15/11/2024
Alethéia Núcleo de Psicologia
Formação e desenvolvimento em Psicologia Serviços educacionais e de orientação para psicólogos e estudantes de psicologia
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15/11/2024
10/04/2024
Formulação de caso na FAP
Como o(a) psicólogo(a) faz para definir que comportamentos são problema e quais são melhora no processo terapêutico? Não há um manual para isso. Para cada pessoa os comportamentos têm função única. Para uma, uma determinada conduta pode ser parte de um padrão problemático e fonte de sofrimento, para outra, a mesma conduta pode ser um grande sinal de melhora. Por esse motivo, para cada caso o(a) psicólogo(a) precisa de uma análise individual, a chamada formulação de caso. Nas palavras de Eells (2015), “a formulação de caso na psicoterapia é um processo para o desenvolvimento de uma hipótese sobre, e um plano para abordar as causas, os antecedentes e as influências mantenedoras dos problemas psicológicos, interpessoais e comportamentais de uma pessoa no contexto da cultura e do ambiente do indivíduo. Enquanto hipótese, a formulação de caso é a melhor segurança do terapeuta para a compreensão dos problemas do cliente: por que o cliente passa por eles, o que precede o início dos sintomas e por que os sintomas continuam a ocorrer em vez de serem resolvidos”.
Você segue algum modelo de formulação de caso para os seus atendimentos??
Por Ísis Vasconcelos CRP 03/29.789
10/04/2024
Formulação de caso na FAP
Como o(a) psicólogo(a) faz para definir que comportamentos são problema e quais são melhora no processo terapêutico? Não há um manual para isso. Para cada pessoa os comportamentos têm função única. Para uma, uma determinada conduta pode ser parte de um padrão problemático e fonte de sofrimento, para outra, a mesma conduta pode ser um grande sinal de melhora. Por esse motivo, para cada caso o(a) psicólogo(a) precisa de uma análise individual, a chamada formulação de caso. Nas palavras de Eells (2015), “a formulação de caso na psicoterapia é um processo para o desenvolvimento de uma hipótese sobre, e um plano para abordar as causas, os antecedentes e as influências mantenedoras dos problemas psicológicos, interpessoais e comportamentais de uma pessoa no contexto da cultura e do ambiente do indivíduo. Enquanto hipótese, a formulação de caso é a melhor segurança do(a) terapeuta para a compreensão dos problemas do(a) cliente: por que o(a) cliente passa por eles, o que precede o início dos sintomas e por que os sintomas continuam a ocorrer em vez de serem resolvidos”.
Você segue algum modelo de formulação de caso para os seus atendimentos??
Por Ísis Vasconcelos CRP 03/29.789
26/03/2024
Ao discorrer sobre o desenvolvimento da relação pensar-falar na criança, Vigotski produz a linearidade linguagem socializada → linguagem egocêntrica → linguagem interior; o bebê, ao chorar, já comunica, já produz intercâmbio social – ainda que sem intenção e sem consciência de seu ato; só no crepúsculo de sua primeira infância é que surgirá a fala egocêntrica, esta apropriação ativa da fala como instrumento de pensamento sob a forma de solilóquio, de um falar-sozinho; desenvolvido, este uso estratégico da linguagem aparece à criança mais velha, ao adolescente e ao adulto como atividade mental – a fala egocêntrica se encontra agora silenciada, introjetada e invisível por vezes ao próprio sujeito que a opera.
Se para Vigotski pensar é falar consigo mesmo com um objetivo dado, é traduzir um problema do plano das ações para o plano verbal à medida que aprendemos a nos adaptar, o que seria fazer pensar? Há um percurso ou estrutura para esse diálogo consigo? Pode ser produzido ou potencializado por outrem? Pode ser produzido ou potencializado pelo próprio sujeito, mesmo sem o recurso a uma situação interativa, a um alocutário empírico?
Na esteira dessas questões, uma sugestão: conceber o espaço clínico psicológico, o setting terapêutico, como um espaço comunicacional entre analista e analisando, decerto, mas a fortioti como um espaço de agenciamento da fala egocêntrica do analisando.
A função do terapeuta não seria de escuta do discurso de seu interlocutor, não seria a de encarnar um papel actancial pré-determinado, mas de esquiva deste esquema comunicacional.
O terapeuta assumiria como função primária não ser um tu, um alocutário, não o genérico acolhimento do eu do outro, mas explicitar para o outro, com este outro, os muitos enunciadores, os muitos eus, que compõem dialogicamente o (problema tematizado pelo) sujeito clínico.
Jameson Thiago Farias Silva
CRP 19/3311
22/03/2024
A linguagem, para Lev Vigotski, é um instrumento de pensamento, do mesmo modo que os dedos da mão são instrumentos matemáticos quando uma criança se defronta com uma questão aritmética que não é capaz de dar conta; usa os dedos para somar sete e dois, por exemplo; quando a soma aritmética excede a quantidade de dedos que possui, a criança, para resolver a equação, precisa dos dedos de um colega, usar os dedos de seus pés, criar um sistema de contagens usando objetos, dentre outras possibilidades de ação.
