18/08/2022
Há exatos quarenta anos, o deputado democrata e ativista ambiental Al Gore presidiu a primeira série de audiências na Câmara sobre a necessidade de os Estados Unidos frearem as emissões de carbono e outros poluentes. Gore, vice-presidente de Bill Clinton, viria a ganhar um Nobel da Paz pela defesa do meio ambiente e um Oscar pelo documentário Uma Verdade Inconveniente, mas nada disso dobrou o Congresso, que derrotou pacote após pacote de medidas para deter o aquecimento global. Joe Biden assumiu com a promessa de encaminhar o mais ambicioso projeto nesse sentido, mas o pacotaço de 2,2 trilhões de dólares também sucumbiu diante da resistência dos congressistas. Pois corta daqui, cede dali, adapta acolá e, quando a esperança de um avanço a curto prazo parecia perdida, eis que o Senado finalmente aprovou o projeto de lei para combater mudanças climáticas mais significativo da história americana. “Até que enfim derrubamos a barreira. Nunca imaginei que demoraria tanto”, comemorou Gore, hoje afastado da política.
O Senado americano aprovou um pacote de US$ 430 bilhões para combater as mudanças climáticas, diminuir preços de remédios e aumentar alguns impostos em atividades empresariais.
Quais as principais mudanças?
🌍 O projeto de lei é o maior investimento em energia limpa e cortes de emissões de carbono que o Senado já aprovou, oferecendo cerca de US$ 370 bilhões para o controle das mudanças climáticas.
🏥 Na parte da saúde, a lei autoriza o Medicare a negociar os preços de certos medicamentos caros administrados em consultórios médicos ou comprados na farmácia.
💰 O projeto estabelece um imposto mínimo de 15% sobre empresas que ganham US$ 1 bilhão ou mais em renda. A provisão oferece mais de US$ 300 bilhões em receita.
Bottom-line: Os republicanos, por outro lado, argumentam que o projeto de lei não vai atacar a inflação, atrapalhando a criação de empregos e prejudicando o crescimento da economia.