Professor André Rech

Professor André Rech Professor André Rech leciona Filosofia e Ensino Religioso na rede municipal de Arroio do Sal e Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso na rede estadual.

Professor de Filosofia, Sociologia e Ensino Religioso na rede municipal de Arroio do Sal e na rede estadual do RS.

06/06/2025
Dia 26/08 usei a tribuna da Câmara de Vereadores de Arroio do Sal - RS para esclarecer os boatos em relação ao livro "O ...
28/08/2024

Dia 26/08 usei a tribuna da Câmara de Vereadores de Arroio do Sal - RS para esclarecer os boatos em relação ao livro "O avesso da pele". As pessoas que usaram as redes sociais e que estariam na escola "na segunda no primeiro horário" ainda não apareceram...
Mas ainda nesta semana farei um boletim de ocorrência e terão que provar o que afirmaram. Aprenderão da pior forma que injúria e crime e tem punição.

Diretor da EEEM José de Quadros, de Arroio do Sal/RS, fala sobre polêmica envolvendo o livro "O avesso da pele" na Câmara de Vereadores do município.

24/06/2024

DESCULPEM, MAS NOSSA IGREJA HÁ OUTROS POETAS E COMPOSITORES ALÉM DOS CANTORES LOUVADORES !

Pe Zezinho scj ||||||||.|||||…||||||||||||
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Não é a primeira e não será a última que jovens discípulos da linha pentecostal católica fazem uma lista dos cantores , compositores de canções de LOUVOR ignoram quem veio muito antes deles.

Ignoraram Pe José Weber , Pe Irala, Irmã Miriam , Zé Vicente e eu e mais de 20 autores de canções de doutrina social .

Para eles não existimos . Resumem suas canções a apenas canções de louvor !

Parece que a vertente do louvor eterno são as únicas catequeses cantadas da nossa igreja .

A vertente do Cristo compassivo e misericordioso também é cristianismo católico .

Há catequistas e cantores que seguem a Gaudium et Spes de dezembro de 1965 ! E seguem mais de vinte encíclicas papais sobre justiça social e direitos humanos . E nenhuma delas é comunismo .

São canções de quem se importa com o sofrimento humano .

Os líderes desses meninos e meninas cantoras deveriam explicar que já havia catequese cantada cinquenta anos antes deles e que,

na Bíblia e na Igreja Católica , não existem só canções de louvor, . Há outras canções de solidariedade . Poderiam musicar o Magnif**at, o Canto de Ana, o de Zacarias e mais de 50 profecias sobre as dores do povo hebreu .

Mais de 120 salmos falam de um povo sequioso de liberdade e de justiça ! Muitas datam de 3000 atrás .

Faz tempo que além de louvar , nossa Igreja canta canções de solidariedade, de doutrina social e de canções de dores e de esperança.

Os mentores padres, que certamente estudaram a Bíblia e os documentos sociais da Igreja , deveriam mostrar a esses meninos cantores e músicos , também a teologia da libertação e da salvação .

Não é tudo louvor eterno na Bíblia . Nem por isto são canções comunistas .

As listas desses meninos só tem compositores e cantores de louvor .

Ora, a igreja é mais do que isto ! Aprenderam errado em mestres errados . A Bíblia tem hinos e salmos de dor, esperança e de libertação . Jesus morreu numa cruz e não é à toa que carregamos cruzes no peito ! Deveríamos também cantar essas dores que cantam os direitos humanos .

Há milhões de brasileiros cujas despensas e geladeiras estão praticamente vazias . Há brasileiros e latino americanos que vão dormir com fome e passam anos desempregados . E há crentes em Jesus morrendo por ler a Bíblia ou por cantar um Jesus fraterno.

Está hora de cantar também a teologia da solidariedade, da misericórdia e da compaixão !

Documentos não faltam , mas quase nunca são lidos . Não estão nas estantes deles . Preferem louvar e louvar e louvar .

É falta de estudo e de leituras de outros livros entre os 73 da nossa Bíblia !… Não resumam tudo a louvar e louvar e louvar . É bom, mas não é tudo !

