19/04/2026
O debate sobre crise climática costuma ser apresentado como um problema global, mas seus impactos são profundamente desiguais.
Mulheres e crianças indígenas estão entre os grupos mais afetados porque sua sobrevivência depende diretamente do território, dos rios, da floresta e dos ciclos naturais que vêm sendo interrompidos por desmatamento, mineração e mudanças climáticas. Quando esses sistemas entram em colapso, o impacto não é abstrato. Ele aparece na dificuldade de acesso à água, na insegurança alimentar e no aumento da vulnerabilidade social.
Ao mesmo tempo, são esses mesmos territórios indígenas que apresentam alguns dos melhores índices de preservação ambiental do país. Estudos mostram que áreas protegidas e terras indígenas são fundamentais para conter o avanço do desmatamento na Amazônia.
Essa contradição revela um ponto central: quem menos contribui para a crise climática é quem mais sofre com seus efeitos.
No caso das mulheres indígenas, essa realidade é atravessada também pela violência de gênero, pela exclusão de políticas públicas e pela invisibilidade institucional. Falar de direitos, portanto, não é apenas reconhecer garantias legais, mas questionar por que elas não são efetivamente asseguradas.
O Dia dos Povos Indígenas não pode ser tratado como uma data comemorativa. Ele precisa ser um momento de reflexão sobre território, poder e responsabilidade. Porque preservar a floresta não é apenas uma pauta ambiental. É uma condição para a continuidade da vida.