O adulto que interroga a tela de projeção durante os momentos duvidosos do filme, grita com a TV durante uma partida esportiva, faz rabiscos pouco legíveis durante uma aula complexa e amarra um cordão colorido em seu indicador para lembrar de tirar as roupas do varal também ilustrariam esta relação entre signo e consciência, para o autor.
Não se trata aí da questão da referencialidade, nem do problema da estruturação do mundo pela estrutura da língua. Colocar o problema da relação pensamento-linguagem, em Vigotski, é considerar certas modalidades do discurso concreto, nomeadas de egocêntricas pelo autor, como ferramentas para colocar problemas e encaminhá-los.
Pedro confidencia a João o desejo de largar o trabalho; escuta de João que deveria manter seu vínculo com a empresa pois, em seu campo de atuação, está difícil encontrar um emprego que pague tão bem – temos aí uma conversação dialogal (pois implica dois locutores) e dialógica (pois implica dois enunciadores, dois pontos de vista); num cenário em que João “se pergunta” se deveria largar o trabalho e, no instante seguinte, renuncia ao pedido de demissão, temos um monólogo, um texto monologal mas, ainda assim, dialógico (pois a tensão dos dois pontos de vista permanece).
Propomos a fala egocêntrica como um fenômeno de natureza semelhante ao do segundo caso.
A premissa diretriz desta proposta é a de que o pensamento, assim como a enunciação, é uma atividade dialógica. Não apenas a enunciação é polifônica e intertextual, mas o é também a própria atividade psicológica implicada no ato de fala – não mais uma entidade mental unitária, mas pluralidade discursiva.
Jameson Thiago Farias Silva
CRP 19/3311
20/03/2024
Em um 20 de março, há 120 anos, nascia B.F. Skinner, o grande pai da Análise do Comportamento. Fred Skinner é muito conhecido pelo seu empenho em produzir conhecimento psicológico a partir do método científico. Mas ele também foi uma voz potente na problematização dos riscos ao futuro da vida na terra, décadas atrás, quando os efeitos das mudanças climáticas não eram tão sentidos como hoje.
Mesmo naquela época já era forte a preocupação com o consumo desenfreado dos recursos naturais e como este padrão ameaça a vida na terra. Skinner defendia que a saída para escapar da extinção da vida seria comportamental. Se as pessoas mudassem a forma como consomem esses recursos, evitaríamos o implacável colapso. A saída é fácil de descrever: abrir mão de reforçadores imediatos individuais em benefícios de reforçadores coletivos futuros.
Na prática isso implica uma radical mudança de estilo de vida. Mesmo longe dos laboratórios, essas análises de Skinner são bem ilustrativas do fazer científico: pensar o futuro com base no presente, pensar em melhores alternativas para este futuro com base no conhecimento já acumulado sobre o comportamento humano. Em mais um aniversário de Skinner, esta homenagem é para relembrar a esperança dele num futuro melhor.
Prof. Drª Ísis Vasconcelos.
14/03/2024
Quando vou superar isso? Quanto tempo levarei para vencer meu transtorno? Essa é uma preocupação comum de clientes iniciando o processo psicoterápico e sugere uma forma de pensamento que vai de encontro ao que de fato é um problema psicológico e em como funciona uma psicoterapia.
O pensamento em si não é inesperado. Somos treinados a pensar em termos absolutos. As histórias que contamos tem um final geralmente feliz, os filmes que assistimos tem um vilão que é vencido. E de fato alguns clientes têm essa experiência, mas o que costumeiramente vemos em terapia não são inimigos a serem derrotados, mas formas de viver a serem adaptadas.
É preciso entender que as dificuldades que levam a pessoa à terapia costumam ser construídas com o tempo e poucas vezes há uma causa única. São resultados de nossas experiências de vida. Por isso o tratamento também costuma ser construído da mesma forma. Envolve, mais do que tudo, aprendizagem. Envolve explorar as diversas áreas da vida, e, às vezes, trabalhá-las ao redor do problema.
O tratamento com um cliente que reclama de sintomas depressivos, por exemplo, pode incluir mudar a forma como o cliente interpreta os fatos da vida, mas também treinar novas habilidades ou avaliar suas formas de agir em ambientes específicos e ansiogênicos, ou pode envolver encontrar novas experiências que tornam a vida mais prazerosa. Enquanto o tratamento ocorre, a melhora é gradual, às vezes de forma que o cliente não perceba até que ela se acumule ou que seja apontada por outros.
O sucesso e fim do tratamento costuma ser decidido em conjunto, quando o cliente percebe que está bem e aprendeu habilidades para lidar com futuros problemas sozinho. Não há um clímax, um final definitivo. É uma decisão. Mas, devido ao progresso gradual, mesmo que algo interrompa o processo terapêutico, alguma melhora será sentida.
Pensar em uma cura simples pode cegar o cliente de uma melhora mais completa, sustentável e duradoura. E se acostumar a observar melhoras graduais em qualquer situação é uma boa habilidade de vida para se treinar.