Pensar... Perder-se nos pensamentos...Voltar a pensar... Pensar conscientemente...Perder-se nos pensamentos de novo.São ...
30/04/2024

Pensar...
Perder-se nos pensamentos...
Voltar a pensar...
Pensar conscientemente...
Perder-se nos pensamentos de novo.
São tantas conexões,
Tantas lembranças...
Tantas sinapses.
O cérebro humano,
Um universo, individual...
Ou parte ativa do universo?
Ou o projetor do universo?
Pensar...
Perder-se nos pensamentos!

Erdna Cher

Hoje sabemos que na verdade é como se o ser humano tivesse dois “eus” diferentes.Podemos chamar um deles de “eu experien...
22/11/2023

Hoje sabemos que na verdade é como se o ser humano tivesse dois “eus” diferentes.
Podemos chamar um deles de “eu experiencial”, o eu que vive o instante. É o eu que está tendo a experiência de ler este livro agora. Os estudos sugerem que ele tem uma duração de cerca de três segundos — ou seja, é extremamente presente; portanto, experiencial.
Temos um segundo eu que podemos chamar de “eu projetivo”. É o eu que pensa sobre a vida, olhando para fora do agora. Olhando para trás (para o que chamamos de passado) e para a frente (para o que chamamos de futuro).
Perceba que existe uma parte de nós, experiencial, que vive. E outra que é projetiva, ou seja, que pensa sobre a vida. Em outras palavras, viver e pensar sobre a vida, do ponto de vista psicológico, são duas coisas muito diferentes.
Só que uma coisa não é mais importante do que a outra. Na verdade, o importante é saber compreender as características desses diferentes “eus”. Afinal, se são diferentes, signif**a que aquilo que vai fazer o eu experiencial feliz não necessariamente faz o mesmo pelo eu projetivo. De fato, sabemos hoje que as condições de felicidade do eu que vive são fundamentalmente diferentes das condições de felicidade do eu que pensa sobre a vida.
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Então o que faz cada um desses nossos diferentes “eus” feliz?
O eu projetivo, como vimos, é o eu que pensa sobre a vida. Isso signif**a que ele vive de histórias. Olhar para o passado é contar uma história do que já foi. Olhar para o futuro é contar uma história do que se acredita que virá a ser.
O que faz essas histórias felizes são os objetivos e as conquistas. É olhar para o passado e enxergar conquistas de valor; olhar para o futuro e enxergar objetivos de valor.
Tem muita gente que diz: “Dinheiro não traz felicidade! Conquistas profissionais não trazem felicidade!”. É incorreto dizer isso.
Dinheiro e conquistas profissionais são, para muita gente, objetivos importantes, valiosos. Muita gente olha para o passado e enxerga valor em suas conquistas profissionais e financeiras.
No caso do dinheiro especif**amente, quanto mais for usado para comprar experiências e não meramente coisas, maior será o valor percebido pela pessoa. Afinal, uma experiência é uma história, e o eu projetivo vive de histórias. É por isso que estudos mostram reiteradamente que viajar é uma forma muito boa de gastar dinheiro — pois é gastar dinheiro com uma experiência.
Nesse sentido, conquistas profissionais e financeiras podem sim trazer felicidade — para um pedaço de nós, para esse pedaço de nós que pensa sobre a vida. O problema obviamente é quando alguém acredita que só isso será fonte de felicidade. Aí cometemos um grande equívoco.
Existe outro elemento importante para a felicidade do eu projetivo, que chamamos de “signif**ado”. Uma vida com signif**ado é uma vida na qual você sente que pertence a algo maior e mais importante do que você. Muita gente encontra isso na religião, na espiritualidade e na família. Alguns encontrarão no trabalho. Pessoas que praticam atividades filantrópicas ou algum tipo de ativismo social frequentemente encontram nessas atividades uma grande fonte de signif**ado.
É fácil notar que nossa sociedade é expert em prometer felicidade para o eu projetivo. Desde que nascemos, somos bombardeados com objetivos para conquistar. Entrar na escola, tirar nota boa, passar de ano, passar no vestibular, entrar na melhor faculdade, conseguir o melhor estágio, ser efetivado, ganhar dinheiro, encontrar um grande amor, conquistar a casa própria, casar, ter filhos, ter sucesso profissional... Além disso, somos rodeados de potenciais fontes de signif**ado: nossa família, nossa igreja, nosso emprego e por aí vai.
Não importa se você nasceu numa família simples ou em Dubai. A única coisa que mudará são os objetivos e potenciais conquistas oferecidos. Obviamente os objetivos e conquistas do filho de um bilionário serão diferentes daqueles oferecidos ao filho de um morador da periferia. Ainda assim, desde que nascemos, nos são oferecidos muitos objetivos e potenciais conquistas.
Acontece que temos um outro eu — o eu experiencial. Como vimos, ele é muito diferente do eu projetivo. Esse eu experiencial está preocupado em viver, enquanto o eu projetivo se ocupa em pensar sobre a vida.

