11/05/2020
O que ela tem que eu não tenho?
“A rivalidade-cumplicidade feminina se circunscreve em torno da falta na mulher. Ou seja: diante da falta, a outra será sempre um possível referencial, seja ele bélico ou amistoso.
Poderíamos arriscar dizer que a mulher se veste daquilo que ela crê que a outra mulher está revestida: a feminilidade. A roupa, as joias, os acessórios podem revestir, para a outra mulher, o valor do significante que lhe falta. Diante da falta, tais revestimentos lhe dariam uma insígnia possível da feminilidade. Ao procurar uma roupa para si, a mulher talvez, esteja perscrutando numa outra mulher. Ao vestir a mesma roupa, ela se coloca como tão desejável aos olhos do homem quanto ela crê que a outra é.
Em Freud, a inveja é um elemento princeps no psiquismo da mulher, sendo ele um fator importante nas relações entre as mulheres.
Colorido com as tintas da inveja, o elo entre as mulheres é bastante intenso, à medida que é marcado por querer ser a outra ou ter o que a outra possui.”
Arte: