17/04/2026
“Os Testamentos: das Filhas de Gilead”
A série recém-lançada retoma o universo distópico de Gilead — iniciado no livro “O Conto da Aia”, de Margaret Atwood, e aprofundado em “Os Testamentos” — para além da denúncia evidente da violência, convidando-nos a observar algo ainda mais inquietante: os mecanismos sutis e estruturais de controle sobre as mulheres.
Em Gilead, não basta retirar direitos — é preciso reprogramar destinos.
A educação das meninas é deliberadamente limitada. O acesso às ciências é negado. A leitura é proibida. O saber, que poderia ser ferramenta de autonomia, passa a ser tratado como ameaça. Em seu lugar, institui-se uma verdadeira pedagogia da submissão: formar esposas, mães e cuidadoras, jamais sujeitas plenas de conhecimento e decisão.
Ao mesmo tempo, o discurso conservador atua como elemento legitimador desse projeto. Sob a aparência de ordem, moralidade e tradição, consolida-se uma estrutura em que homens concentram poder político, religioso e simbólico — enquanto às mulheres resta a obediência como virtude.
“Os Testamentos” nos lembra que regimes autoritários não se instauram apenas por grandes rupturas, mas sobretudo pela naturalização de pequenas privações — especialmente quando direcionadas aos corpos, às vozes e aos saberes das mulheres.
Mais do que uma distopia, um alerta.
13/04/2026
Dívida não é vergonha. E, muitas vezes, não é falta de controle — é uma situação que fugiu do que era possível.
A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) existe justamente para isso: para reorganizar o que saiu dos trilhos e garantir que você não perca o direito ao básico enquanto tenta resolver o que deve.
E o primeiro passo é mais simples do que parece: é só conversar.
Estamos aqui para isso.
07/04/2026
Dica de leitura da semana: O Acontecimento, de Annie Ernaux.
Mais do que um livro, é um relato cru e necessário. Com uma escrita direta, quase cortante, Ernaux reconstrói a experiência de um ab**to clandestino na França dos anos 60 — em um contexto em que o corpo feminino era, de forma ainda mais explícita, controlado pelo Estado e pela moral social.
A força da obra não está apenas na história individual, mas no reconhecimento coletivo que ela provoca. Ao narrar sem rodeios o medo, a solidão e a violência atravessadas nesse percurso, a autora rompe o silêncio que historicamente nos foi imposto. E é justamente aí que reside sua potência: transformar uma experiência íntima em memória compartilhada, permitindo que outras mulheres se reconheçam, nomeiem e elaborem vivências que, muitas vezes, permanecem isoladas.
Ler O Acontecimento é também encarar o quanto as tentativas de controle sobre nossos corpos e escolhas não são episódios do passado, mas estruturas que se atualizam continuamente. É uma leitura que incomoda — e, por isso mesmo, é tão importante.
Você já leu Annie Ernaux? Conta pra gente nos comentários.
30/03/2026
Saúde mental no trabalho não é “opcional”.
A atualização da NR-1 oficializou o que a gente já sabia: os riscos psicossociais precisam estar no papel e na prática das empresas.
E aqui vai um ponto importante: o de olhar para isso com perspectiva de gênero.
A sobrecarga e o assédio atingem as mulheres de forma desproporcional. Um gerenciamento de riscos que não enxerga isso é apenas uma formalidade vazia — e perigosa para o caixa da empresa.
Maio de 2026 está logo ali. Mais do que cumprir a norma, é sobre construir um ambiente onde o trabalho não adoeça quem o faz.
24/03/2026
Muitas vezes, o medo de denunciar vem de uma dúvida dolorosa:
“E se ele for afastado de mim, mas continuar tendo acesso às crianças?”.
Precisamos falar sobre a extensão das medidas protetivas. No nosso dia a dia aqui no escritório, defendemos que a violência doméstica nunca atinge uma pessoa só. Quando a proteção alcança os filhos, fechamos as portas que o agressor usa para manter o controle emocional e o monitoramento sobre a sua vida.
Não é um “favor” ou uma gentileza do judiciário; é o cumprimento da lei que deve garantir proteção integral à família.
Você sabia que pode (e deve) incluir seus filhos no mesmo pedido de proteção?
Se tiver dúvidas sobre como funciona o pedido de extensão de medidas, deixe seu comentário ou nos envie uma mensagem. Estamos aqui para orientar.
20/03/2026
Em conflito, muita gente só quer respirar de novo, e é aí que decisões importantes podem ser tomadas no modo automático. O papel da orientação certa é tirar o peso da improvisação e colocar clareza no caminho: cenário, risco e consequência. ⚖️
Conhece alguém passando por isso? compartilhe. 🔁
18/03/2026
Quando a violência acontece em casa, ela não termina ali. Ela impacta saúde, segurança, rotina e até a permanência no trabalho. ⚠️
Empresa madura não improvisa: cria caminho seguro, acolhe com sigilo e age com responsabilidade. Dignidade humana também é pauta de gestão. ⚖️📌
Salve e compartilhe para circular essa informação onde ela precisa chegar. 🔁
13/03/2026
Consulta jurídica não é “bate-papo”. É o momento em que o seu caso ganha clareza com escuta e análise técnica. ️
O Direito depende de fatos, provas e enquadramentos jurídicos. E orçamento sério também depende de entender o cenário completo.
No fim, a consulta não é formalidade.
É a base da sua segurança jurídica!
11/03/2026
No Pará, além da DEAM presencial e da Delegacia Virtual, há um canal que pode ser acionado por WhatsApp. Isso permite registrar ocorrência e pedir medidas protetivas sem sair de casa, quando não houver risco imediato.
Disque Denúncia – “Iara” (WhatsApp): (91) 98115-9181
Você pode enviar texto, áudio, fotos, vídeos e localização. O atendimento garante sigilo e anonimato.
05/03/2026
Dia 8 de março é um lembrete duro: o valor da nossa vida ainda é questionável.
Quando a violência vira “detalhe”, “exagero”, “mal-entendido” ou “caso isolado”, o recado é claro: é a sociedade escolhendo a conveniência do silêncio.
Hoje não é sobre flores.
É sobre lutar contra a estrutura que normaliza a violência e exige que mulheres e meninas vivam com medo.
Que seja um dia de compromisso e mudança de verdade.