Pedro Calabrez

HÁ ALGO DE BOM? (Em ser professor)Voltamos à questão inicial: por que eu continuo sendo professor? Eu tenho clareza sobr...
18/07/2023

HÁ ALGO DE BOM? (Em ser professor)

Voltamos à questão inicial: por que eu continuo sendo professor? Eu tenho clareza sobre alguns pontos dessa questão. O primeiro ponto é de curto prazo: gosto de estar entre pessoas e de lidar com elas. Sim, o inferno são os outros, ensinou-nos o amargo Sartre. O que o francês esqueceu-se de afirmar é que o paraíso também está no outro. Lidar com gente, com alunos, em geral mais jovens do que eu, traz uma energia inovadora. Saio de uma aula (quase sempre…) melhor do que entrei. Ali, ocorre uma interação, nem sempre fácil, mas sempre muito forte.
Lidar com gente pode ser bom, pelo menos para os que gostam desse tipo de trabalho, mas não me manteria no magistério. Há muitas profissões que lidam com gente, de massoterapeuta a recepcionista. Eu lido com gente, com alunos, mas lido transformando e sendo importante na vida deles. Acredito que o conhecimento transforma. Por quê? Porque me transformou. Minha visão de mundo, minhas formas de interagir com os outros, minhas opções políticas, minhas convicções religiosas: não existe um único aspecto da minha existência que não dialogue com meus anos de estudo e formação. Quando sou professor, eu quero, em última instância, que meus alunos também saiam transformados. Sei que, como a morte pode derrotar o médico, a ignorância pode frustrar meus esforços. Há coisas que não controlo. Há resultados que não obtenho, no entanto luto para obter.
Eu brinco com meus alunos dizendo que há momentos de reações “bovinas”. É quando você desvenda um mistério para um aluno. Ele entendeu finalmente a equação de Euler? Ele percebeu a origem dos termos direita e esquerda na política a partir da Revolução Francesa? Ele conseguiu ler uma expressão complexa em inglês? É a hora que muitos fazem: hummmm. É a hora da reação bovina.
Há o choque imediato do conhecimento. Aquele que nasce de uma informação clara e direta ou de uma habilidade nova. Mas há um momento mais interessante. Este precisa de mais sensibilidade. É a mudança de médio e de longo prazos que, por vezes, podemos acompanhar. É um aluno que entrou conosco fazendo pouco ou nada e cresce diante de nós. É algo mais estrutural no intelecto ou no corpo dele que só podemos notar com certo distanciamento. Esta, talvez, seja a parte mais tocante do magistério. Deve ser similar ao momento que o oncologista anuncia ao paciente: agora, após cinco anos, posso afirmar que você está curado do câncer que o afligia.
Tantas vezes, ao final do terceiro ano do ensino médio ou ao final da graduação, eu pude indicar a um aluno: lembra como você entrou aqui? Lembra-se das suas dificuldades? Lembra como essa coisa simples o assustava e agora você faz com toda facilidade?
Sempre estou diante de uma opção subjetiva e pessoal. Sem perder meu senso de realidade, opto por apostar no melhor possível. O que signif**a isso? Meus fracassos me educam e me alertam. As vezes em que, em vez de educar, eu fui grosseiro ou mau professor; ações que existem em grande quantidade. Cada fracasso meu (por culpa minha, ou da escola, ou do sistema ou de tudo um pouco) serve como indicação e advertência. Mas, deliberadamente, opto por não me prender aos fracassos. Opto por lembrar as coisas boas e positivas. Se eu fosse médico, estaria dizendo: já perdi pacientes, mas opto por lembrar as vidas que salvei. Se eu fosse Jesus, estaria elogiando a fidelidade de João e não a traição de Judas.
Falei do curto prazo. Mas quem dá aulas há mais tempo, tem uma outra experiência: o longo prazo. Profissão de resultados lentos, o magistério é quase imperceptível nos seus frutos ao final de um ano, ainda que eles existam. Falo daquela coisa pela qual todos os professores com 10 ou 20 anos de trabalho já passaram. Encontrar um aluno, muitas vezes que lhe deu um trabalho louco, dizer a você numa esquina da vida: suas aulas me marcaram para sempre. Um aluno meu que brigou muito comigo no ensino médio me disse exatos 20 anos depois, num reencontro: queria que meus filhos tivessem aula com você. Bem, não conheço os filhos dele e isso pode até ser uma forma sofisticada de vingança póstuma, mas quero entender que ele julgou importante ter tido aula comigo e queria que seus filhos, seu bem mais precioso, tivessem a mesma experiência. Minha ação foi compreendida nos seus objetivos… vinte anos depois. Superadas provas, superadas tensões, superadas as brigas por disciplinas (ou por dr**as ou por violência e outras coisas), surge uma visão mais clara do que eu propunha.
O centro da reflexão talvez seja este. O brilho de ser professor é a nossa relevância. Não existe sociedade sem aulas. Não é possível fazer nada no mundo sem professores. Todos os médicos, engenheiros, políticos, operários especializados foram, por alguns ou muitos anos, alunos. Todos tiveram professores. É um exército invisível. Vemos as obras prontas: o paciente curado, a máquina construída, o texto escrito e esquecemos que atrás de cada autor há um professor. Somos a malha invisível que dá coesão social.
Leandro Karnal

