13/05/2026
EM ARAQUARI
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AUDIÊNCIA PÚBLICA REVELA AS DEFICIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO NA CIDADE QUE MAIS CRESCE EM SC
A falta de vagas e as condições estruturais das escolas de educação básica das redes municipal e estadual de Araquari foram o foco de uma audiência pública promovida pela Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa (Alesc), na noite da terça-feira (12), no auditório do Instituto Federal Catarinense (IFC).
O objetivo foi promover um diálogo entre comunidade escolar, gestores públicos, profissionais da educação, estudantes e famílias sobre os principais desafios enfrentados pela educação básica do município.
A deputada Luciane Carminatti (PT), que preside a Comissão de Educação, destacou que Araquari, hoje com mais de 52 mil habitantes, teve um crescimento demográfico superior a 110% nos últimos 16 anos e que esse ritmo acelerado não foi acompanhado pela oferta de serviços públicos, sobretudo na área da educação.
Em vistoria recente a uma unidade de ensino local, ela declarou ter f**ado impressionada com a grande quantidade de alunos em uma mesma sala. “As carteiras chegam até o quadro onde o professor dá aula, ou seja, os alunos estão empilhados nas salas”, observou a parlamentar.
FALTAM MAIS ESCOLAS - A cidade conta com 39 unidades escolares. A rede municipal conta com nove escolas de ensino fundamental e 20 Centros de Educação Infantil. A rede estadual tem nove unidades focadas no Ensino Fundamental II e Ensino Médio. E o IFC – Campus Araquari referência em ensino técnico e superior. Mas existe a necessita de mais escolas considerando que salas que deveriam receber 30 alunos estão com 42.
Representando a Secretaria de Estado da Educação, a coordenadora regional de Educação de Joinville, Sônia Terezinha Leandro Paul, afirmou que atualmente o Estado atende, em média, 5.890 alunos em Araquari, entre o 6º ano e o Ensino Médio. Ela confirmou que o governo planeja construir uma nova escola na cidade, com capacidade para receber 1.400 alunos e contando com equipamentos como biblioteca, laboratórios, auditório e ginásio de esportes.
SITUAÇÃO PREOCUPANTE - Aluno do 9º ano na unidade, Henrique Andressen de Braga confirmou a situação. “A minha sala está superlotada, não dá para ver o quadro direito. Quem está lá no fundo não consegue ver o quadro, que f**a sempre borrado. Agora também temos ar-condicionado, mas, com a sala cheia do jeito que está, não resfria e o calor é intenso.”
Para o estudante, a situação acaba refletindo na qualidade do aprendizado. “Eles querem nota boa e aprendizagem boa, só que, com o que está acontecendo agora ali, com superlotação, não dá para aprender. O professor faz um esforço danado, mas, mesmo assim, não conseguimos.”
Outras unidades de Araquari apontadas como em situação semelhante foram a EEB Professor Higino Aguiar e a EEB Titolívio Venâncio Rosa.
FALTAM PROFISSIONAIS - A presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Araquari, Kátia Regina Cardoso da Silva confirmou que a cidade teve um crescimento acelerado e sem planejamento, principalmente na educação, onde as ações acontecem quando existe uma crise. Ela entende que a falta de proximidade e diálogo entre a gestão e os servidores não resultam em soluções reais e necessárias.
A líder sindical confirma a falta de mais escolas, mais salas de aula – que resulta em superlotação de alunos, falta manutenção nas unidades escolares bastante depredadas, faltam professores, pois muitos estão afastados em tratamento de saúde por causa de estresse, ansiedade, exaustão por excesso de trabalho. “Existe a necessidade de realização de concurso público para a contratação de mais profissionais, urgente”, lembrou.
GESTÃO MUNICIPAL - Já o presidente do Conselho Municipal de Educação, Aldair Nascimento Carvalho, que representou a Prefeitura de Araquari na audiência, disse que, “de 2024 para cá, nós construímos duas unidades de ensino de educação básica de anos iniciais, que é a clientela que nós atendemos imediatamente. Claro que, obviamente, a educação infantil. E nós temos, sim, uma ampliação prevista para a região do Centro, onde hoje vem apontando como sendo um lugar mais procurado, e essa região do Porto Grande também.”
Ele disse ainda que a gestão municipal tem se empenhado também em contratar novos profissionais para atender às demandas da educação local.
PROVIDÊNCIAS - Diante dos problemas levantados durante a audiência, a deputada Luciane Carminatti afirmou que já iniciou tratativas com o Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina para que o órgão oriente a Prefeitura de Araquari sobre a melhor forma de realizar os investimentos necessários, a fim de garantir que a educação no município atenda adequadamente às necessidades da população.
A deputada Carminatti afirmou ainda que a Comissão de Educação vai atuar para a criação, em Araquari, de um fórum municipal de educação, com a finalidade de fiscalizar e acompanhar o cumprimento, pela prefeitura, das metas do Plano Nacional de Educação, atualmente estabelecidas para os próximos dois anos. (Com informações da Assessoria de Comunicação da Alesc)