25/07/2016
Não sei como começar, nem sei porque irá terminar. Hoje, trago aqui palavras íntimas de uma das administradoras da página e um amigo, nos responsabilizamos por tudo que for dito aqui. Como começar? Será que devemos ter aquela emoção para tocar vocês e ver que realmente estamos tristes por tudo o que está havendo e por não sermos ouvidos ou sermos rudes o suficiente para que entendam que não estamos apenas brincando de bater o pé por algo que é nosso por direito ou ainda sermos diretos para que entendam que a conversa é curta e grossa? Realmente, não sei...
Eu acredito no ontem, porque o ontem me fez acreditar no amanhã. O ontem que me guiou até o espelho através do qual olhei meus próprios olhos e pude ver quem era e pra onde queria ir. O ontem que deu asas a meus sonhos. Eu acredito em um ontem que era só meu, um ontem que era, ainda, presente e futuro de tantas outras pessoas. Hoje, apenas ontem, apenas hoje. Não mais amanhã. Foi nesse reflexo que vimos muito o que mudar e que até deveríamos manter. Foi nesse reflexo que miramos num futuro e traçávamos nossos passos, nossos sonhos.
O sonho de muitos estudantes é ingressar em uma universidade pública e não há como negar que as escolas públicas estão (ruim das pernas), parece que a frase não foi terminada mas deixamos a mensagem entrelinhas. E é uma pena que o ensino com 176 aprovações de alunos em universidade pública, agora se perca. Não estamos crucificando o integrado, mas há de se preservar o direito de escolha, porque muitos são os que não têm a vontade ou possibilidade de fazer um ensino médio regular integrado a um técnico, não são todos que podem passar o dia inteiro na escola pois precisam ajudar na renda familiar ou ainda fazer seu estágio, não são todos que priorizam sair com dois diplomas.
O Industrial é referência no conceito escola PÚBLICA na região de Araraquara e, apesar do nome, não forma apenas peões de fábrica, é capaz de formar seres pensantes também (talvez seja isso que incomode tanto).
Dos amigos que fiz aos trabalhos que me tiraram do sério, desde revistas a esculturas, de paródias a filmes (filmes com direito a trailer em outras línguas), de danças típicas brasileiras a portfólios em inglês, da formulação de um sarau a semana ambiental, de relatórios a vídeos minuto... Como dizer que todos esses trabalhos e vivências não me fizeram somar como pessoa, não me fizeram pensar em como trabalhar em grupo, tudo fez parte de um crescimento que eu não poderia nem sequer imaginar antes do industrial.
Não sei se ainda posso acreditar no ontem, porque o ontem está me fazendo duvidar do amanhã. O ontem que me guiou até o espelho através do qual olhei meus próprios olhos e, agora, não estou mais podendo ver quem eu era e pra onde quero ir. O ontem que dava asas aos meus sonhos está se esvaindo, todos os reflexos estão sendo distorcidos. Aquilo que foi meu espelho e refletia meus sonhos está sendo, agora, massacrado em mil pedaços. 7, 70, 700 anos de azar para a sociedade brasileira, que insiste em menosprezar e sucatear a educação pública.
Foi através de uma carta
contamos a vocês
"Esse Ensino Médio Regular pode acabar"
e é através de frases soltas
(que alguns chamarão de poesia)
possivelmente estão nos tirando o sonhar.