SOMOS TODOS “CHORÕES PROFISSIONAIS”?Você vai descobrir logo: nós, professores, reclamamos muito da nossa profissão. Reco...
18/07/2023

SOMOS TODOS “CHORÕES PROFISSIONAIS”?
Você vai descobrir logo: nós, professores, reclamamos muito da nossa profissão. Reconheço: há certo narcisismo em toda reclamação. Nossa vaidade exige que até nossos problemas sejam os maiores do mundo. Ninguém sofre tanto como o professor, pelo menos na nossa versão de professores. É preciso um pouco de perspectiva. Cada função tem uma carga positiva e negativa a considerar. Os médicos são despertados, com frequência, no meio da noite por pacientes ansiosos. O erro de um médico leva à cadeia. O engano do engenheiro pode tirar vidas. Você se acha tenso cuidando da prova de 45 adolescentes? Imagine a tensão do controlador de voo com 45 aviões piscando na sua tela. Seu aluno é difícil? Imagine a função do responsável por um presídio. Alcoolismo, suicídio e outras formas de escape de funções estressantes são mais frequentes entre médicos do que entre professores. Só há uma reclamação comum a todas as profissões: ganha-se pouco em troca do esforço.
Se você está começando, a maioria desses problemas não aparecerá de imediato (fora o salário). Por exemplo: é provável que você tenha desenvolvido certa curiosidade como aluno sobre o funcionamento do conselho de classe. O que será que eles discutem lá dentro? Então, o primeiro conselho de classe será como entrar no “Santo dos santos”, a parte mais cheia de mistério e força do Templo de Jerusalém. Profissionais, adultos, discutem e votam o destino de muitos, por vezes centenas, jovens estudantes. Como transcorrerá isto? Eu diria que de muitas formas. Às vezes, são muito boas. Consigo uma visão mais ampla do aluno. Sei que ele é preguiçoso em Matemática, todavia adora Português. O conselho pode ser (e tantas vezes foi para mim) uma chance de conhecer mais meu aluno e ser mais justo com ele. Mas, muitas vezes, o conselho é ruim mesmo, cansativo, demorado, com mais fofocas pessoais sobre os alunos do que debates pedagógicos. Alguns professores deixam claro que o momento do conselho é uma vingança pessoal contra alguns alunos. Outros, em redes de ensino pagas, negociam sua permanência no cargo aprovando todos e defendendo a direção. Alguns deixam claro que não conhecem absolutamente ninguém. Com o tempo, você deixará de amar conselhos de classe. O mistério está desfeito. Resta o cotidiano…
Talvez isso seja o mais difícil de definir. Como numa relação, o começo tem dificuldades, mas predominam as descobertas. Você, pela primeira vez em família, escuta alguém lhe chamar de “professor”. O título é algo notável. Implica respeito. Na rua, uma senhora aponta para você e anuncia: você dá aula para minha filha. Isso é bom no começo. Mas preciso predizer aqui: haverá um dia em que você não ouvirá você dá aula para minha filha, mas… você deu aula para minha mãe. Segundo um professor meu da universidade, o dramático é quando você ouve: o senhor deu aula para minha vó…
Este é o ponto para avaliar uma função. Vale a pena de verdade? Difícil responder com uma palavra apenas. No entanto, é preciso lembrar que toda função entra num ritmo de repetição. Quase todo professor passará por muitas escolas. São raros os que f**am a vida inteira em uma única instituição. Seja por escolha do profissional ou da mantenedora, seja por resultado de um concurso ou casamento, seja por mudança ou tédio: você peregrinará por muitas instituições. A cada nova instituição, especialmente nos anos jovens da carreira, você sentirá renovações. Algumas coisas são melhores do que na experiência anterior. Mas haverá um momento sério e dramático que quase nada novo se apresentará.