Diego Cardozo Mendonça
CRP-19/2151
13/03/2024
Temos novos doutores!
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Dante Andrade defendeu sua tese no dia 26/02/2024 no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFS. O objetivo da tese, intitulada “Dúvida cartesiana versus dúvida cética: uma análise comparativa”, foi oferecer uma caracterização da dúvida cartesiana, a partir de uma análise comparativa entre dúvida cartesiana e dúvida cética, e tomando o tema da loucura como o fio condutor da investigação.
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No dia seguinte, 27/02/2024, Jameson Thiago defendeu sua tese no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFS. O objetivo da tese, intitulada “Da fala egocêntrica como fenômeno argumentativo e problematológico”, foi analisar o fenômeno da fala egocêntrica, tal como descrito por Lev Vigotski. A investigação partiu do pressuposto de que não apenas a enunciação é polifônica, mas o é também a própria atividade psicológica implicada no ato de fala.
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Enfrentar o árduo desafio de fazer um doutorado significa estar envolvido com a ideia de formação continuada, entendida como um processo interminável. Mas fazer um doutorado tem a ver, sobretudo, com um certo modo de vida. Escrever uma tese passa por habitar um outro plano, por sintonizar uma outra temporalidade; passa por dialogar com pessoas que permanecem vivas para além da própria morte; passa por morar em alguns textos por meses, anos a fio. Escrever uma tese é, então, fazer morada nesse espaço-tempo singular.
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Parabéns aos novos doutores!
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08/03/2024
O dia internacional da mulher cumpre um papel importante de chamar a atenção para as necessidades e desafios atuais que as mulheres enfrentam. Este ano, quero propor uma reflexão acerca de uma série de dados recentes sobre a saúde mental de mulheres.
A prevalência de sofrimento mental não para e crescer. Até aqui, nenhuma surpresa. Dados dos últimos 10 anos dão conta de que cerca de 19% da população apresenta algum diagnóstico psicológico. Se você achou muita coisa, pense que esse número provavelmente é subdimensionado, visto que cuidados em saúde mental não são acessíveis para grandes porções da população. Nesse dia das mulheres, quero chamar a atenção para o fato de que ser mulher aumenta seus fatores de risco para o desenvolvimento de quadros de sofrimento psíquico. Abaixo, eu listo alguns dados que ilustram este grave problema:
1) Mulheres têm maior probabilidade de apresentar um transtorno mental severo em comparação com os homens. Em qualquer idade!
2) São a maioria dos casos de transtorno depressivo, transtornos de ansiedade e alimentares.
3) A probabilidade de mulheres apresentarem transtornos mentais severos diminui à medida que as mulheres envelhecem. Isso se correlaciona com a redução de suas responsabilidades, o que só alcança níveis mais baixos quando a mulher se aproxima dos 85 anos de idade!
4) Mulheres casadas têm maior probabilidade de desenvolver transtornos depressivos.
5) Algumas variáveis aumentam significativamente o risco de adoecimento psicológico em mulheres. Entrem elas, a literatura aponta: infertilidade, histórico de violência doméstica ou sexual e dedicação exclusiva a trabalho não remunerado.
Fontes:
https://www.standard.co.uk/news/uk/being-widowed-boosts-happiness-in-women-study-finds-a3719491.html
https://www.nimh.nih.gov/health/topics/women-and-mental-health
https://web.archive.org/web/20170516232051id_/http://www.turkpsikiyatri.com:80/c17s4/en/17-4-3.pdf
https://link.springer.com/article/10.1007/s11482-022-10091-7
https://www.thelancet.com/journals/lanpsy/article/PIIS2215-0366(16)30261-9/abstract
Prof. Drª Ísis Vasconcelos.
10/10/2023
Habilidades funcionais são definidas como classes de comportamento necessárias
para que uma pessoa esteja e atue de forma independente e segura nos diversos ambientes em atividades da vida diária. Quando uma pessoa apresenta atrasos no
desenvolvimento, sua vida diária pode ser muito restrita e dependente dos cuidados
de outras pessoas.
Quando nós atuamos para ensinar habilidades funcionais, vamos estabelecer metas de comportamento para diversos domínios como autocuidado, ambiente doméstico, participação em comunidade, escola, trabalho, lazer, interação interpessoal e autorregulação.
Prejuízos nas habilidades sociais se correlacionam com: (1) maior sobrecarga de cuidadores; (2) maiores chances de a pessoa ser institucionalizada ou nunca sair da
própria casa; e (3) risco aumentado para acidentes. A família de uma pessoa funcionalmente dependente também sofre muito. Muitos estudos apontam altos níveis de adoecimento mental e físico entre parentes que assumem a função de cuidadores.
É importante ressaltar: mesmo pessoas com graves prejuízos na aprendizagem de
habilidades funcionais podem aprender e assim, ganhar em independência para si e
sua família.
Fonte: LaRue et al. (2016). Functional Skills. In Handbook of Evidence-Based Practices in Intellectual and Developmental Disabilities.
Por Ísis G. Vasconcelos
CRP 19/2613
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