07/09/2022
Aqui é Paula Groff, do antigo Instituto Groff.
Pois é, gente, do antigo.
Sonhos, feito o ar, ficaram cada vez mais rarefeitos, e os espaços que tínhamos para esse projeto foram se estreitando, até virarem brechas e enfim, nada mais que frestas. Encerramos nossa estadia em Búzios.
Com certeza erramos muito no caminho. Achamos que bastava tentar fazer uma escola boa, bastava cada aula ser uma peça composta com muito carinho e atuada com liberdade por todos que ali estivessem, que seria eterno. Aquela história batida, de cultivar o jardim que as borboletas viriam. E talvez não tenha sido um erro. Foram milhares que somaram conosco por esses 13 anos, desde os frequentadores mais casuais aos mais engajados. Erramos em não aceitar virarmos parte de alguma franquia? Provavelmente. Erramos por ser puristas, erramos por inexperiência, erramos por idealismo, por manjar muito pouco de contabilidade. Mas se não tivéssemos todos esses erros agora, na bolsa, dificilmente seríamos quem nos tornamos.
Tivemos muitos sucessos, também. Gente que foi morar em cantos estranhos do mundo. Trabalhadores que podem receber os turistas em inglês. Gente que pôde encontrar o amor sem barreiras linguísticas. Gente que entrou na faculdade. Estudantes formados professores.
Eu gosto de pensar que tivemos mais sucessos que fracassos, mas nesse momento, preciso recuar, e deixar o presente virar história pra tentar entender realmente o que aconteceu.
Eu vou sentir falta de cada estudante, de cada evento, de cada aula ao ar livre.
Eu vou sentir falta de cada professor que emprestou seu talento e sua disposição para ensinar inglês, francês, espanhol, português, holandês e nos últimos tempos, italiano.
Eu vou sentir falta da bagunça de uma escola que não importa o quanto arrumássemos, acumulava latas de tinta, papéis e itens bizarros.
Eu vou sentir falta de cada gato e cachorro que teve seu lar temporário lá até encontrar seu definitivo.
Eu vou sentir falta de uma pequena torre de babel, escondida atrás de um mar de flores na Cesar Augusto de São Luiz, no número que a gente inventou, o 165, porque não vinha na escritura.
Eu vou sentir falta de tomar café com o carteiro e contratar todos os estagiários que o nosso caixa não podia pagar, só porque arrumar primeiro emprego não é fácil.
Eu vou sentir falta de cada erro, cada acerto, e tudo que existe na hesitação entre esses dois extremos.
Espero que tenhamos feito algo juntos do qual você possa sentir falta, também.
Tchau.