15/04/2023
SOBRE A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS Tenho lido e escutado muitos equívocos sobre a violência que ronda as escolas. E se não conseguirmos identificar a dimensão da violência, também faremos intervenções equivocadas. Uma pessoa com uma extensa ficha criminal; um sociopata; uma pessoa em surto psicótico grave ou usuário de substâncias químicas pode, com qualquer arma em punho, matar ou colocar pessoas em risco num ônibus (como aconteceu meses atrás, em Piracicaba); no supermercado (meses atrás, em Araraquara). Não há como prever. Por isso, medidas de segurança são importantes dificultando, ao máximo, o acesso de pessoas estranhas ao ambiente escolar. Nesse caso, o agressor nada tem a ver com a escola.
Contudo, temos a violência praticada por alunos ou ex-alunos. E, aí, há de se entender que não é a escola que é violenta: ela é só o reflexo da sociedade. Muitos menores são vítimas de violência; outros, totalmente negligenciados pela família. O problema é muito mais grave e complexo - e não tão simples de resolver como colocar um detector de metais na escola e achar que essa é a solução. Cada escola precisa identificar os casos de agressão e os alunos agressores e buscar ações conjuntas com o Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, Saúde e outras instituições da comunidade para acompanhar e dar suporte necessário a cada caso. Enquanto vendamos os olhos e não percebemos os impactos da violência intrafamiliar ou da negligência, teremos isso: medidas paliativas que dão alguma sensação de segurança quando, na verdade, o problema só tende a crescer e se voltar contra nós, de alguma outra forma. Paz na escola começa quando a escola conhece cada aluno. Por fim, um apelo: não criem pânico nas crianças mostrando a escola como um ambiente inseguro e hostil: isso pode prejudicar o desenvolvimento e a saúde emocional delas. Miriam Oliveira- Psicopedagoga; Analista de Comportamento; Especialista em Neuroeducação e Neuropsicologia; Pesquisadora do Fenômeno da Violência Contra Crianças e Adolescentes