Todos nós procuramos uma zona de conforto. Desejamos coisas que transmitam segurança. Isso implica, quase sempre, que você entrará num momento em que a repetição dominará sobre a criação. Claro que, alguns colegas, reagindo ao declínio físico e mental, bradarão com energia que, apesar da idade, são muito mais dinâmicos que muito jovem professor. Fuja deles: esta frase é um sintoma claro do fim…
A zona de conforto ocorre de muitas maneiras para o professor. A primeira é que você estereotipa, padroniza os comportamentos. A aluna que nada faz, o “nerd”, a aluna genial, aquela que se insinua para os colegas, o brigão, o esforçado, o bonitinho, o riquinho, o do fundão, o de letra incompreensível, o reclamão, o psicopata: todos estarão em moldes conhecidos depois de uma década ou duas. Alguns professores chegam a confundir signif**ado e signif**ante: “todo Rafael para mim é bagunceiro”… ou “toda Ludmila é estranha”… O mesmo ocorrerá com colegas, diretores, orientadoras vocacionais, semana de planejamento, conselhos de classe e pais furiosos. É quase automático. A luz original dá lugar ao clichê.
A outra forma de “acomodação” é fruto de certa sabedoria. Um jovem professor começa a carreira com ambiguidades sobre qual lado da trincheira ele habita. Os jovens se escandalizam quando observam um velho colega gritando com um aluno, porque uma parte deles ainda tem raiva dessas histerias. Um jovem professor é, em parte, um velho aluno. Inevitavelmente, a maioria, por experiência ou corporativismo, passa para o outro lado. Torna-se, para o bem e para o mal, inteiramente professor.
O que acontece? Diminui, sem dúvida, a vontade de mudança radical. Na maioria de nós, essa vontade acompanha os anos ambíguos da juventude. O jovem professor ensina mais do que sabe. Signif**a que ele tem uma energia superior tanto ao seu conhecimento como a sua capacidade de transmiti-lo. Vamos percebendo que as coisas mudam pouco, ou lentamente, ou não mudam.
Vou dar um exemplo. Tive um orientando que escrevia mal do ponto de vista da clareza e da regra formal. Assustado com o resultado diante de uma banca, passei dias com ele corrigindo, linha a linha, a bendita dissertação. Fiz o que, profissionalmente, seria um serviço de revisão. Não era minha função, mas decidi que era o que eu faria. Deu muito trabalho. Líamos a frase em voz alta para ver se ela tinha adquirido, enfim, sentido. Feita a defesa, dois professores elogiaram o texto, dizendo que era raro um texto daquela qualidade no mestrado. Resposta do meu orientando: “É, mas meu orientador acha que eu escrevo mal”… Vontade de esganar o infeliz. Impulsos homicidas afloram com intensidade. O que aconteceu? Mesmo sabendo que isso era um caso isolado, foi difícil indicar soluções de texto na próxima dissertação ou tese. Em determinado momento, todo professor que eu conheço sente que prega no deserto, que fala para ninguém, ou que é pouco efetivo o que faz. Quando isso se repete ao longo de muitos anos, f**a difícil, muito difícil mudar de atitude.
