03/05/2022
O ato da leitura pode nos possibilitar o entendimento do mundo em que vivemos; mas, para o próprio processo de leitura, devemos portar conosco uma bagagem de percepções das coisas presentes ao nosso redor, a fim de que esta se relacione com o que é percebido na leitura da palavra. Por conseguinte, a leitura não deve ser vista apenas como um processo de decodificação da língua, mas com o identificar de algo que está além do signo linguístico e que enriquece nossa visão de mundo, levando-nos, dessa forma, a passar por experiências ainda não vividas.
Sabemos que a nossa percepção de mundo se inicia a partir da nossa infância e evolui de acordo com o nosso amadurecimento pessoal e intelectual. É nesse ínterim que o ato de ler torna-se um dos fatores primordiais em nossas vidas, pois leva-nos a pensar e a analisar a realidade em que vivemos e o ser que somos.
Entre a leitura e a percepção está o objeto: o livro. No nosso caso, tratemos da literatura infantil, cujo estatuto artístico carece, ainda, de reconhecimento tanto pelo seu valor estético, visto a preponderância de certa função didática que descaracteriza seu caráter ficcional, quanto do seu papel mediador de formação humana e literária. Por isso, mais do que um instrumento pedagógico, especialmente, de dominação ideológica, as obras infantis produzidas devem ser vistas pertencentes ao reduto seleto da Literatura, mediando a experimentação do mundo e auxiliando na ordenação das vivências na medida em que estas se realizam para as crianças.