30/10/2021
"Uma singular predestinação cercou o Brasil desde seus primeiros instantes.
Nascemos de um impulso missionário, pois, como se sabe, o desejo de dilatar o Reino de Cristo, mais do que a sede de lucro, orientava a Nação Lusa – Reis e povo – no esforço da Navegação.
Por isto mesmo, a Coroa Portuguesa cometeu de início a direção temporária do nosso País à Ordem de Cristo.
Nosso progresso também teve, nos seus primeiros passos, um sentido marcadamente missionário, enquanto dependíamos, de modo capital, da Companhia de Jesus, apoiada em muitas circunstâncias difíceis, pelos Reis da Casa de Bragança, que nela reconheciam o grande elemento propulsor da nossa grandeza espiritual.
Dom João VI consagrou-nos à Imaculada Conceição, e, logo que o Brasil se tornou independente, Dom Pedro I renovou esta consagração, reafirmando os especiais poderes da Rainha do Céu, sobre a Nação.
Assim, quando o Episcopado Brasileiro, tendo à frente o ínclito Cardeal Arcoverde, coroou solenemente Nossa Senhora Aparecida Rainha do Brasil, situou-se no campo de nossas melhores e mais genuínas tradições.
Não se veja nestes atos mera expansão de sentimentos. Estas consagrações afirmam, de modo muito definido, conceitos que estão na própria raiz do que se poderia chamar a brasilidade.
Os mandamentos da lei de Deus contêm todos os preceitos que, segundo a própria ordem natural das coisas, os homens devem observar para viver reta e felizmente neste mundo. Tome-se um povo que pratica a lei de Deus: será necessariamente grande e feliz. Tome-se um povo em decadência: na raiz do seu declínio se encontrará sempre a violação sistemática e habitual de algum mandamento.
Assim, pois, a própria ordem civil não tem interesse mais fundamental e mais vital do que a observância constante dos preceitos do decálogo. Se tomarmos a noção, hoje tão malbaratada, da Civilização Cristã e penetrarmos até o âmago dela, outra coisa não encontraremos senão os Mandamentos.
Cristã é a civilização que as instituições, os usos, os costumes, a cultura, são construídos na base dos Mandamentos. É a estes que o Ocidente deveu tantos séculos de glória, de tranquilidade, de hegemonia mundial.
A lei de Deus, contudo, não foi abandonada, quanto à sua interpretação, por vezes árdua e difícil, ao capricho humano.
O próprio Jesus Cristo, nossa Salvador, instituiu um poder que com assistência divina jamais errará no ensino não só da Fé, como ainda da moral cristã: é a Igreja. E é por meio da Igreja que Deus dá aos homens as graças necessárias para praticarem os Mandamentos.
Assim, pois, pode-se dizer que, se os Mandamentos são a base da civilização, de outro lado a Igreja é a coluna sobre a qual se apóiam os Mandamentos.
Cumpre, contudo, ir ainda mais a fundo nesta ordem de idéias. A Igreja, Ela mesma, se apóia por sua vez sobre uma coluna que é a Cátedra de São Pedro: “Ubi Petrus, ibi Ecclesia” – onde está o sucessor de São Pedro, aí está a Igreja.
Assim, pois, é o Vigário de Jesus Cristo a base da Civilização Cristã. Chegamos assim à conclusão de que a grandeza, mesmo temporal, de um povo, decorre antes de tudo, e acima de tudo, de sua adesão filial, de sua fidelidade inabalável à Cátedra de São Pedro. Este o grande princípio sobre o qual, nas minhas mais ardentes aspirações, desejo ver construída a grandeza do nosso Brasil."
-- Dom Pedro Henrique de Orléans e Bragança (*1909 - +1981) , Imperador - de jure - do Brasil (1921 -1981)
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