Em algum momento, somos invadidos pelo “grande cansaço”. Não é apenas o cansaço físico que, sim, aumenta ano a ano. Mas é um cansaço com o próprio essencial da educação. Claro que a maioria não vai declarar isso. Pega mal falar que não vale a pena. Em público, especialmente diante de pessoas com cargos na instituição, anormal é dizer o quanto você se entusiasma hoje mais do que há 35 anos. Exemplo muito concreto: as primeiras provas bimestrais que eu corrigi foram lidas logo após o término da avaliação. Eu estava muito curioso para saber como eles tinham ido. Claro, como todo jovem, tinha também colocado uma questão de avaliação das aulas que eu lia com avidez. Hoje, demoro mais para ler provas. Tento sempre corrigir com a honestidade e o rigor, mas confesso que a pilha diminui mais lentamente do que eu gostaria.
Isso, lógico, deve ser comum a todas as funções. É preciso dizer a quem quer seguir qualquer carreira: há momentos de cansaço estrutural. Atinge mais a uns do que a outros, mas quase ninguém está isento. No entanto, preciso também dizer que, comparando com outras funções, as que lidam com seres humanos em formação vivem isso em grau menor. Aquele peso que Kafka coloca nos burocratas da sua obra, aquele tédio pétreo e uniforme, é quase impossível no magistério.
Lidar com jovens é lidar com a novidade. Quem trabalha com crianças e adolescentes, ou mesmo com jovens adultos, descobrirá que está mais atualizado com gírias, com aparelhos eletrônicos, com cantores e outras coisas que a média das pessoas com a mesma idade. Sim, existe cansaço e existe repetição, mas sejamos justos: grande parte desse cansaço pertence à vida e não ao magistério em particular.
Há funções de criação (como pintores ou compositores) que resistem à aposentadoria. Quem cria, em geral, morre criando e encontra sentido nisto até o final. Pensando em gênios de primeira linha, como Beethoven e Monet, eles vão até o fim lutando e produzindo. Beethoven surdo e Monet cego, dois impedimentos para suas funções de músico e pintor, lutaram com energia até o momento derradeiro. Precisavam trabalhar porque aquilo era mais do que trabalho, era vida e era sua comunicação consigo e com o mundo.
No outro oposto disso, estão as funções repetitivas, mecânicas e mal pagas. É o operário de Tempos modernos de Charles Chaplin, que interrompe o que faz no instante exato do apito de fim de expediente. É o burocrata cinza que conta os dias e meses para a aposentadoria, carimbando e morrendo um pouco a cada vez. São zumbis que morreram há anos, porém aguardam o laudo oficial chamado aposentadoria.
O magistério encontra-se no meio desses dois polos. Por um lado, contém criação, invenção, lida com o novo e com o conhecimento. É algo vivo porque implica sensibilidades do espírito e é renovado pela própria renovação dos alunos. Todo professor é obrigado a dar respostas originais ao desafio de ensinar e, mesmo sem o traço da Nona Sinfonia ou das Ninfeias do impressionista, fazemos sons e criamos cores muito interessantes.
Por outro lado, há algo de repetitivo e de burocrata no magistério. Diários, médias, relatórios, padrões, reuniões: isso nos empurra para baixo, aproxima-nos do mecânico-burocrático. Os baixos salários também nos solidarizam com o operário de Chaplin.
Assim, estamos entre os artistas e os burocratas, pagando nosso preço a cada um destes universos. Pesquisadores de ponta de grandes centros, que também dão aulas, conseguem usufruir um pouco mais do lado artístico criador. Um professor de ensino médio que tem 60 horas semanais de aulas consegue entender mais o burocrata. No meio, a maioria de nós.
Leandro Karnal

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