16/09/2017
Forte com os fortes, fraco com os fracos
Noite escura. Ruas desertas. O silêncio da noite da favela se rompe. Um homem prevalecendo-se da sua força arrasta um garoto. Murmúrios e dor, de um lado, e de prazer bizonho, de outro. Gritos, pancadas. Um corpo desfalece ao chão. Esse é mais um relato de assassinato de um garoto gay nas ruas do Brasil. Até quando?
O estado brasileiro se caracteriza por ser fraco para com os fortes e forte, e violento, para com os fracos. Nossa polícia perpetua os vícios e hábitos herdados da Ditadura Militar e, ademais, os ranços do machismo patriarcalista europeu. Em lugar de proteger a sociedade seu principal papel tem sido de punir e, ou eliminar os empobrecidos, sobretudo os pertencentes a grupos vulneráveis: negros, índios, prostitutas (mulheres) e LGBT.
Em 2013, Poly, de 20 anos, dirigiu-se até a esquina e não voltou mais para casa. Foi assassinada por um perseguidor de “viado”. Conta Sra. Erivanda, que reclama “Ele não foi preso”. Uma das pautas de reivindicações do movimento LGBT é a criminalização da homofobia. Porém, antes de ser Gay, Poly era um ser humano e, portanto, o seu assassino deveria ser preso, porque homicídio é crime previsto em nosso Código Penal. Por que então o homicida homofóbico não foi preso? Por ter livrado a sociedade dessa vergonha? Porque Poly não foi curado pelo “projeto” de cura gay?
Somos o país que mais mata homossexuais no mundo. Em face dessa guerra homofóbica, do seu clamor de sangue, urge que o Congresso Nacional coloque em pauta os Projetos que tratam das reivindicações do Movimento LGBT. Pois se dentre as demais, a criminalização da homofobia for aprovada, reduzirá drasticamente o número de assassinatos e o preconceito social. Ser forte para com os fortes, no sentido de usar de sua força para reduzir as injustiças, e fraco para com os fracos, no sentido de debruçar-se e cuidar dos seus vulneráveis é sinal da grandeza de uma nação.