16/11/2022
Depois que os bebês nascem, somos nós, seus cuidadores, que explicamos a eles o mundo: contamos quem são, as possibilidades que têm pela frente, os caminhos que podem seguir. Quem são os outros, como lidar com eles, como se localizar no contexto social e interagir com esta ou aquela pessoa.
Essa relação de confiança absoluta que se estabelece faz com que as frases que dizemos aos filhos tenham um peso enorme. “A gente não educa só quando explica como comer com talher e dizer ‘por favor e obrigado’. Ensinamos, também, o que é amor, respeito e como consegui-los, quem nossos filhos são, como merecem ser tratados”, diz a educadora parental Elisama Santos (BA), autora do livro Educação não violenta (Editora Paz e Terra). “As crianças nos copiam, aprendem por imitação”, esclarece a neurocientista Claudia Feitosa-Santana, pós-doutora em neurociências pela Universidade de Chicago e professora da Fundação Dom Cabral e da Casa do Saber (SP). “Não conhecemos como se dá a formação da personalidade de cada indivíduo, mas sabemos que, quanto melhores as pessoas com quem interagem, melhor ele pode se tornar”, conclui.
É na primeira infância que o cérebro dos nossos filhos fará mais conexões, as chamadas sinapses, do que em qualquer outra etapa da vida – cerca de 700 a mil por segundo. Amor, carinho, aconchego e palavras positivas funcionam como combustível para o bom funcionamento desse órgão. Por isso, devem ser usados sem moderação. “São as interações, desde cedo, das crianças com os outros e, particularmente, com a família e com as pessoas que cuidam delas que estabelecem os padrões das conexões neurais e o equilíbrio químico. Tudo isso influencia quem elas vão ser, o que serão capazes de fazer e como irão reagir diante do mundo.” Essa afirmação consta do relatório A transição dos cuidados na primeira infância, do Unicef.