Infâncias, pesquisas e cotidiano

Infâncias, pesquisas e cotidiano Olhares e percepções de uma professora a partir do cotidiano na Educação Infantil em que as crianças são as protagonistas em suas construções e descobertas.

Na Educação Infantil, muito mais importante que ensinar a memorizar letras ou famílias silábicas é priorizar situações q...
02/06/2024

Na Educação Infantil, muito mais importante que ensinar a memorizar letras ou famílias silábicas é priorizar situações que despertem a curiosidade sobre as palavras, sua sonoridade, seus significados em seus usos sociais.
O cultivo da cultura escrita (e não o treinamento para esta) perpassa o lugar simbólico e material que o escrito ocupa na sociedade e, portanto, na Educação Infantil, compreende a experiência, os saberes e as situações cotidianas em que a escrita se torna relevante e necessária às crianças, a fim de que tenham desejo por aprender esta outra forma de linguagem.
Nessa perspectiva, compreender o processo de desenvolvimento da criança em sua progressiva investigação sobre a linguagem escrita, reconhecendo as oportunidades de aprendizagem envolvendo o levantamento de hipóteses e a escrita espontânea se torna base para o planejamento de espaços, materiais e da mediação docente qualificada na Educação Infantil.

Documentação e texto por Dri Rorato

14/05/2024
Que neste recomeço, nada importe mais que o tempo presente, o tempo da conexão com as crianças pelo brincar! Que o afeto...
08/02/2024

Que neste recomeço, nada importe mais que o tempo presente, o tempo da conexão com as crianças pelo brincar!
Que o afeto se faça presente, traduzido no cuidado, no respeito e na organização de contextos convidativos a estas primeiras relações.
Que o vínculo se constitua pelo toque zeloso, pelo colo, pelo sorriso, pelas palavras respeitosas, pelo acolhimento às emoções e aos tempos de cada um(a).
Que o DIREITO de aprender pelo BRINCAR se efetive a cada dia na Educação Infantil (e que nos Anos Iniciais a construção de uma pedagogia lúdica nos inspire e nos provoque a considerar que a infância não termina aos 6 anos!).

Uma conversa sobre criticidade e cuidado, coragem e humildade, amizade, apoio e disponibilidade...Uma conversa sobre PAR...
21/05/2023

Uma conversa sobre criticidade e cuidado, coragem e humildade, amizade, apoio e disponibilidade...

Uma conversa sobre PARTICIPAR enquanto direito de aprendizagem, experiência a ser vivida cotidianamente na Educação Infantil...

Uma conversa sobre aprender em companhia, exercitar a empatia, ser escutado e ter sua voz legitimada, dialogar e assim, aprender e ensinar

Sim, sou do grupo que acredita que a Educação Infantil acontece nos detalhes, nos ínfimos e maravilhosos detalhes cotidi...
25/08/2022

Sim, sou do grupo que acredita que a Educação Infantil acontece nos detalhes, nos ínfimos e maravilhosos detalhes cotidianos que só quem consegue se conectar pelo afeto percebe com profundidade (mesmo em meio ao caos, porque ele acontece muitas vezes, todos os dias).
A Educação Infantil que eu acredito acontece:
Quando Alice cuidadosamente arruma o novo penteado de Kayke...
Quando Heloiza percebe que o tênis da profe está desamarrado e se oferece para atá-lo, celebrando esta que é uma conquista recente para ela!
Quando Vitinho e Luiz Flávio podem "rebocar" o muro da praça porque "a profe deixa pegar água pra brincar com terra"...
Quando Lucas Samuel aprende com Évilyn como se balançar sozinho...
Quando Anthony representa a "história viva" que inventamos e caracteriza cada personagem com detalhes únicos em sentido para nós...
Quando Manuella simboliza o "ser professora" por meio de uma sessão investigativa sobre o esqueleto, tendo as bonecas como "alunas"...
Quando Derick se desafia a registrar o nome de uma amiga que não veio à escola, única e exclusivamente pela possibilidade de demonstrar afeto...
Quando Thiago, Christofer e Derick se responsabilizam por limpar e organizar os materiais de pintura com tanta dedicação e cuidado...
Celebro o "dia da Educação Infantil" com alguns instantâneos das crianças nos últimos 10 dias, carregados de aprendizagens, mas também consciente de que estamos ainda, enquanto nação, muito distantes de oferecer infraestrutura, materiais, formação e condições de trabalho para os profissionais desta etapa desenvolverem um trabalho pedagógico de qualidade.
É preciso investir, é preciso assumir a formação acadêmico-profissional dos professores como processo permanente, é preciso valorizar a autoria docente, é preciso respeito e compreensão do valor da Educação Infantil, que não precisa adotar/comprar "modelos" mas que se (re)inventa pelo compromisso/ conhecimento dos profissionais que nela atuam.

