24/02/2022
Nascida na Argentina de pai espanhol e mãe descendente dos Incas, fiquei muito triste por não ter aprendido a língua da minha mãe (quíchua) e só ter falado espanhol em casa.
Minha vida inteira senti que alguma coisa estava faltando, uma parte de mim ficou desconhecida depois de perder minha língua materna.
E acabei estudando inglês desde criança por ter sido essa a única língua accessível naquela época.
Logo depois de finalizar o Ensino Meio nos Estados Unidos,(1996) fui diplomada de Maestra de Inglês e estudei Arquitetura na Universidade de Buenos Aires.
Teve experiência dando aulas de inglês para adultos em Argentina mas teve minha primeira experiência trabalhando com crianças numa creche bilíngue Espanhol-Alemão em Berlim (Alemanha). Em paralelo, trabalhei no bilinguismo das crianças mistas (Latino-Alemão) de forma particular na mesma cidade.
Em Paris (França) trabalhei fazendo imersão em inglês para famílias francesas e crianças de diversas nacionalidades durante as férias escolares e os finais de semana, além de trabalhar como professora particular de espanhol para adultos.
Depois de ter adquirido a nacionalidade francesa e o Diploma de Língua Francesa, continuei dando aulas para adultos em Brasil mas considero que a aprendizagem das línguas deveria começar, se for possível, na infância. Sobre todo as crianças mistas, elas têm maior possibilidade de se tornar bilíngues ou multilíngues quando começam cedo.
Hoje sou trilíngue Espanhol-inglês-francês e falo Alemão, Português e Italiano.
Quando nasceu minha filha, decidi me aprofundar nos estudos dos métodos de aprendizagem do bilinguismo, fui assistindo encontros e aulas de diversas associações na Europa e estudando diversos textos práticos e científicos, com o objetivo de criar um método que me permitisse ajudar minha filha no seu bilinguismo tentando não repetir a minha história.
Hoje ela é trilíngue Espanhol, Francês e Português, fala inglês, com 12 anos foi a única criança da turma de Japonês da UFSC (hoje está no sétimo semestre de japonês e planeja passar um tempo, no Japão como estudande de intercambio).
Durante a pandemia matriculei ela numa escola online na França e fui a professora.
Foi depois dessa magnífica experiência que nasceu a ideia de criar um espaço onde as crianças possam adotar uma língua, uma cultura e uma forma de pensamento bilíngue utilizando o mesmo método natural. O que permite também reforçar (de acordo com estudos científicos) as capacidades em concentração, expressão e empatia.
As línguas não são unicamente a possibilidade de ter um emprego melhor, elas guardam a alma dos povos, a história e a cultura. Quanto mais línguas falamos, melhor conseguiremos compreender e respeitar as outras pessoas.
Crianças brasileiras, estrangeiras ou mistas, será um prazer recebê-los no meu pequeno Chalé Bilíngue.
Natalia