31/03/2024
31 DE MARÇO DE 1964 – 60 ANOS DO GOLPE MILITAR
Lula não quer que o governo celebre ato para relembrar o golpe que os militares deram no país em 64. Desde o início do governo, Lula vem tentando se reconciliar com os militares (não seria o contrário?). A atual conjuntura de avanço do pensamento conservador e reacionário em todo mundo, obriga os historiadores a recuperar a essência da concepção dialética da história. A História não existe para ser esquecida, pelo contrário, ante esse obscurantismo perpetrado por grupos políticos ultraconservadores e reacionários de direita no mundo todo merece resposta dura. Não é satisfatório que essa data passe por esquecimento, sobretudo quando um presidente que foi perseguido e enquadrado na Lei de Segurança Nacional da ditadura militar, como é o caso do Lula, instrui seu ministro dos Direitos Humanos a cancelar qualquer ato que possa hostilizar os brios dos militares. É preciso recordar sempre para nunca mais esquecermos que os militares perseguiram e mataram milhares de brasileiros e nunca pagaram por seus crimes. O golpe de 64 e seus protagonistas não produziram heróis e sim facínoras. “Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo 'tal como ele propriamente foi'. Significa apoderar-se de uma lembrança tal como ela cintila num instante de perigo”, afirma Benjamim. Lembremos que nesses últimos quatro anos um presidente entusiasta da tortura aviva a memória dos brasileiros invertendo os fatos da história, de que o que aconteceu no Brasil a partir de 1964 até 198, segundo a ótica dos militares seja a história verdadeira e, portanto, a única certa e, em certos casos, a única possível. Sob uma aparente uma verdade delineia-se uma história, uma narração que obedece a particulares interesses. Por fim, soa muito estranho que Lula “levado” pela história torta do golpe militar, ao invés de encorajar seus ministros a exercitar a memória, a história com a participação dos testemunhos da época, para que os brasileiros conheçam a verdadeira história, Lula rasga elogio àqueles que deram a quartelada no país, afirmando que tem “carinho” pelas Forças Armadas, só para não tensionar a relação com os militares. Que estratégia é essa de se calar diante da história minimizando esse nefasto acontecimento da história?
Qui amat periculum, in illo peribet.