E no top 10 das frases que mais escuto de adultos, em especial de colegas do campo da educação, bageenses ou não, quando...
19/05/2022

E no top 10 das frases que mais escuto de adultos, em especial de colegas do campo da educação, bageenses ou não, quando vêem/visitam a sala do pré 2:

" - Mas só tem 2 mesas? Onde as crianças sentam?"
" - Nossa, mas que sala grande!"
" - Não parece uma sala de pré."
" - Tu não faz folhinha?!"
" - Deve dar muita bagunça..."
" - Mas eles só brincam o tempo todo?! Não tem atividade?"
" - Tu deve passar juntando brinquedo!"
" - Tua sala é bem 'Montessori' né?!"
" - Que legal esses tijolinhos... pra quê esses cones coloridos?"
" - Eu me sinto tão bem na tua sala. Sempre quero vir aqui. Dá vontade de brincar também."

Por trás de cada pergunta/comentário, diferentes concepções sustentam os posicionamentos sobre o que é educação infantil, quem são as crianças de 5 a 6 anos, como elas aprendem, o que é ser docente na pré-escola na contemporaneidade, concepções de espaços, tempos, materialidades, agrupamentos, metodologias..

Olhar para esta sala te incomoda/inquieta/inspira de algum modo ?!


"Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?!"Ao falar de planejamento numa perspectiva projetual, muitas vezes parece que a...
11/04/2022

"Quem veio primeiro: o ovo ou a galinha?!"

Ao falar de planejamento numa perspectiva projetual, muitas vezes parece que as discussões rodam em círculos e tentamos responder a um enigma: escutamos para planejar ou planejamos para escutar?!
Não há resposta simples, porque o movimento é complexo: quando o planejamento está alicerçado na criação de contextos potentes, na abertura para o que as crianças apresentam, entendendo suas relações, invenções e necessidades como o cerne da escuta sensível, estamos em meio a uma trama, que nem de longe é linear!
Distante de olhar para "o ovo" ou para "a galinha", acredito que precisamos encontrar conexões, costurar junto com as crianças esta trama única em significados e possibilidades: assumir a autoria de nossas aprendizagens, narrar e documentar nossos percursos, criar memórias que dêem visibilidade às nossas pedagogias!

Um   de março de 2020 me fez pensar sobre o chavão do "acolhimento" em lugar da "adaptação"...Se nossas práticas ainda s...
17/02/2022

Um de março de 2020 me fez pensar sobre o chavão do "acolhimento" em lugar da "adaptação"...

Se nossas práticas ainda são sustentadas pela ideia de que em um curto período de tempo todas as crianças precisam/vão "se ajustar" às lógicas instituídas pela escola;

Se continuamos pensando na jornada da Educação Infantil como um tempo contínuo, em que todas as crianças, desde o primeiro dia, precisam chegar e sair no mesmo horário (a não ser que chorem muito - ou em alguns lugares, mesmo que chorem, sua permanência é condicionada pelo relógio);

Se ainda planejamos "atividades" em que esperamos que todas as crianças "parem" ao mesmo tempo e se envolvam com o mesmo interesse direcionado pelo adulto (muitas vezes empobrecido e limitado à mesa e alguns objetos);

Será que estamos mesmo pensando a escola das infâncias sob a ótica do acolhimento?!

Uma documentação simples que evidencia as discussões sobre a diversidade, partindo das interrogações das crianças sobre ...
22/11/2021

Uma documentação simples que evidencia as discussões sobre a diversidade, partindo das interrogações das crianças sobre si, sobre as materialidades, sobre o mundo, num contexto em que são escutadas e provocadas cotidianamente.
Porque nenhuma discussão pode esperar o 'dia tal' ou a 'semana tal' - o calendário "institucionalizado" não pode nos aprisionar: a vida na escola das infâncias pulsa o tempo todo, cabe a nós entrarmos nessa cadência e não tentarmos controlar seus batimentos.

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