritismo dentro das casas de fé. Jacó cresceu em um lar no qual o pai preferia Esaú e a mãe o preferia. Depois repetiu com os próprios filhos aquilo que aprendeu, e a túnica dada a José foi só o sinal visível de uma preferência que todos já sentiam.
O texto registra o resultado: "Vendo, pois, seus irmãos que o pai o amava mais que a todos os outros filhos, odiaram-no e já não lhe podiam falar pacificamente" (Gênesis 37.4).
Repare no que a preferência produziu. Não apenas tristeza, mas silêncio entre irmãos. O que deveria ser vínculo virou disputa por um amor que parecia limitado.
"Eu amo todos os meus filhos" pode ser sincero e, ainda assim, conviver com diferenças que precisam ser revistas. Há filhos cujo jeito combina mais com o nosso. Outros exigem negociações que nos cansam. Reconhecer essa facilidade ou dificuldade ajuda a perceber como ela interfere nas decisões.
Antes de explicar que "não existe preferência", escute quando um filho disser que se sente tratado de outra maneira. Peça um exemplo. Talvez haja um critério legítimo que precisa ser explicado. Talvez exista uma injustiça que precisa ser corrigida.
Evite transformar a conversa em uma votação sobre quem recebe mais. Cada filho precisa de espaço para falar sobre a sua experiência.
Um bom começo é perguntar, em particular: "Tem alguma situação em que você sente que eu não escuto você direito?".
A história de José não termina na túnica. Deus preserva aquela família e reconcilia os irmãos, e isso é esperança para nós: o favoritismo pode ser interrompido em uma geração. Nenhum de nós foi escolhido por Deus por ser o filho mais fácil.