10/02/2020
E quando a criança faz birra... Qual postura devemos tomar!?
As birras são aprendidas com muita facilidade!
Quando a criança quer alguma coisa e nós (mães, pais, responsáveis, professores, etc.) dizemos "NÃO", comumente ela começará a chorar, bater, gritar, espernear, enfim, aquele escândalo que a maioria já passou ou presenciou (conhecemos bem isso)! Portanto, mais comum que o choro das crianças é a tendência que nós adultos temos de dar a elas aquilo que querem no intuito de controlar a situação.
O fenômeno é bastante simples: Quando a criança quer algo e nós falamos não a criança chora. Quando a criança chora e nós damos aquilo que ela quer, ela percebe que o choro deu certo. É assim que nascem, crescem e se reproduzem as birras no dia a dia.
Normalmente as birras começam a acontecer por volta de um ano e meio ou dois anos de idade e, dependendo da forma como lidarmos com a situação, da nossa postura frente as birras, elas podem perdurar até os nove ou dez anos de idade. A birra é a manifestação de duas emoções: Raiva e medo. Ou seja, ela evidencia a frustração da criança, e é uma das primeiras formas que a criança encontra de expressar seus medos e desejos.
Enquanto educadores e responsáveis, nós precisamos ensinar a criança a falar e expressar de forma adequada àquilo que elas estão pensando e sentindo. Ensinar a criança a entender e expressar o que sente não costuma ser uma tarefa fácil, principalmente quando a criança ainda não aprendeu a falar direito.
Quando a criança é muito pequena, como podemos ensinar?
Ex: Se ela quer mexer em um determinado objeto que não pode (é algo que quebra ou que pode machuca-la) nós podemos mudar o foco da criança, desviar a atenção dela para um outro objeto que ela possa pegar e, mesmo que ela ainda não fale ou não compreenda direto, é interessante falar com ela, de forma calma e clara "isso você não pode pegar mas, você pode brincar com esse ou com aquele" (dê mais de uma opção para a criança enquanto muda o foco e a atenção dela), essa é uma forma de "manejar a birra".
E se, mesmo tentando desviar a atenção da criança, ela começar a chorar, gritar e fazer birra?
Ex: Pare o que estiver fazendo e dê um abraço na criança, daqueles que confortam, e diga a ela que está tudo bem, que ela pode se acalmar, aguarde o tempo que for preciso no abraço e insista nos outros objetos que ela pode brincar.
Com as crianças que já sabem se comunicar, que já são mais grandinhas, nós podemos aproveitar o momento da birra para aprender um pouco mais sobre nós mesmos.
Quando a criança faz birra, é muito normal ficar irritado, entretanto, nesses momentos, manter a calma é fundamental, afinal, se estivermos estressados e fora de controle não vamos conseguir acalmar e nem controlar ninguém.
Ex: Quando a criança estiver pondo para fora todas aquelas emoções, podemos abaixar, ficar na mesma altura que a criança e dizer "olha, o papai (ou a mamãe, professora, professor, tia, tio, avô etc.) não está conseguindo entender você desta forma agora, então, vou esperar você se acalmar e quando você se acalmar, pode vir falar o que você quer, assim eu vou conseguir te entender melhor". Saia de perto da criança um pouco (ignore a birra, evite dar tanta importância para o problema) e aguarde, te garanto que uma hora a birra vai acabar. Quando a criança vier perto de você, sem choro, sem grito, sem birra, retome o assunto, faça com que ela perceba a diferença, com que ela perceba que vai ter sua atenção sem precisar da birra, pergunte "O que você queria dizer naquela hora? Conte agora!", isso, aos poucos, vai mostrar para criança que existem outras formas, formas mais adequadas de se comunicar e expressar aquilo que se quer, sem que precise do choro, mostre para ela que chorar e gritar não vai ajudar.
Na medida em que a criança começar a testar, a desenvolver esse comportamento "mais adequado" (conversar), precisamos reforçar isso, ou seja, vibre, elogie, mostre para ela que é dessa forma que ela será ouvida, que ela ganhará sua atenção e será compreendida. É importante pontuar que, existem alguns "disparadores de birras", que nós precisamos atender as necessidades das crianças em cada uma das fases de seu desenvolvimento. Ex: A criança que está com sono, está com fome ou que está doente, ela tende a fazer mais birras ou ficar mais manhosas mesmos, isso é perfeitamente normal, então, evite sair com a criança para ambientes desinteressantes para ela (casa de amigos, shopping etc) se ela estiver cansada, com fome ou com dor.
Outra dica é: "FAÇA COMBINADOS COM A CRIANÇA"
Antes de sair, converse e combine com a criança, diga a ela como você espera que ela se comporte, Ex: "Nós vamos ao mercado e você vai ver brinquedos e doces nas prateleiras mas hoje nós não podemos comprar nenhum doce e nenhum brinquedo, tudo bem? Da última vez você chorou no mercado. Se desta vez você não chorar, depois do mercado a gente vai fazer um passeio e brincar no parquinho, combinado!?"
Se a criança for mais grandinha, ela vai começando a prestar atenção e, aos poucos, vai entendendo os benefícios de não fazer birra.
Impor limite, regras e rotinas é muito importante para as crianças, é a melhor maneira de transmitir segurança a elas.
Aos profissionais da saúde e educação ou estudantes universitários que gostariam de saber qual o embasamento ou quais abordagens foram utilizadas para fundamentar a publicação, usamos tanto os saberes da psicologia histórico-cultural de Lev Vygotsky quanto as bases do Behaviorismo radical de B. F. Skinner.
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