29/04/2026
História: Dia 1º de Maio de 1986/ Kiev, Ucrânia Soviética – A “ Marcha dos Mortos “
No dia 26 de abril de 1986, ocorreu o acidente nuclear na Usina atômica de Chernobyl, na Ucrânia soviética, onde o reator 4 explodiu, liberando grandes quantidades de elementos radioativos na natureza. O Governo soviético, na época, liderado por Mikhail Gorbachev ignorou os apelos do Secretário geral do Partido Comunista na Ucrânia, Volodymyr Shcherbysky, sobre os perigos da radiação nuclear na capital Kiev e ordenou a realização da marcha para o dia do Trabalho na avenida Khreshchatyk, principal avenida da capital Kiev, onde mais de 120 mil pessoas participaram das celebrações do Dia do Trabalho. Este episódio ficou conhecido na História como a “ Marcha dos Mortos “, pois os participantes absorveram grandes quantidades de radioatividade vindas de Chernobyl, principalmente de Césio-137, muito perigoso para os seres vivos e, uma vez contaminadas, começaram a sofrer dias depois com os sinais da exposição a mesma radioatividade, tendo seus corpos queimados e destruídos pela ação radioativa, homens, mulheres, crianças e idosos, vindos a falecer posteriormente e terrivelmente de vários tipos de cânceres, leucemia e outros males advindos da exposição a radioatividade massiva. Duas semanas depois, Mikhail Gorbachev, fortemente pressionado pelo Ocidente, fez um discurso em cadeia de rádio e televisão, anunciando o acidente nuclear na Usina de Chernobyl, reconhecendo os perigos da radioatividade sobre a União Soviética e parte do continente europeu, passando depois a cuidar das pessoas contaminadas pela radioatividade na Ucrânia e em Belarus, as repúblicas soviéticas mais atingidas por essa tragédia. Para muitos ucranianos, a “ Marcha dos Mortos”, ocorrida em 01 de maio de 1986, sob imposição do autoritarismo soviético, da sua intransigência ou mesmo da esclerose do seu sistema socialista, foi um crime contra os cidadãos ucranianos, que pagaram com as suas vidas, pelos erros e imperfeições do socialismo soviético.
Analise feita pelo Prof. (Esp.) de História, Filosofia, Sociologia, Ciência Política e de Relações Internacionais Glauber Sávio Silva.
Imagens: Google.